Banco Central sinaliza pausa na alta de juros em meio a preocupações persistentes com a inflação

Banco Central sinaliza pausa na alta de juros em meio a preocupações persistentes com a inflação
Noris Soto
24 de jun. de 2025, 10:08 AM
  • O Copom sinaliza uma pausa nos aumentos de juros para avaliar se a taxa Selic de 15% é suficiente para conter a inflação.
  • Os mercados esperam estabilidade na taxa de referência até o final do ano, mudando das previsões anteriores de 14,75%.
  • As projeções de inflação permanecem altas, com as estimativas de 2025 excedendo o teto da meta do Banco Central.

O Banco Central do Brasil encerrou seu ciclo de aperto monetário, de acordo com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) local, sinalizando uma possível pausa no ciclo de aumento da taxa de juros do banco central.

De acordo com o InfoMoney, o banco avalia se a taxa Selic é restritiva o suficiente para puxar a inflação de volta à meta.

O comitê expressou na ata de sua reunião mais recente, divulgada na terça-feira, que "espera uma pausa no ciclo de aumento das taxas de juros" para avaliar o impacto defasado de dados de aumentos anteriores.

O Copom elevou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na quarta-feira, 18 de junho, de 14,75% para 15,0% ao ano.

A ata da reunião do comitê declarou:

Mercados ajustam expectativas

Na segunda-feira, 23 de junho, as previsões medianas do Sistema de Expectativas de Mercado, que moldam o relatório Focus do Banco Central, sugeriam que a taxa Selic deve permanecer em 15% até o final de 2025.

Isso marcou uma mudança em relação à semana anterior, quando as previsões previam que as taxas se mantivessem em 14,75%.

Apesar da maioria dos economistas esperar uma retenção, os preços de mercado antes da decisão de junho mudaram em favor de um aumento de 0,25 ponto.

Nenhuma hesitação em tomar outras medidas

O Copom afirmou que "permanecerá vigilante" e "não hesitará em continuar o ciclo de ajuste se julgar apropriado".

O comitê definiu o ambiente econômico atual como necessitando de uma postura política "significativamente contracionista" por um período "muito prolongado".

Ele destacou expectativas não ancoradas, altas estimativas de inflação, pressões do mercado de trabalho e atividade econômica robusta como fatores importantes para sua postura.

A inflação ainda está acima da meta

O Copom reafirmou suas estimativas de inflação, com expectativa de que a inflação global atinja 4,9% até o final de 2025 e 3,6% até o final de 2026, acima do objetivo de 3% e, no caso de 2025, acima do teto da faixa de tolerância de 4,5%.

A inflação dos preços livres deverá ser de 5,2% em 2025 e de 3,8% dos preços controlados.

Para 2026, as previsões são de 3,4% e 4,1%, respectivamente.

Todas as projeções são baseadas no cenário base, que pressupõe uma trajetória Selic estável a partir do relatório Focus, uma taxa de câmbio a partir de R$ 5,60 em linha com a paridade do poder de compra e tarifas de energia verde até o final de 2025 e 2026.

Presume-se que os preços do petróleo sigam a curva futura por seis meses antes de aumentar 2% ao ano.

Banco Central elevou a taxa Selic para 15%

Na semana passada, o Banco Central do Brasil elevou sua taxa básica de juros, a Selic, para 15%, a maior desde 2006, sugerindo uma postura firme contra as pressões inflacionárias em curso.

Embora o comitê tenha sugerido uma interrupção nos aumentos das taxas em sua próxima reunião no final de julho, ele enfatizou que a atual postura contracionista será mantida "por um período muito longo".

O Itaú Unibanco prevê que a taxa Selic permanecerá constante até 2025, com uma possível redução de 200 pontos-base a partir do início de 2026.

A decisão de manter o ciclo de aperto decorre de preocupações crescentes com expectativas de inflação desancoradas e riscos econômicos.

Mesmo a previsão do Banco para 2026, o atual horizonte chave para a política monetária, é de 3,6%, que ainda está acima do meio de sua meta de inflação.

Apesar das possíveis consequências econômicas, as autoridades monetárias do país contam com uma mão firme para colocar a inflação de volta nos trilhos.