Ucrânia chega a acordo com os EUA sobre acordo de minerais

Ucrânia chega a acordo com os EUA sobre acordo de minerais
Utkarsh Roshan
25 de fev. de 2025, 16:59 PM
  • Kiev concordou com os termos de um acordo sobre minerais com Washington.
  • Apesar dos termos revisados, o acordo final não inclui garantias de segurança dos EUA.
  • O desenvolvimento ocorre um dia depois de Putin sinalizar abertura para oferecer aos EUA acesso aos minerais raros da Rússia.

Kiev concordou com os termos de um acordo sobre minerais com Washington, que as autoridades ucranianas esperam fortalecer as relações com a administração Trump e abrir caminho para um compromisso de segurança de longo prazo dos EUA.

O acordo, datado de 24 de fevereiro, estabelece um fundo de investimento conjunto ao qual a Ucrânia contribuirá com 50% dos lucros da futura monetização de recursos minerais estatais, incluindo petróleo e gás, conforme reportagem do Financial Times.

O fundo será usado para investir em projetos de desenvolvimento ucranianos.

Crucialmente, o acordo exclui as receitas minerais existentes que já contribuem para o orçamento estatal da Ucrânia, o que significa que não afeta a Naftogaz ou a Ukrnafta, as maiores produtoras de gás e petróleo do país.

O desenvolvimento ocorre um dia depois de o presidente russo, Vladimir Putin, sinalizar abertura para oferecer aos EUA acesso aos minerais raros da Rússia, potencialmente como uma contramedida a um possível acordo EUA-Ucrânia.

Os detalhes mais finos do acordo EUA-Ucrânia

A proposta original da administração Trump incluía uma reivindicação de US$ 500 bilhões sobre as receitas minerais potenciais da Ucrânia.

Essa exigência provocou indignação em Kiev e nas capitais europeias e acabou sendo retirada do acordo final.

Apesar dos termos revisados, o acordo final não inclui garantias de segurança dos EUA, que Kiev inicialmente buscava como parte das negociações, afirmou o relatório, citando fontes.

A administração Trump, em vez disso, buscou uma mudança na política dos EUA, engajando-se em conversas bilaterais com a Rússia que excluem a Ucrânia e os aliados europeus.

Antes da implementação, o acordo deve ser ratificado pelo parlamento ucraniano, onde espera-se que parlamentares da oposição contestem seus termos.

As autoridades enfatizaram que nenhuma receita será transferida até que o fundo seja formalmente estabelecido e que mais detalhes, incluindo sua jurisdição legal, sejam finalizados.

O acordo está sendo apresentado como parte de uma parceria mais ampla entre EUA e Ucrânia, embora suas implicações a longo prazo permaneçam incertas.

De acordo com o relatório, o acordo foi aprovado pelos ministérios da Justiça, da Economia e das Relações Exteriores da Ucrânia, e espera-se que o presidente Volodymyr Zelenskyy viaje a Washington para uma cerimônia de assinatura com Trump nas próximas semanas.

Minerais da Ucrânia

A Ucrânia estima que cerca de 5% das matérias-primas críticas do mundo estão localizadas dentro de suas fronteiras, tornando-a um ator-chave na cadeia de suprimentos global de minerais essenciais.

Esses recursos são vitais para indústrias que vão do armazenamento de energia à aeroespacial e de defesa.

O país possui 19 milhões de toneladas de reservas comprovadas de grafite, colocando-o entre os cinco maiores fornecedores globais, de acordo com o Serviço Geológico da Ucrânia.

O grafite é um componente crucial na produção de baterias para veículos elétricos (VE), tornando a Ucrânia um centro de recursos estratégicos para a transição para a energia verde.

Além disso, a Ucrânia possui um terço de todas as reservas de lítio da Europa, um material essencial na tecnologia de baterias. Com o aumento da demanda por lítio impulsionado pela transição global para a eletrificação, as reservas da Ucrânia podem se tornar cada vez mais importantes.

Antes da invasão russa, a Ucrânia respondia por 7% da produção global de titânio. O titânio é um metal leve, porém resistente, amplamente utilizado em aplicações aeroespaciais, geração de energia e industriais.

Além disso, a Ucrânia possui reservas significativas de metais de terras raras, um grupo de 17 elementos essenciais para a produção de sistemas de armas, turbinas eólicas, eletrônicos e outras tecnologias modernas.

Esses materiais são críticos para as indústrias de defesa e de alta tecnologia em todo o mundo.