CEO da Antofagasta alerta que guerra comercial ameaça demanda por cobre, mas vê crescimento tecnológico como tábua de salvação

CEO da Antofagasta alerta que guerra comercial ameaça demanda por cobre, mas vê crescimento tecnológico como tábua de salvação
Noris Soto
08 de abr. de 2025, 14:37 PM
  • Tensões comerciais podem reduzir a demanda por cobre, alerta o CEO da Antofagasta, Ivan Arriagada.
  • O CEO vê os avanços tecnológicos como um amortecedor contra as perdas de consumo tradicionais.
  • Os preços do cobre caíram abaixo de US$ 4,20 por libra na quarta-feira, à medida que os temores de que o metal fosse alvo diminuíram.

A escalada da guerra comercial entre EUA e China está gerando preocupação em diversos setores globais, e o cobre não é exceção.

Ivan Arriagada, CEO da Antofagasta do Chile, alertou recentemente que o aumento das tarifas poderia ter um impacto negativo a longo prazo na demanda por cobre, representando riscos para a indústria da construção e para a transição em curso para uma economia verde.

Em discurso na conferência de cobre da CESCO em Santiago, Arriagada destacou que as tarifas recém-anunciadas pelo presidente Donald Trump estão gerando maior incerteza nos mercados financeiros.

Essa incerteza já causou uma forte queda nos preços do cobre, com os contratos futuros caindo abaixo de US$ 4,20 por libra, o menor valor em quatro meses, segundo o Trading Economics.

Apesar desses desafios, Arriagada expressou um otimismo cauteloso sobre o lado da oferta do mercado de cobre.

"O cobre é uma verdadeira commodity, então a oferta limitada deve mantê-lo em alta", disse ele, enfatizando que, embora a demanda possa diminuir devido à fraqueza econômica, as restrições de oferta podem fornecer uma proteção de preço crucial.

Demanda por cobre: Tecnologia e energia verde oferecem esperança

Arriagada também apontou as tendências tecnológicas emergentes como um potencial amortecedor contra a queda do consumo de cobre.

Em entrevista à Reuters, ele observou que o crescimento dos data centers, dos projetos de energia renovável e dos sistemas de inteligência artificial está gerando novas vias de demanda por cobre, compensando possíveis declínios em setores tradicionais como construção e manufatura.

“A IA e os avanços tecnológicos criam novas demandas por cobre que poderiam compensar quaisquer déficits em mercados mais convencionais”, disse ele.

Arriagada acredita que, à medida que as empresas em todo o mundo migram para tecnologias mais verdes e infraestruturas digitais mais complexas, o uso de cobre não apenas se estabilizará, mas poderá até mesmo crescer substancialmente.

Chile se posiciona para resistir à tempestade tarifária

Curiosamente, Arriagada sugeriu que as políticas comerciais agressivas da administração Trump poderiam inadvertidamente fomentar um clima de investimento favorável para a mineração de cobre. O Chile, o maior produtor mundial de cobre, permanece em grande parte imune a possíveis tarifas americanas sobre importações de cobre.

“Os EUA precisam do nosso cobre”, enfatizou Arriagada, apontando que a América importa mais da metade de seu suprimento de cobre e mantém um déficit comercial com o Chile. Essa dependência econômica poderia ajudar a proteger minas chilenas como a Antofagasta dos piores efeitos das tensões comerciais globais.

Diante dessa dinâmica, Arriagada vê um forte potencial de crescimento e estabilidade operacional para a Antofagasta, mesmo com os mercados globais enfrentando turbulências.

À medida que o mundo adota cada vez mais veículos elétricos, energias renováveis e transformação digital, a perspectiva para o cobre — e o papel de liderança do Chile em seu fornecimento — continua sendo crucial de acompanhar.