Vietjet garante financiamento de US$ 300 milhões e mira expansão com a Boeing em meio à pressão tarifária.

Vietjet garante financiamento de US$ 300 milhões e mira expansão com a Boeing em meio à pressão tarifária.
Deepali Singh
10 de abr. de 2025, 01:30 AM
  • Vietjet assina acordo de financiamento de US$ 300 milhões com a AV AirFinance.
  • O acordo foi fechado durante uma visita aos EUA do vice-primeiro-ministro do Vietnã.
  • A Vietjet espera receber os primeiros jatos Boeing 737 MAX este ano.

A companhia aérea de baixo custo vietnamita Vietjet anunciou na quinta-feira que finalizou um acordo de financiamento de US$ 300 milhões com a AV AirFinance, parceira do fundo de investimento KKR, para apoiar a expansão de sua frota de aeronaves.

Este anúncio confirma uma reportagem da Reuters da semana passada, que detalhou o acordo de financiamento entre a Vietjet e a AV AirFinance durante uma visita aos EUA do vice-primeiro-ministro Ho Duc Phoc.

A visita de Phoc teve como objetivo negociar um acordo tarifário recíproco em meio a crescentes tensões comerciais.

O relatório inicial estimou o valor do negócio em US$ 200 milhões.

O acordo da Vietjet com a AV AirFinance é o mais recente de uma série de acordos de financiamento no valor total de US$ 4 bilhões que foram garantidos com parceiros americanos, disse a companhia aérea em comunicado, sublinhando seus crescentes laços com empresas americanas.

Boeing 737 MAX no horizonte, entregas esperadas para este ano

A Vietjet também se comprometeu a comprar 200 jatos Boeing 737 MAX em um acordo inicialmente assinado em 2016 e posteriormente revisado durante a visita de Trump ao Vietnã em 2019, marcando um investimento significativo em seu crescimento futuro.

No entanto, nenhum jato foi entregue ainda.

A companhia aérea afirmou que espera receber as primeiras entregas dessas aeronaves este ano e está atualmente em negociações para potencialmente expandir o pedido, sinalizando sua confiança nas aeronaves da Boeing.

A Reuters noticiou na sexta-feira passada que a companhia aérea também estava considerando a compra de 20 jatos Boeing 787 de grande porte, expandindo ainda mais sua frota e reforçando suas capacidades de longo alcance.

Em janeiro, a Vietjet declarou ter acordos no valor de quase US$ 50 bilhões com importantes corporações americanas, incluindo a Boeing, e estar em negociações para acordos adicionais no valor de aproximadamente US$ 14 bilhões, sublinhando seus profundos laços econômicos com a economia dos EUA.

Também foi dito que a Boeing entregará este ano as primeiras 14 das 200 aeronaves que a VietJet já encomendou.

Por trás dos acordos: tensões comerciais e negociações tarifárias

A VietJet, a KKR, seu parceiro e o Ministério das Relações Exteriores do Vietnã não responderam aos pedidos de comentários sobre o acordo de financiamento, que permanece ambíguo.

A Boeing remeteu os comentários à VietJet, demonstrando concordância na comunicação com a mídia, conforme a Reuters.

Duas fontes da indústria disseram à publicação que a VietJet e a companhia aérea nacional Vietnam Airlines (HVN.HM) estavam em negociações para comprar mais jatos de passageiros, sem dar detalhes sobre o possível vendedor.

A Vietnam Airlines também não respondeu aos pedidos de comentários, demonstrando a natureza discreta das conversas em torno dessa compra.

Diversos funcionários vietnamitas e americanos sugeriram que a compra de aviões por empresas vietnamitas poderia ser uma medida estratégica para resolver as preocupações comerciais levantadas pela administração Trump.

O Vietnã expressou publicamente suas preocupações sobre as tarifas de 46% impostas pelos EUA sobre produtos fabricados no Vietnã, com entrada em vigor prevista para 9 de abril, a menos que o país consiga uma suspensão de Washington.

O vice-primeiro-ministro Phoc viajará aos EUA a partir de 6 de abril, segundo o portal do governo, que não anunciou nenhuma reunião com autoridades americanas, apesar de muitos esperarem que ele pudesse trazer uma solução para as relações EUA-Vietnã.

Nas últimas semanas, Hanói anunciou várias concessões para evitar tarifas americanas, incluindo a redução de impostos de importação e o compromisso de comprar mais produtos americanos, tudo sinalizando o desejo da nação de evitar tensões comerciais com os EUA.