A Voepass do Brasil busca proteção contra falência em meio a disputa com a LATAM e problemas de segurança.

A Voepass do Brasil busca proteção contra falência em meio a disputa com a LATAM e problemas de segurança.
Noris Soto
23 de abr. de 2025, 14:54 PM
  • A Voepass entrou com pedido de proteção contra falência, alegando dívidas superiores a US$ 36 milhões e pressões financeiras.
  • A companhia aérea acusa a LATAM de reter pagamentos e interferir em suas operações após o acidente de 2024.
  • Os reguladores brasileiros suspenderam todos os voos da Voepass em março devido a preocupações contínuas com segurança e manutenção.

A companhia aérea regional brasileira Voepass entrou com pedido de proteção contra falência, citando dificuldades financeiras e uma disputa não resolvida com a LATAM Airlines.

O documento, citado pela Reuters em uma reportagem, revela que a Voepass possui dívidas de 209,2 milhões de reais (aproximadamente US$ 36,78 milhões).

Isso representa uma mudança drástica para a companhia aérea regional, que vem enfrentando dificuldades desde o acidente de um de seus ATRs perto de São Paulo em agosto de 2024, que matou todos os 62 passageiros e tripulantes a bordo.

O acidente desencadeou um aumento da fiscalização regulatória e culminou na suspensão de suas operações pela ANAC, reguladora de aviação do Brasil, em março de 2025, citando preocupações com segurança e manutenção.

Em sua ação judicial, a Voepass alega que a LATAM Airlines, com quem mantinha um acordo de codeshare em vigor, teve um papel significativo em sua ruína financeira.

Alegações de interferência e pagamentos retidos

A companhia aérea alega que a LATAM violou obrigações contratuais e reteve pagamentos relacionados a quatro aeronaves ATR operadas sob um acordo de codeshare.

A Voepass também acusa a LATAM de exercer controle administrativo excessivo sobre suas operações. A disputa está atualmente em arbitragem.

"Apesar de essa disputa já ser objeto de arbitragem, o fato é que a LATAM sempre exerceu enorme interferência administrativa na gestão dos negócios da Voepass", disse a companhia aérea em sua petição.

A divergência diz respeito a quatro aeronaves ATR operadas pela Voepass no acordo de codeshare com a LATAM.

Após o acidente fatal, as operações aéreas abrangidas pelo contrato foram supostamente suspensas pela LATAM, e os pagamentos devidos à Voepass foram retidos.

Uma história conturbada ressurge.

A Voepass havia passado por um processo de falência de 2012 a 2017, após o qual se reestruturou e expandiu sua rede regional, incluindo uma parceria com a LATAM.

A Voepass reconstruiu sua rede regional e formou alianças estratégicas, incluindo um acordo de codeshare com o grupo LATAM.

O desastre de 2024 não apenas abalou a confiança pública, mas também levou a desafios regulatórios e operacionais.

Em março de 2025, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) do Brasil suspendeu todos os voos da Voepass, citando preocupações com segurança e manutenção.

A Voepass tem trabalhado para restabelecer a certificação e retomar as operações.

Em comunicado divulgado naquele mês, a companhia aérea afirmou que estava "comprometida em retomar as operações o mais rápido possível" e que trabalharia com as autoridades para resolver as questões de segurança.

Em 9 de agosto, o voo regional 2283 da Voepass, um ATR-72 que voava de Cascavel para São Paulo, caiu em Vinhedo.

Uma avaliação preliminar mostrou evidências de acúmulo de gelo na aeronave, mas nenhuma causa definitiva.

A ANAC vinha monitorando de perto a Voepass desde o acidente e afirmou que houve uma "quebra de confiança" nos sistemas internos da empresa, o que resultou na suspensão provisória.

"A decisão da ANAC decorre da incapacidade da Voepass em resolver irregularidades identificadas durante a fiscalização, bem como da violação de condições previamente estabelecidas para a continuidade das operações dentro dos padrões de segurança exigidos", disse a agência no mês passado.