Inflação de julho desacelera mais do que o esperado, mas ainda ultrapassa meta

Inflação de julho desacelera mais do que o esperado, mas ainda ultrapassa meta
Noris Soto
12 de ago. de 2025, 11:16 AM
  • Os preços ao consumidor subiram 0,26% em julho, abaixo das previsões de 0,37%, com os custos dos alimentos caindo novamente.
  • A inflação anual diminuiu para 5,23%, marcando uma ligeira desaceleração, mas permanecendo acima da meta superior de 4,5%.
  • Os custos de habitação aumentaram com os preços mais altos da eletricidade, compensando os declínios em vestuário e comunicação.

A inflação do Brasil em julho ficou abaixo das expectativas do mercado, mostraram dados publicados na terça-feira pelo IBGE , refletindo principalmente os benefícios da queda dos preços dos alimentos para os consumidores.

O aumento dos preços ao consumidor foi de 0,26% em julho, acima dos 0,24% em junho, mas abaixo da previsão dos economistas de um aumento de 0,37%.

Essa moderação foi consequência de uma segunda queda mensal consecutiva nos preços de alimentos e bebidas que superou as pressões de alta de outras classes.

O maior contribuinte para o aumento mensal foram os custos de habitação, principalmente devido aos preços mais altos da eletricidade. Os custos mais baixos de vestuário e comunicação também contribuíram para o número principal mais fraco do que o esperado.

Em relação ao ano anterior, os preços subiram 5,23% em julho, caindo de 5,35% em junho e abaixo do consenso de mercado de 5,33%.

A taxa ainda está longe da meta oficial do banco central, mas a tendência indica que a inflação está esfriando.

A inflação permanece acima da banda de tolerância

A meta de inflação do Banco Central brasileiro é de 3%, com tolerância de mais ou menos 1,5 ponto percentual. Isso significa que a inflação anual deve permanecer entre 1,5% e 4,5%.

Julho representou o oitavo mês consecutivo em que o limite superior dessa faixa foi violado, enfatizando as dificuldades contínuas dos formuladores de políticas em controlar a inflação.

A redução gradual da taxa anual implica que a política monetária restritiva do banco central é bem-sucedida.

No entanto, apesar dos ganhos recentes, a continuação da inflação acima da meta deixa pouco espaço para as autoridades suavizarem as condições financeiras em breve.

Política monetária paralisada

Em julho, o banco central interrompeu um ciclo de aperto agressivo que aumentou sua taxa de empréstimo em 450 pontos-base. Isso elevou os custos dos empréstimos a um nível que o banco chama de "muito restritivo", para uma taxa de 15% em quase 20 anos.

E espera-se que isso continue assim até o próximo ano, à medida que as autoridades buscam trazer a inflação de volta à meta.

O longo período de taxas elevadas tem um objetivo: amortecer a demanda, esfriar a inflação de preços e reduzir as expectativas de inflação.

A estratégia resultou em algumas evidências de arrefecimento em alguns segmentos de preços, como alimentos e bens de consumo, enquanto outros setores – especialmente habitação – permanecem sob pressões de alta de custos.

As tendências setoriais refletem pressões divergentes

A pesquisa de dados de julho dá indicações diferentes para diferentes setores. Os preços da habitação experimentaram um aumento significativo, em parte devido à disparada dos preços da eletricidade, refletindo os impactos sazonais e as condições do mercado de energia.

Esse ganho também mais do que compensa algumas das pressões desinflacionárias de algumas das outras categorias.

O custo de alimentos e bebidas - monitorado de perto pelos formuladores de políticas devido ao seu peso sobre as famílias - diminuiu pelo segundo mês consecutivo.

Os dados também mostram algumas quedas em vestuário e comunicações, o que ajudou a moderar parte do crescimento dos preços. Essas mudanças entre setores implicam que a inflação geral está diminuindo, mas as pressões básicas são menos homogêneas.

Perspectiva: espera-se flexibilização gradual

Os analistas veem as estatísticas mais recentes como evidência de que a estratégia do banco central está começando a produzir resultados, com as pressões das manchetes diminuindo constantemente.

No entanto, dado que a inflação está consideravelmente acima da meta, as perspectivas sugerem que as condições monetárias permanecerão apertadas no futuro próximo.

O equilíbrio entre a queda dos custos dos alimentos e o aumento das despesas com moradia será fundamental para decidir a taxa de desinflação nos próximos meses.

As influências externas na trajetória incluem os preços globais das commodities e os custos domésticos de energia.

Se as tendências atuais continuarem, a inflação do Brasil pode se aproximar do limite superior da meta no próximo ano, permitindo possíveis modificações na política.

Até lá, as altas taxas de juros provavelmente serão um aspecto distintivo do ambiente econômico do país.