Eleições na Groenlândia reacendem debate sobre independência enquanto Trump pressiona reivindicação dos EUA

Eleições na Groenlândia reacendem debate sobre independência enquanto Trump pressiona reivindicação dos EUA
Srinibas Rout
11 de mar. de 2025, 04:52 AM
  • Embora muitos groenlandeses apoiem a ideia de independência, a adesão aos EUA não é uma alternativa popular.
  • Trump disse ao Congresso na semana passada que os EUA assumiriam o controle da Groenlândia “de um jeito ou de outro”.
  • Espera-se que o partido pró-independência Inuit Ataqatigiit mantenha sua influência no parlamento.

Os eleitores da Groenlândia vão às urnas na terça-feira em uma eleição parlamentar crucial, com a questão de longa data da independência da Dinamarca ocupando o centro das atenções.

A votação também ocorre em meio ao renovado interesse do presidente dos EUA, Donald Trump, que repetidamente sugeriu que os Estados Unidos deveriam assumir o controle da ilha ártica — apesar da firme oposição tanto da Groenlândia quanto da Dinamarca.

De acordo com uma pesquisa de janeiro, espera-se que o partido pró-independência Inuit Ataqatigiit, que atualmente lidera o governo, mantenha sua influência no Inatsisartut (parlamento da Groenlândia), composto por 31 assentos.

Seu concorrente mais próximo, o Siumut, também apoia a independência, com ambos os partidos defendendo um futuro referendo.

No entanto, ainda não foi estabelecido um cronograma concreto para a separação da Dinamarca.

O papel e o apoio financeiro da Dinamarca

Embora a Groenlândia administre seus assuntos internos, a Dinamarca supervisiona sua política externa e defesa.

Copenhague também fornece uma subvenção anual de US$ 511 milhões, o que representa cerca de 20% do PIB da Groenlândia e mais da metade de seu orçamento público, de acordo com a Administração de Comércio Internacional.

Embora a Dinamarca tenha repetidamente declarado que a Groenlândia não está à venda, as autoridades permanecem cautelosas com o crescente movimento pela autonomia.

Trump revive reivindicações dos EUA sobre a Groenlândia

Trump gerou controvérsia ao sugerir que os EUA deveriam assumir o controle da Groenlândia, citando interesses econômicos e de segurança nacional.

Em dezembro, ele chamou a propriedade da Groenlândia de “essencial” para a América, provocando uma rápida rejeição do primeiro-ministro da Groenlândia, Mute Egede, que insistiu: "Não estamos à venda e nunca estaremos à venda".

Apesar da Dinamarca e da Groenlândia terem rejeitado firmemente a ideia, Trump levantou a questão novamente na semana passada, dizendo ao Congresso que os EUA garantiriam o controle da Groenlândia “de uma forma ou de outra”.

Ele complementou com uma publicação no Truth Social, prometendo bilhões de dólares em investimentos se a Groenlândia optar por se alinhar com os EUA.

A posição da Groenlândia: Independência, não a condição de estado americano.

Embora muitos groenlandeses apoiem a ideia de independência, a adesão aos EUA não é uma alternativa popular.

Uma pesquisa de janeiro da Verian constatou que 85% dos groenlandeses se opunham a se tornar parte dos EUA, enquanto apenas 6% apoiavam a ideia.

No entanto, 56% disseram que votariam pela independência em um referendo.

O legislador dinamarquês Rasmus Jarlov rejeitou as alegações de Trump, afirmando que nenhum candidato nas eleições da Groenlândia apoia a adesão aos EUA.

Ele também observou que a Groenlândia atualmente goza de plenos direitos políticos dentro da Dinamarca, enquanto sob os EUA, provavelmente se tornaria um território sem direito a voto — semelhante a Porto Rico.

O que o futuro reserva para a Groenlândia?

Analistas sugerem que, em vez de buscar “possuir” a Groenlândia, os EUA deveriam se concentrar em fortalecer os laços diplomáticos e econômicos com a região.

Os EUA já investiram nos setores de mineração, educação e turismo da Groenlândia, e especialistas acreditam que uma abordagem cooperativa beneficiaria ambas as nações.

À medida que a Groenlândia se aproxima da autodeterminação, o resultado da eleição moldará os próximos passos rumo à independência.

No entanto, com Trump mantendo a Groenlândia em seu radar, as discussões políticas e diplomáticas em torno de seu futuro estão longe de terminar.