Tarifas e concorrência impulsionam a fabricação chinesa de veículos elétricos além das fronteiras

Tarifas e concorrência impulsionam a fabricação chinesa de veículos elétricos além das fronteiras
Sayantan Sarkar
18 de ago. de 2025, 12:38 PM
  • Os fabricantes chineses de veículos elétricos estão aumentando rapidamente os investimentos em fábricas no exterior.
  • Pela primeira vez, seus investimentos estrangeiros excederam os gastos domésticos em 2024.
  • Essa mudança é impulsionada pela intensa concorrência doméstica e pelo aumento das tarifas de exportação.

Os fabricantes chineses de veículos elétricos (EV) estão intensificando sua concorrência com a Tesla e outras montadoras internacionais, aumentando significativamente seus investimentos em fábricas no exterior.

Um relatório recente da empresa de consultoria norte-americana Rhodium Group, publicado na segunda-feira, indica uma mudança notável: pela primeira vez desde o início da coleta de dados em 2014, a cadeia de suprimentos chinesa de veículos elétricos investiu mais capital fora da China do que internamente no ano passado, disse a CNBC.

O investimento estrangeiro visou predominantemente fábricas de baterias, representando 74% do capital estrangeiro anunciado. No entanto, o relatório destacou um rápido aumento nos investimentos em fábricas de montagem no exterior.

Desafios

As montadoras chinesas estão enfrentando forte concorrência doméstica e aumento das tarifas de exportação. Consequentemente, seus planos de gastos priorizam investimentos no exterior. Essa estratégia visa garantir o apoio de governos estrangeiros para a expansão do mercado.

O relatório Rhodium disse:

O investimento doméstico chinês na fabricação de carros elétricos sofreu um declínio acentuado, caindo de US$ 41 bilhões em 2023 para US$ 15 bilhões em 2024.

Isso segue um pico em projetos anunciados de mais de US$ 90 bilhões em 2022, de acordo com dados da Rhodium.

Pela primeira vez em 2024, o investimento estrangeiro excedeu modestamente os níveis domésticos, embora o relatório não tenha especificado um número exato.

Mais negócios em pipeline

No segundo trimestre deste ano, o setor automotivo foi o segundo mais ativo para o investimento externo chinês, superado apenas pelo setor de materiais e metais. Esta informação vem de um estudo da Rhodium divulgado no final de julho.

"Registramos uma atividade maior do que o normal dos fabricantes de peças de veículos elétricos, com oito transações superiores a US$ 100 milhões", disse o relatório de julho.

As operações começaram em vários projetos de fábricas no exterior que foram anunciados nos últimos anos.

A Great Wall Motor inaugurou sua primeira fábrica no Brasil, com o anúncio feito no fim de semana.

A montadora chinesa também está contemplando o estabelecimento de outra fábrica na região, com uma decisão esperada para meados do próximo ano.

Além disso, a BYD, fabricante chinesa de carros elétricos, iniciou a produção em sua primeira fábrica brasileira em julho, mesmo depois de enfrentar multas por práticas trabalhistas no início do ano.

Em julho deste ano, a BYD já havia vendido mais de 545.000 carros internacionalmente, superando suas vendas totais no exterior de mais de 417.000 veículos em todo o ano de 2024, com base na análise da CNBC de dados disponíveis publicamente.

Em junho, o fornecedor chinês de baterias Envision iniciou a produção em sua primeira fábrica na França, após um anúncio anterior neste verão.

No entanto, apenas os projetos concluídos são incluídos nesses investimentos no exterior.

Taxa de conclusão

O relatório de segunda-feira da Rhodium indicou que apenas 25% de todos os projetos de fabricação anunciados no exterior pela indústria chinesa de carros elétricos foram concluídos.

Isso é significativamente menor do que a taxa de conclusão de 45% para projetos domésticos, com empreendimentos no exterior tendo duas vezes mais chances de serem cancelados.

O relatório disse: