Carteira de pedidos da Embraer atinge recorde de US$ 29,7 bilhões, mas risco tarifário dos EUA limita ganhos de ações

Carteira de pedidos da Embraer atinge recorde de US$ 29,7 bilhões, mas risco tarifário dos EUA limita ganhos de ações
Noris Soto
22 de jul. de 2025, 11:30 AM
  • A carteira de pedidos da Embraer no 2º trimestre de 2025 atingiu um recorde de US$ 29,7 bilhões, impulsionada pelos segmentos comercial, executivo e de defesa.
  • Os pedidos da SkyWest e da SAS aumentaram a carteira de pedidos de aeronaves comerciais para US$ 13,1 bilhões.
  • Ganhos de ações limitados enquanto os EUA avaliam tarifas de 50% sobre as importações de aeronaves brasileiras.

A Embraer (EMBR3), fabricante brasileira de aeronaves, revelou uma carteira de pedidos recorde de US$ 29,7 bilhões no final do segundo trimestre de 2025, um aumento de 40% ano a ano e 13% trimestre a trimestre.

Impulsionado por grandes novos pedidos da SkyWest (60 E175S) e SAS (45 E195-E2S), o número ficou acima da estimativa anterior de US$ 28,6 bilhões do Itaú BBA.

Analistas do BBA estimam que quase metade da receita da Embraer pode estar sujeita ao imposto, e as ações subiram apenas 1,50 por cento, a R$ 69,14, quando a sessão de terça-feira (22 de julho) foi aberta, já que os dados positivos foram temperados por novas preocupações sobre uma medida dos EUA para impor tarifas de 50 por cento sobre as importações brasileiras.

A aviação comercial impulsiona a expansão do portfólio

De acordo com a mídia local InfoMoney, o aumento trimestral da carteira de pedidos foi impulsionado principalmente pela aviação comercial, que teve um aumento de 31%.

A carteira de pedidos do segmento atingiu US$ 13,1 bilhões, o maior valor em oito anos.

Em termos de aeronaves, a carteira de pedidos aumentou de 336 para 437 unidades, indicando alta demanda dos clientes.

Analistas do Bradesco BBI citaram o mix de entregas, que inclui uma participação maior de modelos E1, como um potencial aumento de margem.

A relação book-to-bill do segmento aumentou para 1,8x no ano passado, indicando um forte impulso de vendas.

A XP Investimentos destacou que o índice de trailing indicou cerca de US$ 600 milhões em receita de aviação comercial, o que é consistente com as previsões internas.

O BBI antecipa resultados mais visíveis dos esforços de nivelamento de produção da Embraer, que começam em 2026, à medida que a empresa busca melhorar a eficiência da fabricação e manter as margens.

Aviação executiva e defesa mantêm desempenho estável

Para a nova divisão de aviação executiva, a EMBR 1.SA enviou um quarto de sua meta anual de entrega no segundo trimestre, acima da média de cinco anos de 21%.

A empresa já entregou um primeiro trimestre sólido e terá que entregar 89 jatos no segundo semestre para atingir o ponto médio de sua orientação, um aumento de 5% em relação aos níveis de 2024.

Os volumes de entrega ainda estão acima dos níveis históricos, mesmo que a carteira de pedidos do segmento tenha caído 2%.

O segmento de Defesa e Segurança também teve uma boa melhoria. A carteira total de pedidos da divisão aumentou 3% em relação ao trimestre anterior e dobrou em relação ao mesmo ano anterior, atingindo US$ 4,3 bilhões.

Outros grandes impulsionadores foram a Lituânia selecionando o C-390 e o pedido de Portugal de uma sexta aeronave KC-390 Millennium.

A carteira de pedidos neste momento não inclui outros pedidos feitos na Suécia, Eslováquia, Portugal e Panamá, o que o BBI considera como evidência de demanda contínua, particularmente para os mercados da OTAN.

Ameaças tarifárias obscurecem o sentimento do investidor

Apesar dos fortes fundamentos, as preocupações comerciais dos EUA continuam a pesar sobre o moral do mercado.

De acordo com o Itaú BBA, a robusta carteira de pedidos da Embraer sustenta as perspectivas de longo prazo da empresa. No entanto, a probabilidade de tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras limita o ganho de curto prazo das ações.

O BTG Pactual compartilhou essa cautela, alertando que, mesmo com as melhorias de margem esperadas – particularmente com o aumento das entregas dos jatos E2 mais lucrativos – a incerteza em torno das tarifas pode dissuadir uma reação mais forte do mercado.

O JPMorgan teve um sentimento semelhante, acrescentando que, embora a carteira de pedidos indique um excelente aumento ano a ano, ficou aquém da projeção do banco de US$ 33 bilhões.

A inclusão de compras de defesa não reservadas aproximaria o total de US$ 32 bilhões, mas a reação cautelosa do mercado reflete uma incerteza geopolítica maior.

Avaliação e perspectivas futuras

De acordo com o JPMorgan, a Embraer é negociada hoje a 0,31x EV/Backlog. Ele é negociado a um múltiplo EV/EBITDA estimado para 2026 de 7,8x, bem abaixo de pares como Boeing (24,7x), Airbus (11,9x) e Bombardier (10,3x). A serem anunciados os ganhos do 2º trimestre de 2025, 5 de agosto, antes da abertura do mercado.

A XP Investimentos, por outro lado, afirmou que não houve cancelamentos de pedidos de aviação comercial no trimestre em meio a condições macroeconômicas adversas, e o líquido firmou 120 novos pedidos de aeronaves.

No entanto, os analistas acreditam amplamente que o maior risco para o caminho das ações continua sendo a atenção dos investidores sobre a questão tarifária dos EUA.

Bradesco BBI, BTG Pactual e JPMorgan mantiveram calls de compra com metas de R$ 97, R$ 94 94 e R$ 93, respectivamente. A meta para ADR foi mantida em US$ 62,50, com recomendação de compra, pelo Itaú BBA.

Embora os fundamentos da Embraer sejam sólidos e diversificados em todos os segmentos, não acreditamos que suas ações reflitam totalmente essa força sem mais clareza sobre a política comercial dos EUA.