A crise do cacau acabou? Colheitas da África Ocidental sinalizam alívio para 2025

A crise do cacau acabou? Colheitas da África Ocidental sinalizam alívio para 2025
Noris Soto
20 de abr. de 2025, 06:51 AM
  • Os preços do cacau dispararam em 2023 depois que colheitas ruins na África Ocidental causaram grandes problemas de oferta.
  • Espera-se um excedente para 2024/2025, aliviando a pressão sobre produtores e fabricantes de chocolate.
  • A Europa importa 60% do cacau mundial, o que a torna altamente dependente da África Ocidental.

Uma queda dramática na produção de cacau devido ao mau tempo e a doenças na África Ocidental fez os preços dispararem, pressionando os fabricantes de chocolate europeus e aumentando os preços para os consumidores em todo o mundo.

Apesar desse cenário, um relatório da Statista mostra que, após três anos de déficits, a situação pode finalmente estar mudando.

No final de fevereiro, a Organização Internacional do Cacau (ICCO) previu um provável excedente para a safra 2024/2025.

Isso pode sinalizar uma mudança significativa no mercado global de cacau, reduzindo a pressão tanto sobre os agricultores quanto sobre os compradores.

Por que os preços do cacau dispararam?

A safra de cacau de 2023/2024 sofreu um duplo golpe. Primeiro, uma estação chuvosa particularmente intensa afetou as colheitas em importantes regiões da África Ocidental.

Então, uma doença viral chamada vírus do broto inchado devastou as plantações.

A Costa do Marfim e o Gana, os dois maiores produtores mundiais de cacau, foram particularmente afetados.

Esses dois países produzem aproximadamente metade do cacau do mundo.

Como resultado, os preços do cacau atingiram máximas de vários anos, desestabilizando a cadeia de suprimentos de chocolate em todo o mundo.

As empresas europeias, que importam e processam a maior parte do cacau mundial, foram as mais afetadas pelas consequências. Os consumidores também observaram aumentos de preços nas prateleiras dos supermercados.

África Ocidental: o coração do fornecimento global

A África produz hoje a grande maioria do cacau mundial.

Apenas quatro países da África Ocidental respondem por cerca de 65% da produção mundial de cacau: Costa do Marfim (38%), Gana (12%), Nigéria (7%) e Camarões (7%).

Mais de 70% da produção mundial de cacau concentra-se no continente, com a África Ocidental no centro.

A África produziu mais de 3,1 milhões de toneladas métricas de cacau na safra 2023/2024.

A Costa do Marfim sozinha forneceu mais de 1,8 milhão de toneladas, consolidando seu status como a maior produtora mundial de cacau de longe.

O papel crucial da região na economia global do cacau a torna uma zona de alto risco e alto impacto. Quando as colheitas falham aqui, o mundo inteiro sente.

A América do Sul, por outro lado, é uma fonte secundária de cacau. O Equador produz 10% do total mundial, enquanto o Brasil contribui com aproximadamente 4%.

Esses números, embora significativos, são insuficientes para compensar as escassezes na África Ocidental em anos de colheita ruim.

Onde feijões se transformam em bilhões.

Os grãos de cacau são normalmente processados perto de sua origem ou em grandes centros de importação após a colheita. Os Países Baixos e a Costa do Marfim são os principais processadores de cacau do mundo.

Em 2022/23, a Costa do Marfim processou mais de 793.000 toneladas, enquanto a Europa como um todo processou quase 1,4 milhão de toneladas em 2023.

A Mars Wrigley Confectionery foi a líder global de mercado em termos de vendas líquidas, com US$ 22 bilhões.

O Grupo Ferrero e a Mondelēz geraram mais de US$ 10 bilhões, demonstrando a magnitude e a competitividade do setor de chocolates.

Qual o futuro da produção mundial de cacau?

A nova estimativa da ICCO de um excedente para a safra 2024/2025 inspira um otimismo cauteloso.

Se a colheita correr como planejado, a oferta global poderá se estabilizar e os preços poderão começar a se recuperar para níveis normais.

Esta seria uma notícia bem-vinda para os fabricantes de chocolate europeus após um ano de custos imprevisíveis e turbulência na cadeia de suprimentos.

No entanto, especialistas alertam que o mercado de cacau permanece fraco. As mudanças climáticas, as doenças e as interrupções na cadeia de suprimentos continuam a comprometer a estabilidade.

Diversificar as fontes de abastecimento e investir em práticas agrícolas mais sustentáveis pode ser crucial para proteger o setor contra choques futuros.