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JD.com e Freshippo intensificam apoio a exportadores chineses em dificuldades para acessar o mercado interno em meio à guerra tarifária EUA-China

JD.com e Freshippo intensificam apoio a exportadores chineses em dificuldades para acessar o mercado interno em meio à guerra tarifária EUA-China
Vatsala Gaur
11 de abr. de 2025, 10:15 AM
  • JD.com lança fundo de 200 bilhões de yuans para apoiar exportadores chineses que visam consumidores domésticos.
  • A China eleva as tarifas sobre as importações dos EUA para 125%, aumentando as tensões comerciais.
  • Exportadores enfrentam desafios na transição para o mercado interno em meio à fraca demanda do consumidor.

Empresas chinesas de comércio eletrônico estão se mobilizando para ajudar os exportadores do país a explorar o mercado interno, à medida que a guerra comercial entre EUA e China se intensifica, com ambos os países impondo tarifas vertiginosamente altas sobre as importações um do outro.

A gigante chinesa do comércio eletrônico JD.com anunciou na sexta-feira que criará um fundo de 200 bilhões de yuans (US$ 27,35 bilhões) para ajudar os exportadores nacionais a se voltarem para os mercados locais, já que o conflito está pesando fortemente sobre os fabricantes chineses.

Pequim retaliou contra os mais recentes aumentos de tarifas de Washington elevando suas próprias taxas sobre importações americanas para 125% na sexta-feira.

Essa escalada ocorreu após a decisão do presidente Donald Trump de aumentar as tarifas sobre produtos chineses para 145%, a maior taxa efetiva até o momento.

A JD.com disse que planeja enviar funcionários diretamente para empresas chinesas de comércio exterior para obter seus produtos de alta qualidade.

A empresa também criará uma seção dedicada em sua plataforma para exibir esses produtos, prometendo direcionar tráfego e recursos de marketing para aumentar sua visibilidade entre os consumidores locais.

Freshippo, do Alibaba, terá uma zona especial em sua plataforma para exportadores.

Em uma iniciativa paralela, a rede de supermercados da Alibaba, Freshippo, conhecida localmente como Hema, anunciou medidas semelhantes para apoiar os exportadores chineses apanhados no fogo cruzado da guerra comercial.

O varejista disse que criaria uma zona especializada em sua plataforma exclusivamente para produtos de empresas focadas na exportação.

A Freshippo também se comprometeu a simplificar o processo de registro para essas empresas e a conceder-lhes acesso à sua infraestrutura de armazéns, com o objetivo de acelerar sua entrada no mercado doméstico.

Embora esses programas possam ajudar a compensar algumas perdas decorrentes da diminuição da demanda externa, analistas alertam que os exportadores enfrentarão forte concorrência em uma economia que está perdendo impulso.

A demanda interna luta para absorver a oferta excedente.

Os esforços da China para redirecionar seu motor de exportação para os consumidores domésticos são prejudicados pelos gastos persistentemente fracos no mercado interno.

Dados divulgados na quinta-feira mostraram mais uma queda na inflação de preços ao consumidor, ressaltando os desafios que Pequim enfrenta para estimular a demanda.

“O mercado interno chinês não consegue absorver a oferta existente, muito menos quantidades adicionais”, alertou Derek Scissors, pesquisador sênior do American Enterprise Institute.

Ele sugeriu que Pequim poderia recorrer a táticas familiares, como oferecer concessões aos EUA, descarregar mercadorias excedentes para outros países, subsidiar empresas em dificuldades ou permitir que negócios ineficientes falissem.

Para complicar ainda mais a situação, o Goldman Sachs reduziu na quinta-feira sua previsão de crescimento do PIB da China para 4%, citando as pressões gêmeas dos ventos contrários da economia global e da crescente disputa comercial com os Estados Unidos.

Embora as exportações para os EUA representem aproximadamente 3% do PIB da China, analistas do Goldman Sachs estimam que de 10 a 20 milhões de empregos chineses estão ligados a essas exportações, aumentando a importância do assunto para Pequim.

Pequim busca aprofundar laços com parceiros não americanos para expandir o mercado.

O Ministério do Comércio da China confirmou esta semana que convocou as principais associações empresariais para explorar medidas destinadas a impulsionar o consumo interno.

Enquanto isso, espera-se que os formuladores de políticas implementem novos incentivos em poucos dias, incluindo subsídios ampliados no âmbito de um programa de troca de eletrodomésticos já existente.

No cenário internacional, as empresas chinesas estão cada vez mais direcionando seu foco para outros mercados.

Empresas têxteis, por exemplo, estão transferindo a produção para o Sudeste Asiático e outros lugares.

“Este ano, estamos desenvolvendo clientes no Sudeste Asiático, América Latina, Oriente Médio e Europa para reduzir nossa dependência do mercado americano”, disse Zhao, da Green Willow Textile, em uma reportagem da CNBC.

O presidente chinês Xi Jinping tem agendada uma visita ao Vietnã, Malásia e Camboja na próxima semana, em uma tentativa de aprofundar os laços econômicos regionais.

O comércio com o Sudeste Asiático disparou desde 2019, tornando-se o maior parceiro comercial da China, seguido pela União Europeia e pelos EUA, de acordo com dados alfandegários chineses.