Perspectiva da Vale é impulsionada por previsões mais altas de preços do minério de ferro, Itaú BBA mantém previsão de desempenho superior

Perspectiva da Vale é impulsionada por previsões mais altas de preços do minério de ferro, Itaú BBA mantém previsão de desempenho superior
Noris Soto
18 de ago. de 2025, 12:53 PM
  • Itaú BBA mantém rating 'outperform' da Vale com meta de R$ 70 até o final de 2026.
  • A demanda por minério de ferro continua forte; Fornecimento equilibrado por novos projetos e esgotamento de mina.
  • A avaliação da Vale é atraente com forte potencial de fluxo de caixa, apesar dos prêmios de pelotas mais baixos.

O Itaú BBA confirmou sua visão favorável à Vale (VALE3) após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2025 da mineradora. O banco manteve sua recomendação de 'outperform', que equivale a uma classificação de 'compra', e estabeleceu seu preço-alvo de R$ 70 por ação até o final de 2026.

De acordo com um meio de comunicação local, InfoMoney, esse preço representa um aumento potencial de 31% em relação aos níveis atuais, indicando confiança nos fundamentos de longo prazo da empresa, apesar das mudanças operacionais de curto prazo.

Previsão do mercado de minério de ferro: oferta equilibrada e forte demanda

O banco prevê que o mercado global de minério de ferro permanecerá amplamente equilibrado no próximo trimestre. A demanda da China e do Sudeste Asiático continua sendo uma base estável para os preços.

Ao mesmo tempo, a dinâmica da oferta é afetada tanto pelo início de novos projetos quanto pelo declínio natural das minas existentes.

Um dos desenvolvimentos mais significativos do lado da oferta é o início antecipado da produção em Simandou, um enorme complexo de minério de ferro na África Ocidental.

O Itaú BBA prevê que, embora a Simandou aumente os volumes de mercado, isso será um pouco compensado por maiores taxas de esgotamento entre os produtores estabelecidos, reduzindo o risco de excesso de oferta.

As previsões de preços aumentaram para 2025 e 2026

O Itaú BBA elevou sua previsão de preços do minério de ferro devido à forte demanda e oferta limitada. O banco prevê que os preços do minério de ferro ficarão entre US$ 95 e US$ 100 a tonelada no segundo semestre de 2025.

Essa modificação aumentou a previsão média para o ano inteiro para US$ 99 por tonelada, acima dos US$ 95.

Olhando para 2026, o banco agora prevê um preço médio de US$ 95 por tonelada, acima dos US$ 90 anteriores.

As premissas revisadas estão alinhadas com a opinião do Itaú BBA de que o ciclo de commodities permanece positivo, apesar da entrada de novas ofertas no mercado.

Previsões de EBITDA ajustadas apesar de preços mais altos

O Itaú BBA reduziu a perspectiva de lucros da Vale, apesar de uma revisão para cima nas previsões de preços. Para 2025, o EBITDA esperado foi reduzido para US$ 14,1 bilhões, 3% menor que a estimativa anterior.

O ajuste reflete a deterioração da dinâmica do mercado de pelotas, que forçou a Vale a reduzir a produção devido aos menores prêmios de mercado.

Prevê-se que o EBITDA atinja US$ 15,5 bilhões em 2026, mostrando um aumento de 10% em relação a 2025, mas ainda 2% abaixo da previsão anterior.

Embora os preços mais altos do minério de ferro devam aumentar a receita, o Itaú BBA está cauteloso com os prêmios de qualidade e as quantidades gerais de embarque, o que pode afetar os lucros.

Níveis de endividamento e retornos de capital

De acordo com o Itaú BBA, a dívida líquida da Vale deve chegar a US$ 16 bilhões até 2025, superando ligeiramente a faixa projetada pela empresa de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões.

Esse nível de endividamento confere flexibilidade financeira à Vale, preservando a disciplina do balanço.

Se os preços do minério de ferro permanecerem em torno de US$ 100 por tonelada, o banco espera uma forte criação de caixa, proporcionando à empresa bastante espaço para dividendos aos acionistas.

O Itaú BBA prevê que a administração priorizará a recompra de ações devido ao preço atual das ações; no entanto, dividendos e recompras ainda são opções.

Valor atrativo e potencial de fluxo de caixa

A avaliação da Vale continua sendo um componente-chave da perspectiva positiva do Itaú BBA. As ações são negociadas a 3,8 vezes o valor da empresa em relação ao EBITDA para 2026, o que o banco considera atraente quando comparado a pares e tendências históricas.

O Itaú BBA prevê um rendimento médio de fluxo de caixa livre de 8% para 2026-2028, demonstrando o potencial da empresa de agregar valor significativo aos acionistas no longo prazo.

O caso de investimento da Vale é baseado em uma combinação de demanda confiável, implantação eficiente de capital e preços vantajosos.

No geral, o modelo modificado do Itaú BBA indica um prognóstico cautelosamente positivo para a Vale. Embora a empresa enfrente desafios de prêmios de pelotas mais baixos e menores volumes de embarque, os preços mais altos do minério de ferro e os fundamentos robustos da demanda fornecem um cenário positivo.

Com preço-alvo confirmado de R$ 70 por ação e excelente perfil de valor, a Vale continua sendo um player de destaque no mercado global de minério de ferro.