Ações da Braskem sobem com perspectivas de projeto de lei de incentivo fiscal ao setor petroquímico

Ações da Braskem sobem com perspectivas de projeto de lei de incentivo fiscal ao setor petroquímico
Noris Soto
09 de jul. de 2025, 12:39 PM
  • As ações da Braskem saltaram mais de 7% depois que o Congresso apresentou um importante projeto de lei de incentivo fiscal.
  • O programa PRESIQ pode aumentar o EBITDA da Braskem em até US$ 500 milhões por ano.
  • Apesar do otimismo, o projeto ainda enfrenta votações e possíveis emendas no Congresso.

As ações da Braskem subiram na quarta-feira depois que relatórios nomearam a empresa como uma das principais beneficiárias de um programa de incentivo do governo proposto para o setor químico doméstico.

Às 10h25. No horário de Brasília, as ações da Braskem subiram 7,53%, a R$ 10, tendo subido brevemente mais de 8% no início da sessão, de acordo com a agência de notícias local InfoMoney.

O aumento ocorreu após a aprovação pela Câmara dos Deputados de um regime de urgência para o Projeto de Lei 892/2025, que busca estabelecer o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química.

A Braskem, uma das principais petroquímicas da América Latina e maior produtora de resinas termoplásticas das Américas, deve estar entre as principais beneficiárias se a medida avançar.

Impulso legislativo para o setor

O Projeto de Lei 892/2025 propõe créditos tributários para ajudar a indústria petroquímica brasileira a melhorar sua competitividade e sustentabilidade.

A aceitação do regime de urgência deve acelerar o trâmite legislativo da medida no Congresso.

Embora o plano ainda esteja sujeito a revisões e deva ser votado na íntegra na Câmara dos Deputados e no Senado, seu impulso inicial despertou confiança entre investidores e especialistas.

Impacto significativo nos lucros projetado

De acordo com especialistas da XP, se o esquema PRESIQ for aprovado, os ganhos da Braskem podem ter grandes ganhos.

Estima-se que a medida proposta tenha um impacto positivo de até US$ 500 milhões por ano no EBITDA da Braskem até 2026 – um aumento de aproximadamente 40% em relação às projeções atuais para 2025.

De 2027 a 2029, espera-se que o benefício anual seja de cerca de US$ 450 milhões.

Em linha com essa visão, o Bradesco BBI também destacou que os incentivos esperados aumentarão o perfil de crédito da Braskem e aliviarão as pressões sobre seu perfil de dívida.

Reação do investidor

A reação do mercado demonstra confiança na aprovação antecipada do projeto de lei e na capacidade da Braskem de capitalizá-lo.

Embora não seja garantido que o Projeto de Lei 892/2025 se torne lei, os eventos representam uma mudança significativa no sentimento da empresa, que encontrou desafios nos últimos trimestres, como baixa demanda e altos custos de matérias-primas.

O aumento do preço das ações também demonstra a suscetibilidade do mercado a mudanças de política nos setores industriais do Brasil.

A indústria petroquímica, que depende em grande parte de subsídios governamentais devido aos altos custos operacionais e à concorrência global, deve se beneficiar muito de iniciativas de redução de impostos como o PRESIQ.

Cautela em meio ao otimismo

Apesar da forte reação do mercado, analistas e partes interessadas permanecem apreensivos.

O processo legislativo no Brasil pode ser inesperado, e a lei pode enfrentar oposição ou mudanças antes de ser aprovada.

No entanto, a classificação de urgência indica que os legisladores estão priorizando o assunto, potencialmente acelerando as deliberações.

Por enquanto, os investidores contam com uma conclusão positiva, com a Braskem se posicionando como uma das claras vencedoras caso a legislação se torne lei.

A combinação de benefícios imediatos de mercado e potencial de rentabilidade de longo prazo enfatiza a importância estratégica da iniciativa PRESIQ não apenas para a Braskem, mas também para o setor químico brasileiro como um todo.

O programa PRESIQ proposto também faz parte de um esforço mais amplo do governo para revigorar a base industrial do Brasil, particularmente em áreas onde a concorrência global e os altos custos de insumos destruíram a lucratividade.