O aperto de mão de US$ 90 bilhões: por dentro da cúpula de alto risco de Zelenskiy com Trump

O aperto de mão de US$ 90 bilhões: por dentro da cúpula de alto risco de Zelenskiy com Trump
Deepali Singh
19 de ago. de 2025, 01:23 AM
  • Zelenskiy "sobreviveu" a uma tensa cúpula na Casa Branca com Donald Trump.
  • Os principais líderes europeus estavam presentes para evitar um colapso diplomático.
  • Trump se gabou de sua pacificação, mas ofereceu poucos detalhes sobre a Ucrânia.

Quando Volodymyr Zelenskiy voltou à Casa Branca na segunda-feira, o ar estava cheio de fantasmas de reuniões anteriores. Sua última visita em fevereiro foi um desastre diplomático, uma repreensão pública que o deixou politicamente machucado.

Desta vez, no entanto, foi diferente.

Ladeado por um poderoso contingente de líderes europeus, o que foi anunciado como uma cúpula parecia mais uma intervenção estratégica, uma missão cuidadosamente orquestrada para navegar pelas correntes imprevisíveis de Donald Trump e emergir com a dignidade da Ucrânia - e suas perspectivas - intactas.

A ofensiva de charme e um conto de dois naipes

A mudança de tom foi palpável desde os primeiros momentos. O presidente ucraniano, que havia sido ridicularizado por especialistas pró-Trump por seu uniforme militar em fevereiro, chegou em um terno escuro, um gesto que não passou despercebido.

Ele então lançou uma ofensiva de charme calculada, armada com raciocínio rápido e bajulação de alto nível.

Depois de agradecer profusamente a Trump por seus esforços, ele até procurou estabelecer uma conexão pessoal, entregando ao presidente uma carta da primeira-dama ucraniana Olena Zelenska para ser entregue a Melania Trump. "Não é para você - [it’s] para sua esposa", disse ele a Trump.

Os europeus também aumentaram a bajulação, elogiando o presidente dos EUA.

"Eu realmente quero agradecer por sua liderança", disse o chefe da Otan, Mark Rutte. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, acrescentou que, embora a Rússia não tenha demonstrado nenhum desejo de paz, "algo mudou" graças a Trump.

O escudo diplomático da Europa

Por trás das palavras calorosas, o objetivo dos líderes europeus era claro: evitar uma repetição do colapso de fevereiro e afastar Trump de um mau acordo falado por Vladimir Putin.

Eles agiram como um escudo diplomático, mantendo a conversa nos trilhos. A reação mais substantiva veio quando os líderes se sentaram e Trump descartou a necessidade de um cessar-fogo antes que as negociações de paz pudessem começar.

"Não sei se é necessário", disse Trump.

O alemão Friedrich Merz rebateu imediatamente. "Não consigo imaginar que a próxima reunião aconteceria sem um cessar-fogo", afirmou Merz com firmeza.

"Então, vamos trabalhar nisso e vamos tentar pressionar a Rússia." Foi um momento de resistência silenciosa, mas firme, um lembrete de que não se tratava de uma negociação bilateral, mas de uma frente europeia unificada.

As bombas sob a ostentação

Enquanto Trump regalava a sala com ostentações de suas proezas de pacificação - alegando ter resolvido guerras em lugares tão distantes quanto a "República do Condomínio" - a cúpula produziu revelações incrivelmente concretas, embora não confirmadas.

O mais significativo foi a sugestão de Trump de garantias robustas de segurança dos EUA para a Ucrânia, uma preocupação primordial para Kiev em qualquer possível acordo de paz.

"Vamos dar-lhes uma boa proteção", disse o presidente, acrescentando que o próprio Putin aceitou isso como condição durante a cúpula no Alasca.

Após as reuniões, Zelenskiy colocou um número impressionante nessa proteção.

Em uma coletiva de imprensa, ele revelou que parte da garantia de segurança envolveria um acordo de armas de US$ 90 bilhões (£ 67 bilhões) entre os EUA e a Ucrânia, que incluiria aviação avançada e sistemas antimísseis.

Ele acrescentou que os EUA também comprariam drones ucranianos, uma medida destinada a financiar a produção doméstica de Kiev.

Além disso, Trump revelou que estava trabalhando ativamente para colocar os dois líderes em guerra cara a cara. Um microfone quente o pegou dizendo ao presidente francês Emmanuel Macron que acreditava que Putin estava pronto para negociar.

"Acho que ele quer fazer um acordo. Acho que ele quer fazer um acordo para mim. Você entende isso? Por mais louco que pareça", disse Trump.

Mais tarde, ele postou no Truth Social que havia falado com Putin por telefone por 40 minutos para começar a organizar uma reunião bilateral com Zelenskiy, a ser seguida por uma cúpula trilateral com os EUA.

No final, Zelenskiy deixou Washington não com um acordo de paz, mas com algo potencialmente mais valioso: a promessa de segurança, a perspectiva de uma atualização militar maciça e o apoio de um Ocidente unido que o impediu de ser considerado o único obstáculo à paz.