Dívida pública do Brasil sobe para 76,2% do PIB com o aumento do peso dos juros

Dívida pública do Brasil sobe para 76,2% do PIB com o aumento do peso dos juros
Noris Soto
08 de abr. de 2025, 13:02 PM
  • A dívida bruta do setor público brasileiro aumentou em fevereiro.
  • O país enfrenta encargos de juros significativos.
  • Um déficit primário de 18,973 bilhões de reais em fevereiro sugere alguma melhora fiscal.

A dívida bruta do setor público brasileiro subiu acentuadamente para 76,2% do PIB em fevereiro, ante 75,7% em janeiro, segundo dados divulgados pelo Banco Central na terça-feira.

O aumento destaca os crescentes desafios do país na gestão de sua dívida em meio a altas taxas de juros e inflação persistente.

Dívida crescente e aumento das despesas com juros

O aumento da dívida pública bruta do Brasil reflete o pesado fardo dos pagamentos de juros.

Um fator chave para o aumento foi o crescente custo do serviço da dívida, exacerbado pelas agressivas políticas de aperto monetário do país.

Desde setembro de 2022, o Banco Central do Brasil elevou as taxas de juros em 375 pontos-base, levando a taxa Selic, referência do mercado, a 14,25%.

Os aumentos acentuados visam controlar a inflação, que tem consistentemente superado a meta oficial de 3%.

Ao aplicar a metodologia do Fundo Monetário Internacional (FMI) — que considera todos os títulos do governo detidos pelo banco central —, a relação dívida/PIB do Brasil é ainda maior, atingindo 88,7%, em comparação com os 87,1% registrados anteriormente.

A diferença surge porque o FMI inclui títulos detidos pelo banco central, enquanto o cálculo oficial do Brasil considera principalmente os títulos vendidos ao mercado por meio de acordos de recompra (repos).

Reduzindo o déficit primário

Apesar do aumento da dívida, o déficit fiscal primário do Brasil diminuiu em fevereiro.

O país registrou um déficit primário de 18,973 bilhões de reais (US$ 3,23 bilhões), um valor muito menor do que os 31,5 bilhões de reais esperados pelos analistas consultados pela Reuters.

O saldo primário, indicador crucial da saúde fiscal que exclui os pagamentos de juros, melhorou em parte devido a um superávit de 9,244 bilhões de reais dos governos regionais e a um superávit de 299 milhões de reais das empresas estatais.

Ainda assim, o governo central registrou um déficit primário significativo de 28,517 bilhões de reais em fevereiro.

Nos últimos 12 meses, o déficit primário do governo central ficou em 14,194 bilhões de reais, ou cerca de 0,12% do PIB.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabeleceu a meta ambiciosa de alcançar um déficit primário de 0% neste ano fiscal, com uma margem de tolerância de até 0,25% do PIB.