Desigualdade de riqueza nos EUA atinge novo recorde, com os 10% mais ricos agora detendo 71,2% da riqueza nacional.

Desigualdade de riqueza nos EUA atinge novo recorde, com os 10% mais ricos agora detendo 71,2% da riqueza nacional.
Noris Soto
04 de abr. de 2025, 12:52 PM
  • Especialistas alertam que as tendências atuais podem aprisionar milhões de americanos da classe trabalhadora em um ciclo de pobreza.
  • Propostas republicanas recentes podem aprofundar as desigualdades ao cortar serviços sociais e, ao mesmo tempo, estender os cortes de impostos.
  • Na UE, os 10% mais ricos detêm 59,3% da riqueza, indicando menor desigualdade do que nos EUA.

Os Estados Unidos enfrentam uma crescente desigualdade econômica, com a riqueza se concentrando cada vez mais nas mãos de uma pequena elite.

De acordo com o Banco de Dados Mundial de Desigualdade, os 10% mais ricos dos americanos agora controlam impressionantes 71,2% da riqueza total do país — um dos níveis mais altos de desigualdade de riqueza observados globalmente.

Essa crescente disparidade reacendeu o debate sobre as políticas tributárias e os gastos sociais do país, especialmente à luz das recentes propostas orçamentárias republicanas que favorecem fortemente os ricos.

A desigualdade de riqueza há muito preocupa os EUA, mas especialistas alertam que as tendências atuais podem aprisionar milhões de americanos da classe trabalhadora em um ciclo de pobreza.

Enquanto o Senado e a Câmara, liderados pelos republicanos, trabalham para conciliar seus planos orçamentários, economistas e defensores de políticas estão soando o alarme sobre disposições que cortam o financiamento de serviços sociais críticos, ao mesmo tempo em que oferecem bilhões em cortes de impostos aos indivíduos e corporações mais ricos.

A natureza mutável das coisas e a crescente lacuna

A Dra. Sarah Thompson, economista especializada em trabalho e distribuição de riqueza, criticou os cortes propostos, afirmando:

“O orçamento elimina importantes redes de segurança para americanos de baixa renda, ao mesmo tempo em que oferece US$ 10 bilhões em novos incentivos fiscais aos mais ricos. Essa abordagem apenas agravará a desigualdade de riqueza e corroerá a mobilidade econômica.”

De acordo com dados compilados pela Statista, a mais recente proposta orçamentária republicana busca estender as disposições da Lei de Cortes de Impostos e Empregos de 2017.

Se aprovadas, as prorrogações resultariam em US$ 3,6 trilhões em cortes de impostos até 2034.

Desse total, US$ 1,8 trilhão seriam destinados diretamente a indivíduos com renda anual superior a US$ 400.000, enquanto US$ 900 bilhões seriam alocados a empresas na forma de alívio tributário.

Essas isenções fiscais seriam compensadas por cortes drásticos nos gastos sociais.

O Medicaid pode sofrer cortes de até US$ 880 bilhões, o Programa de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP) pode ter reduções de US$ 230 bilhões, e os subsídios federais para empréstimos estudantis podem ser reduzidos em US$ 330 bilhões.

O analista de políticas John Kelly destacou o custo humano desses números, dizendo:

“Essas não são apenas rubricas orçamentárias — elas representam saúde, alimentação e educação para milhões de americanos.”

De uma perspectiva global, os EUA permanecem uma das nações desenvolvidas mais desiguais.

Em contraste, os 10% mais ricos da União Europeia detêm 59,3% da riqueza.

A Hungria ocupa o primeiro lugar na UE com 67,1%, enquanto os Países Baixos ostentam a distribuição de riqueza mais equitativa, com 45,4%.

Fora da UE, países como a Islândia e a Macedônia do Norte também se saem melhor, com as parcelas de riqueza dos 10% mais ricos girando em torno de 56,5–56,7%.

A América do Norte como um todo agora reflete níveis de desigualdade semelhantes aos encontrados na África Subsaariana e em partes da Ásia.

A Dra. Emily Rojas, economista sociopolítica, alerta: “Disparidades tão extremas correm o risco de minar a coesão social e a estabilidade econômica, especialmente se não forem abordadas.”

Com as negociações orçamentárias em andamento, a crescente concentração de riqueza na América acendeu pedidos por uma reforma tributária abrangente e justiça econômica.

A dura realidade — de que os 10% mais ricos agora controlam mais de 70% da riqueza nacional — exige atenção política urgente.

Se essa tendência pode ser revertida permanece uma questão central na luta por um futuro econômico mais justo.