A estratégia de IA de Trump está se voltando contra ele? Microsoft soa alarme sobre restrições a chips.

A estratégia de IA de Trump está se voltando contra ele? Microsoft soa alarme sobre restrições a chips.
Deepali Singh
27 de fev. de 2025, 09:25 AM
  • Microsoft pede a Trump que relaxe as restrições à exportação de chips de IA.
  • A proposta visa aliados como Índia, Israel e Suíça.
  • Restrições prejudicam empresas americanas e beneficiam a China, argumenta a Microsoft.

A Microsoft está se preparando para fazer um apelo ousado à administração Trump, pedindo uma revisão significativa das restrições atuais à exportação de chips de inteligência artificial (IA) avançados.

De acordo com uma reportagem do Wall Street Journal (WSJ), a gigante da tecnologia argumentará que essas restrições, destinadas a limitar o acesso da China a tecnologias de ponta, estão tendo consequências não intencionais que podem, em última análise, minar a competitividade dos EUA e prejudicar aliados importantes.

A proposta, detalhada em uma publicação no blog da Microsoft com lançamento previsto para quinta-feira, pedirá o relaxamento dos limites de exportação de chips usados em data centers para treinamento de modelos de IA, de modo que eles não se apliquem mais a um grupo de aliados dos EUA, incluindo Índia, Suíça e Israel, informou o WSJ.

Restrições mais rigorosas dos EUA às exportações de chips de inteligência artificial avançada, como os fabricados pela líder do setor Nvidia, para Pequim prejudicaram a capacidade das fabricantes de chips americanas e das grandes empresas de tecnologia de atender a um dos maiores mercados de semicondutores, acelerando uma corrida global pela dominação da infraestrutura de IA.

Embora a Huawei, fabricante de equipamentos de telecomunicações sancionada, e suas concorrentes nacionais tenham lutado para igualar a Nvidia na construção de chips de ponta que pudessem competir com os produtos americanos, os modelos de baixo custo e focados em inferência da startup chinesa DeepSeek podem representar uma oportunidade, disseram analistas.

Esses fatores também poderiam dar à China uma vantagem no desenvolvimento de soluções de IA.

O WSJ relatou que, segundo a Microsoft, a consequência não intencional da expansão das restrições à exportação seria que aliados com fornecimento limitado de chips dos EUA recorreriam à China.

A China está usando as restrições de exportação propostas para argumentar a outros países que seria um parceiro de longo prazo melhor para infraestrutura de IA do que os EUA, disse o presidente da Microsoft, Brad Smith, em entrevista, segundo o WSJ.

Este argumento tem peso significativo, particularmente para nações que buscam desenvolver suas próprias capacidades de IA sem depender de uma única fonte de fornecimento.

Deve-se notar que a Microsoft não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.

A ação da Microsoft sublinha a natureza complexa e de alto risco da corrida global pela IA.

A empresa acredita que uma abordagem mais matizada aos controles de exportação é necessária para proteger os interesses dos EUA, fortalecer alianças e impedir que a China obtenha uma vantagem indevida nessa tecnologia crítica.

Ao defender uma política mais direcionada, a Microsoft espera direcionar a administração Trump para uma estratégia que promova tanto a segurança nacional quanto a competitividade econômica.