Japão enfrenta crise de segurança alimentar em meio a calor recorde e infestação de percevejos

Japão enfrenta crise de segurança alimentar em meio a calor recorde e infestação de percevejos
Sayantan Sarkar
05 de ago. de 2025, 06:55 AM
  • O Japão atingiu 41,8°C, o maior de todos os tempos; 53.000+ hospitalizações por insolação.
  • O calor alto e a chuva fraca ameaçam a colheita de arroz do Japão e aumentam os percevejos.
  • O governo promulga novas políticas de controle de pragas e secas para aumentar a produção de arroz.

Na terça-feira, o Japão experimentou sua temperatura mais alta de todos os tempos, atingindo 41,8 graus Celsius (107,2 graus Fahrenheit).

Em resposta, o governo recomendou que os moradores permanecessem dentro de casa e prometeu medidas para mitigar os danos relacionados ao clima nas plantações de arroz, de acordo com um relatório da Reuters.

A agência meteorológica do país informou que Isesaki, uma cidade do leste da província de Gunma, registrou temperaturas superiores a 41,2 graus Celsius.

Esta nova alta supera o recorde anterior estabelecido na semana passada em Tamba, uma cidade ocidental na província de Hyogo.

De acordo com a Agência de Gerenciamento de Incêndios e Desastres do Japão, mais de 53.000 pessoas foram hospitalizadas por insolação neste verão.

"Está muito quente hoje", disse Takeshi Ishikawa, um trabalhador automotivo de 63 anos, à Reuters, enquanto enchia sua garrafa de água em uma fonte no centro de Tóquio.

Desafios ambientais

O Japão enfrenta atualmente um desafio ambiental crítico, já que as temperaturas médias em todo o país continuam sua tendência de alta, após um julho recorde pelo terceiro ano consecutivo.

Essa tendência persistente de aquecimento é exacerbada por níveis criticamente baixos de chuva na região nordeste ao longo do Mar do Japão, levantando preocupações significativas para a próxima colheita de arroz.

O aumento sustentado das temperaturas é indicativo de padrões mais amplos de mudança climática que afetam o globo.

No Japão, isso se manifesta não apenas em verões mais quentes, mas também em possíveis mudanças nos padrões climáticos sazonais, que podem ter impactos profundos na agricultura e nos ecossistemas.

O setor agrícola, particularmente o cultivo de arroz, é altamente suscetível a essas flutuações climáticas.

O arroz, um alimento básico na dieta japonesa e uma pedra angular de sua economia, requer condições específicas de temperatura e precipitação para um crescimento ideal.

Ameaça à colheita de arroz

As condições de seca na região nordeste, uma importante área produtora de arroz, representam uma ameaça imediata.

A disponibilidade insuficiente de água pode levar a um crescimento atrofiado, rendimentos reduzidos e até mesmo à quebra total da safra, potencialmente impactando a segurança alimentar e os meios de subsistência dos agricultores.

Os produtores de arroz em várias regiões estão lutando com um aumento inesperado nas populações de percevejos, um problema exacerbado por temperaturas excepcionalmente altas.

Essa proliferação de pragas representa uma ameaça significativa aos rendimentos, chegando em um momento crítico, enquanto o governo se prepara para introduzir formalmente uma nova política agrícola na terça-feira.

A nova iniciativa foi projetada para reforçar a produção doméstica de arroz e mitigar o risco de escassez futura, uma medida proativa em resposta às crescentes preocupações com a segurança alimentar.

A infestação por percevejos, conhecidos por perfurar os grãos de arroz e causar descoloração e quebra, pode minar os objetivos dessa nova política, potencialmente levando a colheitas de menor qualidade e quantidades reduzidas de arroz utilizável, apesar dos esforços do governo para aumentar a produção geral.

O ministro da Agricultura, Shinjiro Koizumi, enfatizou a urgência da situação em uma coletiva de imprensa, afirmando: "Precisamos agir com rapidez e senso de crise para evitar danos" causados pelas altas temperaturas.

Ele acrescentou que o governo forneceria apoio para medidas de controle de pragas e mitigação da seca.

Em 2023, o calor extremo prejudicou gravemente a qualidade do arroz, levando a uma escassez crítica.

Essa situação foi agravada pela avaliação imprecisa do governo sobre oferta e demanda, resultando em preços recordes para esse alimento básico e desencadeando uma crise nacional.