A guerra sem fim pelo poder, território e recursos: o que o futuro reserva para a Ucrânia?

A guerra sem fim pelo poder, território e recursos: o que o futuro reserva para a Ucrânia?
Dionysis Partsinevelos
12 de fev. de 2025, 10:29 AM
  • O futuro da Ucrânia depende dos resultados da guerra, do controle de recursos e de sua posição nas cadeias de suprimentos globais.
  • O plano de paz de Trump enfrenta desafios, enquanto a Rússia continua a ganhar território e a mostrar resiliência econômica.
  • A batalha pelos minerais críticos da Ucrânia pode remodelar o poder econômico ocidental, russo e chinês.

As guerras não apenas redesenham mapas; elas reescrevem as regras do poder global. O futuro da Ucrânia não será moldado apenas por batalhas militares, mas por decisões tomadas em Washington, Moscou e Kiev nos próximos meses.

O presidente dos EUA promete acabar com a guerra, mas o presidente da Rússia, Vladimir Putin, não vai ceder tão facilmente.

Por trás das conversas sobre cessar-fogo e negociações, uma nova batalha também está acontecendo pelas vastas reservas de minerais da Ucrânia.

O resultado desta guerra determinará se a Ucrânia se tornará um estado forte e independente alinhado ao Ocidente ou se será permanentemente enfraquecida, com seu território e recursos divididos entre a Rússia e seus adversários.

A estratégia de Trump para a Ucrânia está mudando?

Donald Trump fez campanha com a ideia de que poderia acabar com a guerra na Ucrânia rapidamente, sugerindo até mesmo que negociaria um acordo "no primeiro dia".

Mas sua equipe agora está admitindo que uma resolução levará meses ou mais.

Seus assessores se afastaram de promessas irrealistas e agora estão discutindo um possível cessar-fogo que congele o campo de batalha, remova as ambições da Ucrânia pela OTAN e crie um acordo econômico que possa beneficiar os EUA.

Os últimos comentários de Trump sugerem que ele está considerando usar a riqueza mineral da Ucrânia como alavanca.

Ele levantou a ideia de que a ajuda contínua dos EUA poderia vir em troca do acesso a materiais críticos da Ucrânia, algo que Washington vem explorando há anos.

Os EUA estão há muito tempo preocupados com o domínio da China sobre minerais de terras raras. A China controla 85% da capacidade global de refino.

Se os recursos da Ucrânia puderem ser garantidos, eles poderão servir como uma cadeia de suprimentos alternativa para o Ocidente, reduzindo a dependência da China.

No entanto, a suposição de Trump de que a Rússia aceitará um acordo rapidamente parece equivocada.

O presidente russo, Vladimir Putin, tem poucos incentivos para parar agora. Suas forças ainda estão conquistando territórios e ele sabe que a presidência de Trump é temporária.

Ele pode preferir esperar, calculando que o apoio ocidental à Ucrânia pode enfraquecer com o tempo.

A Rússia está jogando o jogo longo

A estratégia de Putin sempre foi maior do que apenas a conquista territorial. De acordo com algumas estimativas, a Rússia já apreendeu 33% dos depósitos minerais críticos conhecidos da Ucrânia, estimados em pelo menos US$ 5 a US$ 8 trilhões.

Isso inclui algumas das maiores reservas de lítio e titânio da Europa. Esses dois materiais são essenciais para a produção de baterias, aplicações aeroespaciais e militares.

Se a Rússia capturar mais territórios ricos em recursos da Ucrânia, ela controlará uma parcela enorme das futuras cadeias de suprimentos industriais do mundo.

No entanto, a economia da Rússia está funcionando com dificuldade. Mas, apesar das sanções do Ocidente, Moscou conseguiu manter sua máquina de guerra funcionando, transferindo o comércio para a China, a Índia e outros parceiros não ocidentais.

As exportações de petróleo continuam gerando receita, mas com preços mais baixos.

Embora a inflação esteja aumentando e o rublo tenha se enfraquecido, a economia russa ainda tem um pouco de petróleo no tanque.

Isso significa que Putin tem tempo para esperar e pressionar por mais ganhos antes de negociar.

Também existe o risco de uma nova ofensiva. Alguns especialistas acreditam que a Rússia pode lançar um grande ataque antes que as negociações de paz comecem.

Se Putin conseguir capturar mais território ucraniano, ele fortalecerá sua posição de negociação. Isso torna improvável qualquer resolução diplomática em curto prazo.

Qual é o futuro da Ucrânia?

A Ucrânia não está desistindo e sua resiliência tem sido surpreendente.

Apesar da escassez de mão de obra, o país se adaptou à guerra aumentando a produção de armas nacionais.

Fábricas ucranianas agora produzem milhões de drones anualmente e desenvolvem novas tecnologias de armas.

Isso significa que mesmo que a ajuda militar ocidental diminua, a Ucrânia ainda terá capacidade para resistir aos avanços russos.

Economicamente, a Ucrânia está se saindo melhor do que muitos esperavam. O crescimento voltou e Kiev está construindo relações comerciais mais fortes com a Europa.

Enquanto a Rússia esperava que a economia da Ucrânia entrasse em colapso sob a pressão da guerra, o oposto está acontecendo. A Ucrânia está se integrando mais estreitamente ao Ocidente.

A questão de longo prazo é se a Ucrânia seguirá um modelo semelhante ao da Finlândia após a Segunda Guerra Mundial.

A Finlândia perdeu terras para a União Soviética e prometeu neutralidade, mas permaneceu independente e gradualmente se aproximou do Ocidente.

Se a Ucrânia for forçada a aceitar perdas territoriais e ficar fora da OTAN, ela ainda poderá se desenvolver em um estado forte e economicamente viável.

Com o tempo, o país poderia estabelecer laços de segurança mais estreitos com a Europa, mesmo sem ser formalmente membro da OTAN.

O que acontece se as negociações de paz entre Rússia e Ucrânia fracassarem?

Se as negociações de paz fracassarem, o conflito provavelmente continuará na sua forma atual, ou seja, uma lenta guerra de atrito.

Isso manteria a economia global em alerta, com interrupções contínuas nos mercados de energia, exportações de grãos e cadeias de suprimentos industriais.

Uma guerra prolongada também aumenta o risco de tensão financeira para os apoiadores ocidentais da Ucrânia.

Os EUA já destinaram mais de US$ 150 bilhões à defesa da Ucrânia, e alguns países europeus estão questionando por quanto tempo poderão sustentar suas contribuições.

Há também implicações para os investidores aqui. Se a Rússia consolidar seus ganhos, poderá apertar o controle sobre as cadeias de suprimentos globais de minerais essenciais, colocando as indústrias ocidentais em risco.

Se a Ucrânia conseguir se estabilizar e reconstruir, ela poderá se tornar um importante parceiro econômico da Europa, com seus recursos críticos ajudando a impulsionar a próxima geração de tecnologia e manufatura.

Os próximos meses serão decisivos. Se os EUA e a Europa querem que a Ucrânia se torne um estado forte e independente, eles devem estar preparados para oferecer mais do que apenas ajuda militar.

Será necessário apoio econômico de longo prazo, investimento no setor de mineração da Ucrânia e compromissos de segurança mais fortes. Se hesitarem, a Rússia pode continuar sua expansão lenta, mas constante, remodelando o equilíbrio global de poder no processo.