Mercados asiáticos disparam com pausa de Trump nas tarifas, mas China continua sendo alvo

Mercados asiáticos disparam com pausa de Trump nas tarifas, mas China continua sendo alvo
Deepali Singh
10 de abr. de 2025, 00:10 AM
  • Mercados asiáticos se recuperam após Trump anunciar pausa de 90 dias nas tarifas.
  • A China está excluída da pausa, enfrentando tarifas mais altas.
  • Analistas do Morgan Stanley estão otimistas em relação às ações japonesas.

Os mercados asiáticos experimentaram uma alta dramática na quinta-feira, recuperando-se fortemente após o presidente Donald Trump anunciar uma pausa de 90 dias nas tarifas para muitos países, oferecendo um alívio temporário de semanas de volatilidade induzida pelo comércio.

No entanto, essa onda de otimismo foi atenuada pelo fato de a China permanecer excluída da pausa tarifária, com sua taxa de tarifa sendo, em vez disso, aumentada para impressionantes 125%, destacando as tensões contínuas entre as duas maiores economias do mundo.

O índice Nikkei 225, referência do Japão, liderou a alta, disparando 8%, enquanto o índice Kospi da Coreia do Sul saltou mais de 5%, e o ASX 200 da Austrália também subiu 5% nas primeiras horas de negociação, refletindo uma onda de alívio generalizada na região.

A média das ações Nikkei do Japão disparou na quinta-feira, com os investidores correndo para recomprar ações desvalorizadas em resposta ao anúncio de Trump.

Às 01h47 GMT, o Nikkei registrava uma alta notável de 7,9%, atingindo 34.226,17 pontos, enquanto o Topix, mais amplo, subia 7,2%, para 2.518,26 pontos.

"Os investidores recompraram ações hoje, desejando não tê-las vendido na sessão anterior", observou Seiichi Suzuki, analista-chefe do mercado de ações do Tokai Tokyo Intelligence Laboratory, capturando o sentimento de muitos participantes do mercado.

"Mas a recuperação também significa que o mercado estava muito pessimista sobre o impacto das tarifas de Trump", acrescentou Suzuki, sugerindo que a reação negativa inicial pode ter sido exagerada.

Esta semana foi marcada por extrema volatilidade para o Nikkei, com o índice fechando 6% mais alto na terça-feira após uma queda brutal de 7,8% na segunda-feira que o levou a uma baixa de 1 ano e meio, sublinhando a sensibilidade do mercado a notícias relacionadas ao comércio.

O índice fechou com queda de 4% na quarta-feira, destacando ainda mais as condições turbulentas.

Wall Street reage com força: uma reviravolta impressionante.

A alta de quinta-feira na Ásia seguiu-se a uma espetacular disparada noturna em Wall Street, com o S&P 500 subindo 9,5%, seu maior ganho diário desde 2008, sugerindo que o mercado global estava unido em seu alívio.

A Fast Retailing, proprietária da marca Uniqlo, subiu 7,2%, dando o maior impulso ao índice Nikkei.

As ações relacionadas a semicondutores também registraram ganhos significativos, com a Tokyo Electron e a Advantest avançando 11,77% e 13,66%, respectivamente, sublinhando a sensibilidade do setor aos desenvolvimentos comerciais.

Todos os 33 subíndices setoriais da Bolsa de Valores de Tóquio (TSE) subiram, com o setor de metais não ferrosos disparando 12,65% e se tornando o maior ganhador, refletindo uma recuperação generalizada do mercado.

O setor bancário, que havia sido duramente atingido pelas preocupações com uma desaceleração econômica, subiu 9,2%, destacando a vulnerabilidade do setor à incerteza econômica.

Otimismo em relação ao Japão: uma forte dinâmica subjacente

Analistas do Morgan Stanley observaram que a decisão de Trump é particularmente otimista para ações asiáticas, destacando o Japão como um dos principais beneficiários.

Eles acreditam que o Japão “tem uma forte dinâmica reflacionária subjacente, mas chegou mais perto de precificar tal recessão nas mínimas de segunda-feira”, sugerindo que o mercado havia subestimado significativamente a força econômica do Japão.

Todas as ações do Nikkei, exceto uma das 225, subiram, e impressionantes 99% das mais de 1.600 ações negociadas no mercado principal da TSE registraram ganhos.

Após o anúncio da pausa por Trump, o ministro das Relações Exteriores de Taiwan afirmou que isso deu espaço para conversas mais aprofundadas e que a nação insular espera aproveitar o “enorme” mercado americano para um comércio equilibrado, indicando um foco estratégico no fortalecimento dos laços econômicos com os EUA.

O ministro das Relações Exteriores de Taiwan, Lin Chia-lung, afirmou que o governo está comprometido em aumentar suas compras com os investimentos feitos nos Estados Unidos e reduzir seu superávit comercial com a América, considerada seu mais importante apoiador internacional.

“Agora que temos mais 90 dias, podemos discutir a cooperação econômica e comercial entre Taiwan e os EUA de forma mais detalhada e aprofundada. Esperamos aproveitar o enorme mercado americano, seu excelente capital tecnológico e talentos, para formar uma coalizão Taiwan-EUA, uma abordagem de frota conjunta”, disse o Ministro Lin.