Crescimento da zona do euro em risco: tarifas de Donald Trump podem reduzir 1%, alerta funcionário do BCE

Crescimento da zona do euro em risco: tarifas de Donald Trump podem reduzir 1%, alerta funcionário do BCE
Deepali Singh
07 de abr. de 2025, 03:05 AM
  • As tarifas de Trump poderiam desacelerar o crescimento da zona do euro em 0,5 a 1 ponto percentual.
  • A UE está considerando contramedidas sobre US$ 28 bilhões em importações dos EUA.
  • O BCE estimou que uma tarifa de 25% dos EUA reduziria o crescimento da zona euro.

As agressivas medidas tarifárias do presidente Donald Trump podem prejudicar significativamente o crescimento econômico na zona do euro, potencialmente reduzindo-o entre 0,5 e 1 ponto percentual, de acordo com Yannis Stournaras, governador do banco central grego. Stournaras compartilhou suas preocupações em uma entrevista ao Financial Times publicada na segunda-feira.

Seus comentários surgem enquanto os países da União Europeia consideram aprovar nos próximos dias um primeiro conjunto de contramedidas direcionadas a até US$ 28 bilhões em importações americanas — de fio dental a diamantes —, em resposta às crescentes tensões comerciais.

O bloco de 27 nações enfrenta tarifas de importação de 25% sobre aço, alumínio e automóveis, além das tarifas "recíprocas" de 20% anunciadas por Trump a partir de quarta-feira para quase todos os outros bens, criando um ambiente comercial complexo e desafiador.

Em entrevista ao Financial Times, Stournaras alertou que o crescente risco de uma guerra comercial global poderia desencadear um grande "choque negativo de demanda" na zona do euro, potencialmente pesando fortemente sobre as perspectivas de crescimento econômico da Europa.

"Um impacto adverso notável no crescimento poderia levar a uma atividade muito mais fraca do que o esperado, arrastando a inflação para abaixo das nossas metas", disse ele ao FT, sublinhando o potencial para uma significativa recessão económica.

O Banco Central Europeu (BCE) estimou anteriormente que uma tarifa americana generalizada de 25% sobre as importações europeias reduziria o crescimento da zona euro em 0,3 pontos percentuais no primeiro ano.

Se a UE implementasse tarifas retaliatórias contra os EUA, esse impacto aumentaria para meio ponto percentual, destacando o potencial de um ferimento autoinfligido.

Stournaras enfatizou que as tarifas são fundamentalmente deflacionárias, com algumas das medidas dos EUA sendo "piores do que o esperado", criando um grau "sem precedentes" de "incerteza na política global", de acordo com a reportagem do Financial Times.

Em 2 de abril, Trump anunciou uma tarifa básica de 10% sobre todas as importações para os EUA, juntamente com taxas mais altas sobre dezenas de outros países. Essas tarifas parecem atingir aproximadamente 60 países, interrompendo significativamente os fluxos comerciais globais.

As importações de bens dos EUA para a UE totalizaram 334 bilhões de euros (US$ 365,6 bilhões) em 2024, enquanto as exportações da UE para os Estados Unidos atingiram 532 bilhões de euros, destacando o significativo desequilíbrio comercial entre as duas potências econômicas.