Brasil alcança a erradicação da febre aftosa sem vacinação.

Brasil alcança a erradicação da febre aftosa sem vacinação.
Sayantan Sarkar
29 de mai. de 2025, 12:47 PM
  • O Brasil foi reconhecido oficialmente pela WOAH como livre de afta bovina, sem necessidade de vacinação.
  • Espera-se que esse novo status beneficie significativamente a indústria de exportação de carne bovina do Brasil, abrindo novos mercados.
  • O Brasil antecipou sua meta de livre de afta para 2025 e atingiu quase 13 bilhões de dólares em exportações de carne bovina em 2024.

Em um desenvolvimento significativo para o seu setor agrícola, particularmente para a sua forte indústria de exportação de carne bovina, o Brasil foi oficialmente reconhecido pela Organização Mundial da Saúde Animal (WOAH) como um país livre da peste suína clássica (FMD) sem a necessidade de vacinação.

Este anúncio histórico foi confirmado conjuntamente por um alto funcionário do governo brasileiro e um porta-voz representando a organização intergovernamental à Reuters em uma reportagem.

Este reconhecimento marca um momento crucial para o Brasil, que é o maior exportador mundial de carne bovina.

Atingir o status de livre de FMD (Febre Aftosa da Boca e das Patas) sem depender da vacinação demonstra a eficácia dos rigorosos protocolos de saúde animal do Brasil, dos sistemas de vigilância e dos esforços dedicados à prevenção e controle de doenças.

Prevê-se que essa conquista tenha impactos positivos consideráveis na indústria de carne bovina do Brasil, potencialmente abrindo novas oportunidades de comércio e fortalecendo ainda mais sua posição no mercado global.

A declaração da WOAH segue-se a uma avaliação minuciosa da situação de saúde animal do Brasil, verificando a ausência da doença viral altamente contagiosa nas populações animais suscetíveis e confirmando a solidez de sua infraestrutura veterinária.

A transição para o status de livre de Peste Suína Clássica sem vacinação é particularmente notável, pois geralmente implica medidas de vigilância mais rigorosas e contínuas para garantir a ausência contínua da doença.

Reações positivas

Os grupos de pressão do setor de processamento de carne do Brasil, que representam gigantes da indústria como JBS, Minerva e Marfrig, elogiaram o desenvolvimento como histórico, destacando seu potencial para abrir novos mercados para o Brasil.

"O novo status será anunciado em 6 de junho, em uma cerimônia formal, após uma reunião entre o Presidente Lula e a Diretora-Geral da WOAH, Emmanuelle Soubeyran", disse o Chefe Veterinário do Brasil, Marcelo Mota, à Reuters no último dia de uma conferência da WOAH em Paris.

Em 2024, a robusta indústria brasileira de carne bovina alcançou cifras de exportação substanciais, atingindo um valor próximo de 13 bilhões de dólares.

Essas exportações foram direcionadas a uma ampla variedade de mercados internacionais, incluindo, de forma proeminente, a China, que representa uma base de consumidores significativa, os Emirados Árabes Unidos, um centro comercial-chave no Oriente Médio, e os EUA.

É importante destacar que os EUA aumentaram suas importações de carne bovina do Brasil devido à escassez doméstica de gado adequado para abate, destacando o papel crescente do Brasil em atender à demanda global de carne bovina.

O lobby brasileiro da carne bovina, Abiec, afirmou que a mudança no status sanitário poderia ser estrategicamente utilizada em negociações para acessar mercados com regulamentações rigorosas, como o Japão.

Desafios

A Abiec observou ainda que as Filipinas e a Indonésia demonstraram interesse em importar vísceras bovinas devido a essa melhoria no status sanitário.

Albiec disse:

Isso faz alusão à manutenção do rebanho em condições sanitárias adequadas.

As autoridades brasileiras, incluindo o Ministro da Agricultura Carlos Favaro, vinham há muito tempo aguardando a mudança tão desejada.

Em maio de 2024, o Brasil declarou o ciclo de vacinação contra a febre aftosa completo. O Ministro Favaro afirmou que esse avanço elevou o Brasil a "um novo patamar da elite mundial da saúde".

O ministério anunciou que o objetivo do Brasil de alcançar a erradicação da febre aftosa sem vacinação, inicialmente previsto para 2026, foi antecipado para 2025.