A tensão comercial entre EUA e China é uma "grande oportunidade" para a América Latina.

A tensão comercial entre EUA e China é uma "grande oportunidade" para a América Latina.
Wajeeh Khan
28 de abr. de 2025, 08:43 AM
  • CEO do MercadoLibre afirma que tensões comerciais entre EUA e China podem beneficiar a América Latina.
  • Muitas empresas americanas já estão transferindo a produção da China para o México.
  • O preço das ações do MercadoLibre subiu mais de 20% nas últimas semanas.

As crescentes tensões comerciais entre os EUA e a China representam uma “grande oportunidade” para a América Latina, afirma Marcos Galperin, CEO da MercadoLibre Inc (NASDAQ: MELI).

Galperin é atualmente a pessoa mais rica da Argentina, com uma fortuna de cerca de US$ 8,7 bilhões.

Em entrevista à CNBC hoje, o bilionário disse: “Se a América Latina jogar bem suas cartas, acredito que poderá se beneficiar dessa volatilidade”.

Observe que as ações da MercadoLibre Inc. listadas nos EUA subiram mais de 20% nas últimas semanas.

As tensões comerciais entre EUA e China já estão ajudando as ações da MercadoLibre.

As ações americanas se recuperaram até 10% desde 8 de abril, após a Casa Branca concordar com uma pausa de 90 dias em quase todas as suas tarifas.

No entanto, o governo Trump continua a impor tarifas mais altas sobre produtos chineses, alegando retaliação contra suas novas políticas comerciais.

Pequim aumentou as tarifas sobre produtos americanos para 125% este mês, em uma demonstração de total desafio às tarifas de Trump.

O presidente Xi prometeu lutar até o fim contra essas tarifas americanas.

Em meio a toda essa turbulência, o homem mais rico da Argentina vê uma grande oportunidade para a América Latina.

A empresa de Galperin, MercadoLibre, frequentemente considerada a Amazon da América Latina, superou significativamente a AMZN desde o início de 2025.

A manufatura está cada vez mais chegando à América Latina.

Segundo Marcos Galperin, a mudança nas relações comerciais entre EUA e China pode levar a uma “mudança permanente” na dinâmica do comércio global.

Empresas americanas já estão transferindo suas operações de manufatura da China para países latino-americanos como o México, que se beneficia de um acordo de livre comércio com os Estados Unidos.

Essa mudança poderia posicionar a América Latina como uma região mais atraente para comércio e investimentos, acrescentou o CEO do MercadoLibre em entrevista à CNBC.

Vale também mencionar que houve discussões e interesse da liderança argentina, particularmente sob o presidente Javier Milei, em buscar laços comerciais mais estreitos com os EUA.

As ações da MELI valerão a pena em 2025?

O presidente argentino, Javier Milei, chamou o líder republicano, Donald Trump, de “aliado” em diversas ocasiões.

Após sua posse em 2025, ele até mesmo reduziu as tarifas sobre produtos americanos e minimizou as restrições à importação como parte de seu compromisso mais amplo de buscar laços comerciais mais estreitos com os Estados Unidos.

“Acho que o que Milei está fazendo é ótimo para a Argentina”, segundo Marcos Galperin, CEO da MercadoLibre Inc.

A narrativa também não passa despercebida pelos analistas de Wall Street, considerando que as empresas de investimento atualmente têm uma classificação de consenso de "compra" para as ações da empresa de comércio eletrônico e pagamentos sediada em Montevidéu, Uruguai.

Atualmente, os especialistas veem potencial de alta para as ações do MercadoLibre, com preço-alvo médio de US$ 2.549, o que indica um potencial de valorização superior a 10% em relação aos níveis atuais.