A inflação no Brasil deve permanecer alta em julho, mas as pressões do núcleo mostram sinais de alívio

A inflação no Brasil deve permanecer alta em julho, mas as pressões do núcleo mostram sinais de alívio
Noris Soto
11 de ago. de 2025, 12:00 PM
  • A inflação brasileira de julho provavelmente subiu para 0,37% devido aos custos mais altos de energia, compensando a queda dos preços dos alimentos.
  • A inflação anual deve diminuir ligeiramente para 5,33%, ainda acima da meta de 3% do banco central.
  • Sinais de arrefecimento nos preços básicos podem abrir caminho para cortes nas taxas dos atuais 15%.

De acordo com uma pesquisa da Reuters com economistas, a inflação do Brasil provavelmente permaneceu alta em julho, embora as pressões subjacentes parecessem estar diminuindo.

Os formuladores de políticas estão monitorando atentamente as estatísticas enquanto consideram quando implementar os tão esperados cortes nas taxas de juros para incentivar a atividade econômica antes da eleição presidencial do próximo ano.

A estimativa mediana de 23 analistas consultados entre 6 e 11 de agosto indica uma taxa de inflação mensal de 0,37% em julho, acima dos 0,24% em junho.

As contas de energia mais altas impulsionaram o aumento, mais do que compensando um segundo mês de deflação de alimentos e bebidas.

Números quinzenais já mostraram que commodities como carne bovina, arroz e outros produtos básicos estão se tornando mais baratos. Fatores sazonais levaram às reduções, revertendo alguns dos aumentos sustentados observados nos meses anteriores.

Taxa homóloga ainda acima do objectivo do banco central

Em uma base anual, a inflação deve cair para 5,33% em julho, de 5,35% em junho. O número permanece muito acima da meta de 3,0% estabelecida pelo banco central, permitindo uma faixa de tolerância de 1,5 ponto percentual, apesar de uma ligeira queda.

Economistas dizem que, embora algumas das leituras principais possam melhorar, isso sugere que a postura restritiva do banco central sobre a política monetária está finalmente desacelerando a taxa de aumento de preços.

As medidas básicas têm uma contribuição significativa da inflação de serviços, que deve desacelerar ligeiramente. Os analistas do Itaú Unibanco veem a média móvel de três meses da inflação de serviços desacelerando para 6,0% em julho, ante 6,3% em junho.

Primeiros sinais da "taxa de execução"

Os observadores do mercado também estão olhando para a "taxa de execução" da inflação, a taxa anualizada de inflação calculada usando dados mensais recentes, como um indicador inicial de desenvolvimentos.

O JP Morgan acredita que essa medida pode ter retornado à faixa-alvo nos últimos três meses pela primeira vez em mais de um ano.

Tal cenário apoiaria as visões de que as pressões inflacionárias estão diminuindo, embora as leituras das manchetes permaneçam acima da meta.

Perspectivas para a política monetária

Uma pesquisa separada da Reuters prevê que a inflação geral cairá para uma média de 4,6% no primeiro trimestre de 2026.

Isso permitiria que o banco central começasse a diminuir as taxas de juros, que atualmente estão em 15%, o nível mais alto em duas décadas.

No mês passado, o banco central interrompeu seu ciclo de aumento de juros para examinar o impacto de suas políticas de aperto na economia.

A medida ocorre em meio ao aumento da incerteza sobre as tarifas dos EUA, que podem interromper os fluxos comerciais e os preços.

Os formuladores de políticas preveem que o aumento dos preços ao consumidor desacelere ainda mais até o final de 2025, coincidindo com uma desaceleração projetada na atividade econômica geral.

Força da moeda pode ajudar na desinflação

Isso faz com que a oferta doméstica de bens comercializáveis seja maior, em parte devido à valorização do real brasileiro neste ano.

O real mais forte torna as importações mais baratas em moeda local e pode ajudar a mitigar as pressões de preços de alguns bens com alto grau de conteúdo importado.

Economistas dizem que a força da moeda pode fortalecer a tendência de desinflação nos próximos meses, juntamente com uma desaceleração da demanda e os efeitos defasados do aperto monetário.

Embora os custos de energia tenham aumentado o número principal em julho, os preços mais baixos dos alimentos, uma moderação na inflação de serviços e uma taxa de câmbio mais favorável podem dar ao banco central a confiança para lançar um ciclo gradual de corte de juros.

Isso torna o relatório de inflação na terça-feira um ponto de dados importante para os mercados e formuladores de políticas.

Uma confirmação dessas tendências pode cimentar um ponto de inflexão significativo para a economia brasileira, que equilibra o combate à inflação com o impulso ao crescimento novamente.