Tensões comerciais entre EUA e Índia desencadeiam pedidos de boicote direcionados a marcas americanas

Tensões comerciais entre EUA e Índia desencadeiam pedidos de boicote direcionados a marcas americanas
Diya Poddar
11 de ago. de 2025, 07:59 AM
  • A Índia é um mercado-chave para gigantes dos EUA como Apple e Coca-Cola.
  • Grupos nacionalistas circulam listas de alternativas locais no WhatsApp.
  • Tesla abre segundo showroom indiano em meio a protestos em andamento.

De acordo com um relatório da Reuters, o maior mercado consumidor da Índia está testemunhando um aumento nos pedidos para evitar marcas americanas depois que Washington impôs uma tarifa de 50% sobre os produtos indianos.

A medida do presidente dos EUA, Donald Trump, alimentou protestos, tanto online quanto nas ruas, liderados por executivos, grupos nacionalistas e apoiadores do primeiro-ministro Narendra Modi.

O impulso para "Made in India" está ganhando força, com nomes multinacionais como McDonald's, Coca-Cola, Amazon, Apple e Starbucks se encontrando no centro de uma campanha pedindo aos indianos que priorizem os produtos nacionais em detrimento dos estrangeiros.

Embora ainda não haja um impacto confirmado nas vendas, o sentimento está se espalhando rapidamente.

Marcas americanas em foco enquanto a Índia impulsiona a autossuficiência

A Índia, lar de mais de 1,4 bilhão de pessoas, é um mercado crítico em crescimento para as empresas de consumo americanas. O país é a maior base de usuários do WhatsApp da Meta, e a Domino's opera mais pontos de venda lá do que qualquer outra marca.

As lojas da Apple atraem longas filas durante os lançamentos, enquanto os cafés Starbucks continuam populares entre as multidões com descontos. As bebidas da Pepsi e da Coca-Cola dominam as prateleiras do varejo em todo o país.

A nova onda de protestos começou após o anúncio da tarifa dos EUA, que abalou os exportadores indianos e prejudicou os laços bilaterais. Em resposta, os apelos ao nacionalismo econômico se intensificaram.

Executivos como Manish Chowdhary, da Wow Skin Science, estão pedindo aos consumidores que aprendam com países como a Coreia do Sul, tornando as marcas indianas globalmente reconhecíveis.

Da mesma forma, Rahm Shastry, da DriveU, sugeriu o desenvolvimento de alternativas de propriedade indiana para plataformas globais de tecnologia como Twitter, Google e YouTube.

Grupos nacionalistas amplificam campanhas de boicote

No domingo, Modi discursou em uma reunião em Bengaluru, fazendo um apelo especial à autossuficiência. Sem nomear nenhuma empresa, ele enfatizou que as empresas de tecnologia indianas já atendem ao mundo e agora devem priorizar as necessidades domésticas.

Naquele mesmo dia, o Swadeshi Jagran Manch - afiliado ao Partido Bharatiya Janata de Modi - realizou pequenos comícios em várias cidades, pedindo boicotes a marcas sediadas nos EUA.

A lista inclui marcas indianas de sabonetes, pasta de dente e bebidas. Nas redes sociais, os gráficos da campanha intitulados "Boicote as cadeias alimentares estrangeiras" exibem com destaque os logotipos do McDonald's e de outras franquias internacionais.

Empresas dos EUA ainda estão se expandindo no mercado indiano

Apesar dos protestos, as empresas americanas continuam a expandir sua presença na Índia. A Tesla inaugurou seu segundo showroom no país na segunda-feira, desta vez em Nova Delhi.

A cerimônia de abertura contou com a presença de funcionários do Ministério do Comércio da Índia e da embaixada dos EUA. As redes de varejo indianas continuam a oferecer forte concorrência doméstica aos players estrangeiros, embora replicar esse sucesso internacionalmente continue sendo um desafio.

Empresas indianas de TI como Tata Consultancy Services e Infosys já estão profundamente inseridas na economia global, fornecendo soluções de software para clientes em todos os continentes.

Ainda não se sabe se as campanhas de boicote podem causar um impacto duradouro nas operações de empresas americanas focadas no consumidor. Por enquanto, o apelo ao patriotismo econômico está adicionando uma nova camada à já tensa relação comercial EUA-Índia.