Gazprom aumenta o fornecimento de gás para a Eslováquia através do gasoduto TurkStream.

Gazprom aumenta o fornecimento de gás para a Eslováquia através do gasoduto TurkStream.
Sayantan Sarkar
31 de mar. de 2025, 14:14 PM
  • A Gazprom aumentará significativamente o fornecimento de gás à Eslováquia a partir de abril, utilizando o gasoduto TurkStream.
  • O aumento é várias vezes o volume enviado nos dois meses anteriores, utilizando nova capacidade.
  • O gasoduto TurkStream é crucial, especialmente depois que a Ucrânia interrompeu o trânsito de gás para a Europa.

A Gazprom, gigante energética estatal russa, anunciou um aumento significativo no fornecimento de gás para a Eslováquia a partir de abril.

Esse aumento será facilitado pelo gasoduto TurkStream, que contorna a Ucrânia transportando gás russo para a Europa via Turquia.

O anúncio foi feito por Vojtech Ferencz, CEO da importadora eslovaca de gás SPP, na segunda-feira, segundo relatos da mídia.

Este desenvolvimento destaca a importância estratégica do gasoduto TurkStream para as exportações de gás da Rússia para a Europa e para a segurança energética da Eslováquia.

O papel do gasoduto TurkStream

A Gazprom retomou o fornecimento de gás à Eslováquia no início de fevereiro.

Isso foi possível graças à utilização dos volumes que a Hungria cedeu no gasoduto TurkStream, conforme confirmado pela SPP (operadora do sistema de transmissão de gás eslovaco) no mês passado.

Esperava-se que os volumes iniciais de gás fornecidos dobrariam a partir de abril, embora números específicos sobre o aumento não tenham sido divulgados.

Na segunda-feira, Ferencz falou com repórteres e anunciou um aumento significativo no volume de remessas.

Esse aumento, afirmou ele, seria várias vezes o volume transportado nos dois meses anteriores, utilizando a capacidade recém-disponível do gasoduto TurkStream.

Esta atualização revisou a estimativa anterior, que sugeria apenas uma duplicação dos volumes de transporte.

O diretor comercial da SPP, Michal Lalik, disse ao Daily Sabah, um jornal turco:

O gasoduto TurkStream, um importante projeto de infraestrutura energética, estende-se por 930 quilômetros (580 milhas) sob o Mar Negro.

Origina-se na cidade turística russa de Anapa e chega a Kıyıköy, no noroeste da Turquia.

Este trecho subaquático do gasoduto é uma notável façanha de engenharia, permitindo o transporte eficiente de gás natural através do Mar Negro.

Ao chegar a Kıyıköy, o gasoduto TurkStream conecta-se a uma rede de gasodutos terrestres.

Esses oleodutos atravessam a região dos Bálcãs, estendendo-se para o norte em direção à Europa Ocidental.

Impacto da paralisação do trânsito pela Ucrânia

Essa extensa rede desempenha um papel crucial no fornecimento de gás natural a diversos países europeus, contribuindo para suas necessidades energéticas e desenvolvimento econômico.

O gasoduto TurkStream representa uma colaboração estratégica entre a Rússia e a Turquia, facilitando o transporte de gás natural para a Turquia e a Europa.

O gasoduto tornou-se ainda mais crucial depois que a Ucrânia se recusou a renovar um acordo com a Rússia.

O acordo era responsável pela transmissão de gás russo para a Europa através de gasodutos ucranianos.

O gasoduto TurkStream tem uma capacidade anual de 31,5 bilhões de metros cúbicos.

Os países europeus recebem 15,75 bilhões de metros cúbicos, e os restantes 15,75 bilhões de metros cúbicos são destinados ao mercado interno da Turquia.

A Eslováquia dependia do fornecimento de gás da Hungria, que recebe principalmente gás russo via TurkStream, já que o trânsito pela Ucrânia cessou no final de 2024, quando Kiev se recusou a renovar seu acordo com Moscou.

A mudança da UE para longe do gás russo

A Eslováquia e a Hungria pediram a retomada do trânsito pela Ucrânia, e a primeira afirmou que vetará a ajuda da União Europeia a Kiev se a Ucrânia não mudar sua posição.

Após a recusa da Ucrânia em renovar o acordo de trânsito, as rotas restantes de fornecimento de gás natural russo para a Europa são o TurkStream e o Blue Stream.

Desde a invasão da Ucrânia por Moscou em fevereiro de 2022, a UE, com seus 27 membros, vem diminuindo sua dependência do gás russo.

Isso resultou em uma queda nas importações por gasoduto. No entanto, vários países europeus aumentaram suas compras de gás natural liquefeito (GNL) russo, que é transportado por via marítima.