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Casa Branca considera tarifa de importação de 20% sobre a maioria das importações: relatório

Casa Branca considera tarifa de importação de 20% sobre a maioria das importações: relatório
Vatsala Gaur
01 de abr. de 2025, 10:04 AM
  • Casa Branca considera uma tarifa abrangente de 20% sobre importações, mas outras medidas comerciais permanecem em discussão.
  • Economistas alertam que uma guerra comercial em grande escala poderia custar à economia global US$ 1,4 trilhão em perdas de bem-estar.
  • O Goldman Sachs elevou para 35% a probabilidade de uma recessão nos EUA nos próximos 12 meses.

A Casa Branca está considerando um plano para impor uma tarifa de 20% sobre a maioria das importações, informou o Washington Post na terça-feira.

De acordo com o relatório, a proposta é uma das várias opções que estão sendo debatidas pelos assessores do presidente Donald Trump.

Embora nenhuma decisão final tenha sido tomada, a tarifa abrangente representaria uma grande mudança na política comercial dos EUA, tornando-a mais protecionista do que nas últimas décadas.

Funcionários da administração também estão explorando uma abordagem "recíproca", que aplicaria tarifas com base em como outros países tratam as exportações dos EUA.

A administração Trump também está considerando usar os trilhões de dólares que espera receber em novas receitas de importação para um dividendo ou reembolso de impostos, disse o relatório, citando três pessoas não identificadas familiarizadas com o assunto.

Embora os detalhes completos ainda sejam incertos, o anúncio esperado para 2 de abril já causou repercussões nos mercados financeiros, com investidores preocupados com as consequências econômicas da escalada das tensões comerciais.

A estratégia comercial mais ampla de Trump visa tornar o comércio dos EUA "mais justo", segundo funcionários do governo, além de gerar receita para o governo federal.

No entanto, os críticos alertam que os custos podem superar os benefícios, levando a preços mais altos para os consumidores, interrupções nas cadeias de suprimentos e possíveis ações retaliatórias de grandes parceiros comerciais.

Mercados e empresas abalados por temores de guerra comercial

As preocupações com uma iminente guerra comercial já abalaram a confiança dos investidores.

No primeiro trimestre de 2025, o S&P 500 caiu 4,6%, enquanto o Nasdaq Composite, com forte presença de empresas de tecnologia, sofreu uma queda mais acentuada de 10,4%.

Analistas atribuem essas perdas, em parte, à incerteza em torno da política comercial dos EUA e seu impacto potencial nos lucros corporativos.

Além dos mercados financeiros, empresas de diversos setores estão se preparando para possíveis interrupções.

Muitos dependem de materiais e componentes importados, e tarifas mais altas podem forçá-los a aumentar os preços ou absorver os custos adicionais.

O sentimento do consumidor também foi afetado, com pesquisas indicando crescente ansiedade em relação à inflação e à segurança do emprego em setores manufatureiros importantes.

Custo global da guerra tarifária de 2025 pode chegar a US$ 1,4 trilhão, aponta relatório

Uma nova análise da Aston Business School pinta um quadro sombrio das potenciais consequências da estratégia tarifária de Trump.

O relatório examina múltiplos cenários, desde a imposição inicial de tarifas pelos EUA até uma retaliação global em larga escala.

O pior cenário — em que os países respondem com tarifas recíprocas — poderia levar a uma perda de bem-estar global de US$ 1,4 trilhão, segundo o estudo.

O relatório também destaca os riscos de longo prazo da escalada tarifária, incluindo a redução da competitividade global, a fragmentação das cadeias de suprimentos e uma desaceleração geral do comércio.

Economistas apontam a guerra comercial EUA-China de 2018 como um exemplo de advertência, observando que ela levou a interrupções significativas sem alcançar o reequilíbrio econômico desejado.

Goldman Sachs eleva probabilidade de recessão para 35% em meio a preocupações com a guerra comercial

O aumento das tensões comerciais levou o Goldman Sachs a elevar sua probabilidade de recessão nos EUA nos próximos 12 meses para 35%, acima da estimativa anterior de 20%.

Além do aumento do risco de recessão, o Goldman reduziu sua previsão de crescimento do PIB para 2025 para apenas 1% e elevou sua projeção para a taxa de desemprego no final do ano em 0,3 ponto percentual, para 4,5%.

As expectativas de inflação também foram revisadas para cima, refletindo a crescente incerteza econômica.

Embora o banco ainda espere que a economia dos EUA evite uma recessão completa, outros analistas consideram a probabilidade de uma recessão próxima a 50%.

Isso representa a maior probabilidade de recessão para o Goldman Sachs desde a crise bancária regional de dois anos atrás, sendo o principal fator agora o choque econômico da intensificação da guerra comercial de Trump.

Economistas do Goldman Sachs apontaram para uma “forte deterioração recente na confiança das famílias e das empresas” e declarações de funcionários da Casa Branca sugerindo uma disposição em aceitar dificuldades econômicas de curto prazo em prol de objetivos mais amplos de política comercial.

A confiança do consumidor sofreu um golpe significativo nos últimos meses.

A mais recente pesquisa de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan, divulgada na sexta-feira, mostrou um número recorde de americanos esperando que o desemprego aumente, um nível não visto desde a Grande Recessão.

As expectativas de inflação também dispararam para o nível mais alto em 32 anos, aumentando as preocupações com as perspectivas econômicas.