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PIB do Brasil no 2º tri deve desacelerar com taxas altas e riscos globais

PIB do Brasil no 2º tri deve desacelerar com taxas altas e riscos globais
Noris Soto
01 de set. de 2025, 11:14 AM
  • O PIB do Brasil no 2º trimestre deve desacelerar acentuadamente em relação ao crescimento do 1º trimestre.
  • A agricultura perde força após o aumento da colheita.
  • Cortes de juros do Copom são esperados a partir do final de 2025 para ajudar no crescimento.

A economia do Brasil provavelmente exibirá fortes indícios de enfraquecimento quando os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre forem divulgados na terça-feira.

De acordo com o meio de comunicação local InfoMoney, economistas e instituições financeiras esperam uma grande desaceleração desde o início deste ano, à medida que as altas taxas de juros domésticas e a incerteza global sobre as tarifas retaliatórias de Donald Trump começam a pesar sobre a atividade.

De acordo com a ASA Investimentos e o Banco Pine, o PIB deve crescer 0,3% trimestralmente e 2,1% ano a ano, após um ganho de 1,4% no primeiro trimestre.

O Banco Daycoval tem expectativas significativamente maiores, projetando crescimento de 0,5% para o trimestre e de 2,4% para o ano.

"Todo o crescimento econômico em 2025 deve se concentrar no primeiro semestre do ano, dado o impacto prolongado das condições financeiras restritivas e um ambiente global mais incerto sobre a atividade doméstica", afirmou o diretor de pesquisa macroeconômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira.

Pressões setoriais: a agricultura abranda, a indústria tem um desempenho inferior

A agricultura, que impulsionou o crescimento do 1º trimestre após a safra abundante de 2025, deve perder força no segundo trimestre devido a fatores sazonais.

Segundo o economista da ASA, Leonardo Costa, "a situação sugere que a economia entrou em uma trajetória de crescimento mais moderado após o impulso inicial da safra".

O Banco Pine estima que a agricultura contraiu 1,7% após um robusto aumento de 12,2% no trimestre anterior.

A equipe de pesquisa econômica do Daycoval também aponta bons resultados para o setor, mas em velocidades de "desaceleração".

A indústria tem sido particularmente lenta. A produção industrial subiu apenas 0,1% em junho em relação a maio e caiu 1,3% em relação ao ano anterior, bem abaixo das projeções de crescimento de 0,4% m/m e 0,6% a/a, segundo dados do IBGE. Tudo isso contribui para o que Costa disse ser uma desaceleração já em andamento.

O relatório do Daycoval também alerta para riscos negativos nos setores de manufatura e varejo, onde a demanda doméstica mais fraca pode surgir.

No entanto, ainda há algum potencial ascendente, principalmente na indústria automobilística, transporte e logística, que pode ganhar indiretamente com a colheita agrícola.

Dinâmica da demanda: recuos de investimento

Do lado da demanda, o investimento está emergindo como uma fraqueza significativa. O Banco Pine espera que a formação bruta de capital fixo caia 2,3% no trimestre, marcando a primeira queda em seis trimestres consecutivos de expansão.

Oliveira atribuiu isso ao aumento das taxas de juros reais e ao aumento da incerteza global, que desaceleraram os gastos das empresas.

O consumo das famílias e os gastos do governo, por outro lado, devem crescer a uma taxa modesta de 0,3%, particularmente nas categorias sensíveis ao crédito.

As contas externas devem dar um pequeno impulso, com as importações caindo 1,8% e as exportações subindo 0,7%, segundo as previsões do Pine.

Indicadores antecedentes sinalizam uma trajetória moderada

Números fracos de produção, queda nos volumes de serviços e abrandamento dos índices de confiança apontam para que a economia brasileira esteja indo em uma direção mais moderada, de acordo com Oliveira.

De acordo com os cálculos de Pine, supondo que as previsões do segundo trimestre sejam precisas, a transferência estatística para o resto de 2025 será de 2,4%.

Olhando para o futuro, Pine prevê um crescimento do PIB de apenas 0,1% no terceiro trimestre, já que a política monetária apertada continua a fechar a lacuna de produção.

"A maioria das simulações mostra que entre o 3º e o 4º trimestre de 2026, a lacuna estará próxima da neutralidade sem causar uma contração severa na economia brasileira", segundo pesquisa do Pine.

Perspectivas políticas: olhos no Copom

Apesar do arrefecimento previsto, a redução progressiva do hiato do produto e as expectativas de inflação mais baixas podem abrir caminho para uma trégua na política monetária.

O Daycoval prevê que o Comitê de Política Monetária (Copom) comece a reduzir as taxas de juros no quarto trimestre de 2025, talvez sustentando o PIB em 2026.