Eli Lilly se destaca em relação à Novo Nordisk enquanto mais concorrentes se apressam para entrar na disputa: a corrida por ouro dos medicamentos para obesidade está a todo vapor.
- Novo Nordisk substitui o CEO em meio à queda da participação de mercado e das ações.
- A Eli Lilly tem ganhado gradualmente participação de mercado em relação ao Wegovy da Novo, que está se esforçando para se recuperar.
- Roche, Amgen, Merck e AstraZeneca também se lançam no mercado da obesidade, atraídas pelo mercado lucrativo.
O mercado global de medicamentos para perda de peso, que outrora era dominado pela Novo Nordisk, está passando por uma transformação dramática.
Na sexta-feira, a gigante farmacêutica dinamarquesa anunciou que substituiria seu CEO de longa data, Lars Fruergaard Jorgensen, enquanto a empresa enfrenta pressão crescente de seus concorrentes e uma forte queda no valor de suas ações.
As ações da Novo caíram 50% no último ano, uma reviravolta surpreendente para a fabricante de Wegovy e Ozempic, dois dos nomes mais reconhecidos no tratamento da obesidade e do diabetes.
Os analistas preveem que o mercado de medicamentos para perda de peso se expandirá significativamente na próxima década, podendo atingir US$ 100 bilhões globalmente.
A demissão de Jorgensen sinaliza uma turbulência mais profunda no cerne do mercado em rápida evolução, onde os medicamentos GLP-1 — outrora vistos como tratamentos milagrosos — agora enfrentam uma concorrência mais acirrada e um escrutínio crescente por parte de seguradoras e formuladores de políticas.
A ascensão da Eli Lilly remodela a liderança do mercado.
O maior concorrente tem surgido na forma da Eli Lilly, sediada nos EUA, cuja injeção de GLP-1, Zepbound, tem ganhado gradualmente participação de mercado em relação ao Wegovy da Novo.
Os mais recentes dados clínicos da Lilly só reforçaram seu ímpeto.
Um ensaio clínico recente em estágio avançado mostrou que a orforgliprona, o comprimido experimental da empresa, ajudou pacientes com diabetes a perder quase 8% do peso corporal em 40 semanas, superando o desempenho do Ozempic em um grupo semelhante.
A Lilly também conta com a retatrutida, uma injeção semanal que proporcionou uma perda de peso de 24,2% em um ensaio clínico de fase intermediária, um dos resultados mais fortes do setor até agora.
A empresa espera solicitar a aprovação do orforglipron até o final do ano e continua investindo agressivamente, incluindo um acordo recente com a empresa de biotecnologia chinesa Laekna para desenvolver um medicamento para obesidade que preserve a massa muscular.
Novo corre para alcançar os medicamentos de próxima geração
Para recuperar o terreno perdido, a Novo Nordisk está apostando em novos tratamentos.
Está a desenvolver amycretina tanto em comprimido como em forma injetável.
Dados iniciais de testes sugerem um potencial significativo de perda de peso, com a versão injetável ajudando os pacientes a perder 22% do peso corporal em 36 semanas.
A empresa também está avançando com o CagriSema, embora os resultados dos testes em fase final tenham sido decepcionantes, ficando aquém dos padrões internos.
A Novo espera submeter o CagriSema para aprovação regulatória no início de 2026.
A empresa também expandiu seu portfólio de produtos por meio de parcerias, incluindo um acordo de licenciamento de US$ 2 bilhões com a United Laboratories para um medicamento contra obesidade que atua em três hormônios.
Fonte: The Economist
Roche e Amgen também se juntam à onda.
Lilly e Novo não estão mais sozinhas na corrida. Uma série de grandes empresas farmacêuticas e de biotecnologia estão invadindo o mercado de obesidade, atraídas pela oportunidade de mercado de bilhões de dólares.
A Pfizer desistiu recentemente devido a preocupações de segurança em um ensaio clínico envolvendo danuglipron, seu candidato oral GLP-1.
Mas outros estão seguindo em frente. A Roche fez grandes apostas, adquirindo a petrelintide da Zealand Pharma e a CT-388 da Carmot Therapeutics, ambas drogas baseadas em GLP-1, por um total de 8 bilhões de dólares.
Os dados iniciais sobre o segundo candidato da Carmot também parecem promissores.
O MariTide da Amgen, um medicamento experimental que resultou em uma perda de 20% do peso em um ensaio clínico de fase intermediária, está programado para iniciar estudos de fase final até meados do ano.
Analistas observam que os efeitos colaterais do medicamento podem ser mais pronunciados do que os dos concorrentes, mas sua eficácia o coloca entre os líderes.
Merck, AstraZeneca e empresas menores também buscam uma fatia do mercado.
Gigantes farmacêuticas, tradicionalmente ausentes dos tratamentos de obesidade, agora buscam uma fatia do mercado.
Em dezembro, a Merck fechou um acordo de licenciamento de 2 bilhões de dólares para um comprimido de GLP-1 desenvolvido pela Hansoh Pharma.
O candidato licenciado da AstraZeneca, AZD5004, superou as primeiras barreiras de segurança e está em testes de fase intermediária.
Empresas menores também estão mostrando potencial. A pemvidutide da Altimmune registrou uma perda média de peso de 15,6% em testes, embora com notáveis efeitos colaterais gastrointestinais.
A Viking Therapeutics relatou uma perda de peso de quase 15% em 13 semanas com seu medicamento injetável VK2735, e o petrelintide da Zealand Pharma registrou uma perda de peso média de 8,6% em um estudo preliminar.
Enquanto isso, a Structure Therapeutics obteve um sucesso modesto com seu candidato oral GPCR, proporcionando uma perda de peso de 6,2% em 12 semanas.
Embora não seja tão potente quanto os concorrentes, a conveniência de um medicamento oral continua atraente tanto para pacientes quanto para investidores.
O acesso continua sendo um problema.
Apesar dos avanços científicos, o acesso a esses medicamentos continua sendo um problema crucial.
Os empregadores estão lutando contra o aumento dos custos de cobertura de saúde, o que leva muitos a excluir medicamentos para perda de peso de seus planos de seguro.
O Medicare ainda não reembolsa os tratamentos para obesidade na maioria dos casos.
Um plano da administração Biden para expandir a cobertura foi recentemente derrubado pela administração Trump, deixando a maioria dos pacientes a pagar do próprio bolso. Com uma média de US$ 500 por mês, a acessibilidade financeira continua sendo uma barreira para milhões.
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