Abertura dos mercados europeus: ações em baixa; foco na tarifa de 30% da UE nos EUA, sinais de corte de taxa do BoE

Abertura dos mercados europeus: ações em baixa; foco na tarifa de 30% da UE nos EUA, sinais de corte de taxa do BoE
Deepali Singh
14 de jul. de 2025, 05:02 AM
  • As ações europeias abriram em baixa na segunda-feira (Stoxx 600 -0,5%) depois que Trump anunciou uma tarifa de 30% sobre a UE.
  • A nova tarifa de 30% da UE deve entrar em vigor em 1º de agosto, interrompendo meses de negociações comerciais.
  • As ações de automóveis lideraram as perdas, com o índice do setor caindo ~ 1%; O DAX da Alemanha caiu 0,8% no início do pregão.

Os mercados de ações europeus começaram a semana de negociação em território negativo na segunda-feira, com os principais índices caindo à medida que os investidores reagiram a uma nova ameaça tarifária significativa do presidente dos EUA, Donald Trump, no fim de semana.

O anúncio de uma tarifa de 30% sobre produtos importados da União Europeia desferiu um novo golpe nas relações comerciais transatlânticas e azedou o sentimento do mercado em todo o continente.

Cerca de 30 minutos após o início do primeiro pregão da semana, o índice pan-europeu Stoxx 600 caiu app para investir na bolsa 0,5%, com a maioria dos setores no vermelho.

O impacto das notícias tarifárias foi particularmente evidente em setores sensíveis ao comércio. As ações de automóveis lideraram as perdas, com o índice Stoxx Europe Automobiles caindo cerca de 1%.

Olhando para as principais bolsas nacionais, o DAX da Alemanha liderava a liquidação, com queda de 0,8%. Em contraste, o FTSE 100 de Londres conseguiu contrariar a tendência regional, sendo negociado em alta de 0,2%.

O clima sombrio para os mercados europeus ocorre depois que o presidente Trump anunciou no fim de semana que imporia uma tarifa de 30% sobre produtos importados da UE, uma medida que segue vários meses de negociações intensas, mas malsucedidas, para chegar a um acordo comercial abrangente.

O novo imposto está programado para entrar em vigor em 1º de agosto.

Resposta da UE: salvaguardar os interesses mantendo a porta aberta

A União Europeia indicou que não retaliará imediatamente, optando por manter a porta aberta para novas negociações.

"A imposição de tarifas de 30% sobre as exportações da UE interromperia as cadeias de suprimentos transatlânticas essenciais, em detrimento de empresas, consumidores e pacientes em ambos os lados do Atlântico", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em comunicado.

Ela afirmou que a UE continua "pronta para continuar trabalhando em direção a um acordo até 1º de agosto".

No entanto, ela também emitiu um aviso claro: "Ao mesmo tempo, tomaremos todas as medidas necessárias para salvaguardar os interesses da UE, incluindo a adoção de contramedidas proporcionais, se necessário".

O comissário de Comércio da UE, Maros Sefcovic, falando a repórteres na segunda-feira, ressaltou a gravidade da medida dos EUA, afirmando que a tarifa de 30% ameaçada pelo presidente Trump sobre a União Europeia praticamente erradicaria o comércio entre as duas potências econômicas.

Apesar dessa avaliação severa, Sefcovic também expressou um certo grau de otimismo de que uma solução ainda pode ser encontrada.

Em comentários citados pela agência de notícias Reuters antes de uma reunião de ministros do Comércio da UE em Bruxelas, ele teria dito: "O sentimento do nosso lado era de que estamos muito perto de um acordo".

As portagens tarifárias: as estimativas de lucros caem em toda a Europa

A incerteza tarifária em curso já está a ter um impacto tangível nas empresas europeias.

As estimativas de lucros para empresas em todo o continente caíram drasticamente nos últimos meses, à medida que os analistas lutam para prever o impacto das novas políticas comerciais dos EUA.

De acordo com a pesquisa LSEG I/B/E/S, espera-se que o lucro por ação das empresas do índice de referência europeu Stoxx 600 caia 0,2% em uma base anualizada no segundo trimestre.

Isso representa uma reversão dramática das expectativas em 1º de abril, antes do chamado 'Dia da Libertação' do presidente Trump, quando os analistas previam um crescimento saudável de 7,2%.

Enquanto as maiores empresas da Europa se preparam para divulgar seus ganhos, os analistas estarão observando três setores-chave em busca de sinais de tensão.

Posição do Banco da Inglaterra: olhos no mercado de trabalho do Reino Unido

Adicionando outra camada ao complexo quadro do mercado, o governador do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, sinalizou que o banco central pode aprofundar seu ciclo de corte de taxas se o mercado de trabalho do Reino Unido mostrar sinais de desaceleração.

Seus comentários vieram quando a impressão de inflação mais recente do Reino Unido permaneceu elevada em 3,4%.

Economistas consultados pela Reuters esperam que a leitura da inflação de junho, que deve ser divulgada na quarta-feira, seja estável.

Em entrevista ao jornal britânico The Times, publicada na noite de domingo, Bailey afirmou que havia sinais "consistentes" de empresas britânicas "ajustando o emprego".

Ele sugeriu que as lutas econômicas do Reino Unido estavam criando uma "folga" na economia que acabaria ajudando a esfriar a inflação.

"Eu realmente acredito que o caminho é para baixo", disse ele na entrevista. "Se víssemos a folga se abrindo muito mais rapidamente, isso nos levaria a uma conclusão diferente", acrescentou, sugerindo que um mercado de trabalho mais fraco poderia abrir caminho para cortes de juros mais agressivos.

Atualmente, os mercados estão precificando um corte de 25 pontos-base na próxima reunião do Banco da Inglaterra em agosto, de acordo com dados do LSEG.