Peso e títulos oscilam com anúncio de acordo de empréstimo de US$ 20 bilhões do FMI pela Argentina

Peso e títulos oscilam com anúncio de acordo de empréstimo de US$ 20 bilhões do FMI pela Argentina
Noris Soto
14 de abr. de 2025, 11:39 AM
  • Os títulos internacionais da Argentina subiram mais de 4 centavos após o anúncio do empréstimo de US$ 20 bilhões do FMI.
  • Espera-se que o peso se deprecie, embora a demanda dos exportadores de grãos possa compensar as quedas.
  • Analistas do JP Morgan expressam otimismo quanto à estabilização do mercado e à recuperação econômica.

O mercado cambial e de títulos da Argentina reagiu fortemente após o anúncio de um novo acordo de financiamento com o Fundo Monetário Internacional (FMI), no valor de US$ 20 bilhões.

De acordo com a Reuters, o acordo, que envolveu a remoção de controles significativos sobre moeda e capital, reacendeu o otimismo dos investidores e levou a um salto no mercado de títulos.

Esse contexto acelerou parcialmente os esforços de estabilização econômica da Argentina, impulsionados pelo presidente Javier Milei.

Reação do mercado de títulos

Os títulos internacionais da Argentina tiveram uma forte alta após o anúncio do acordo com o FMI, com alguns vencimentos subindo até 4 centavos de dólar, informou a MarketAxess.

Esse aumento reflete uma forte confiança dos investidores na recuperação econômica do país. Enquanto isso, o ETF Global X MSCI Argentina (ARGT) ganhou 5,3% no pré-mercado.

Analistas afirmam que o apoio do FMI não apenas indica a crença internacional no processo de reforma econômica na Argentina, mas também atua como catalisador para oportunidades de investimento no país.

Controles cambiais e previsão de mercado

O peso argentino despencou aproximadamente 17% na manhã de segunda-feira, depois que o banco central abandonou seu regime de "câmbio controlado" e adotou uma faixa de negociação muito mais ampla, de 1.000 a 1.400 pesos por dólar.

A moeda, que fechou na sexta-feira a 1.074 por dólar, já estava sendo negociada em níveis significativamente mais fracos em mercados paralelos não oficiais, onde as taxas giravam em torno de 1.350 por dólar, em meio a controles de capital rigorosos impostos desde 2019.

A forte depreciação era amplamente esperada pelos operadores após a mudança de política, enquanto as autoridades tentam unificar o mercado cambial fragmentado da Argentina e gerenciar as reservas em queda.

De acordo com analistas do JP Morgan, essa possível queda do peso poderia ser mitigada pela maior demanda de exportadores de grãos que buscam liquidar seus lucros em moeda estrangeira com a nova taxa de câmbio mais favorável.

"Na nossa opinião, a taxa de câmbio oficial provavelmente se estabilizará abaixo do nível da taxa de câmbio paralela a partir de sexta-feira, com a oferta de câmbio relacionada à agricultura se recuperando. A diferença cambial provavelmente diminuirá para cerca de 5%", disse o banco de investimentos.

O Goldman Sachs prevê uma boa reação do mercado às recentes medidas políticas, acrescentando que a transição para uma taxa de câmbio flutuante superou suas estimativas e espera-se que impulsione o programa de ajuste macroeconômico atualmente em curso.

A ênfase em alcançar um orçamento com "déficit zero" também será fundamental para preservar a estabilidade e aumentar as reservas cambiais da Argentina.

Impacto nas reservas cambiais

O acordo com o FMI permite a liberação imediata de US$ 12 bilhões, com mais US$ 3 bilhões previstos para o final deste ano.

Essa injeção de dinheiro chega em um momento crítico para a Argentina, que enfrenta uma grave crise econômica agravada pelo aumento das taxas de inflação e pela queda do valor da moeda.

Quando o presidente Milei assumiu o cargo no final de 2023, a dedicação do governo à austeridade e à disciplina fiscal acelerou, preparando o terreno para reformas estruturais significativas.

A resolução das dificuldades econômicas de longo prazo exigirá esforços coordenados em setores importantes, incluindo energia e agricultura.

A Argentina é um importante produtor de commodities agrícolas; portanto, atrair novos investimentos em exportações de grãos será vital para a saúde financeira do país.