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Economia do Brasil desacelera no 2º tri, mas supera previsões à medida que serviços e mineração apoiam crescimento

Economia do Brasil desacelera no 2º tri, mas supera previsões à medida que serviços e mineração apoiam crescimento
Noris Soto
02 de set. de 2025, 12:31 PM
  • A economia do Brasil cresceu 0,4% no segundo trimestre, desacelerando acentuadamente em relação ao primeiro trimestre, mas superando as previsões do mercado.
  • Os gastos e serviços das famílias apoiaram o crescimento, enquanto os investimentos caíram em meio aos altos custos de empréstimos.
  • O banco central manteve as taxas em 15%, com economistas vendo espaço para cortes à medida que a inflação diminui.

A economia do Brasil desacelerou mais do que o esperado no 2º trimestre de 2025, mas ainda superou as expectativas do mercado, com apoio à atividade de serviços e ganhos da indústria extrativa.

Dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta terça-feira, mostraram que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,4% no trimestre anterior, acima do aumento trimestral de 0,3% observado em pesquisa da Reuters com economistas.

O número representou uma queda acentuada em relação ao aumento revisado de 1,3% no primeiro trimestre, quando a robusta produção agrícola sazonal impulsionou a potência agrícola. O PIB subiu 2,2% ano a ano, atendendo às estimativas do mercado.

Economistas veem uma desaceleração gradual à frente

Apesar da pequena surpresa positiva, analistas alertaram que os números indicam uma tendência de resfriamento. Gustavo Rostelato, economista da Armour Capital, disse que as estatísticas confirmam uma queda gradual no consumo das famílias.

Liam Peach, economista sênior de mercados emergentes da Capital Economics, afirmou que o crescimento mais fraco sustenta uma perspectiva de inflação melhor, permitindo que o banco central contemple o relaxamento da política monetária.

Ele espera que o PIB cresça 0,3% trimestre a trimestre nos próximos trimestres, com crescimento anual de 2,3% em 2025 e menos de 2,0% em 2026.

A orientação da política monetária continua apertada

O banco central brasileiro elevou as taxas agressivamente nos últimos 12 meses para 15%, um nível próximo a um pico de duas décadas, elevando o benchmark em 450 pb em relação a setembro.

Em julho, a taxa permaneceu inalterada e os formuladores de políticas sinalizaram a intenção de manter essa postura restritiva por um período "muito longo" para manter as expectativas de inflação sob controle.

A desaceleração no segundo trimestre pode, no entanto, pesar sobre as perspectivas de crescimento, admitiu o Ministério das Finanças.

O ministério indicou um viés moderado de baixa em sua perspectiva de crescimento para 2025, que agora é de 2,5%, dada a desaceleração mais acentuada do que o esperado e os efeitos atrasados da política monetária apertada.

O número contrastou com o forte crescimento de 3,4% registrado em 2024.

Tendências de consumo e investimento

O consumo das famílias, um motor crucial do crescimento econômico, subiu 0,5% no segundo trimestre, auxiliado pelos esforços do governo para manter os ganhos salariais.

No entanto, esse ritmo foi muito inferior ao crescimento de 1,0% observado no primeiro trimestre, enfatizando o resfriamento gradual observado pelos analistas.

O investimento, medido pela formação bruta de capital fixo, diminuiu 2,2% após aumentar no primeiro trimestre, uma vez que os altos custos de empréstimos impactaram as empresas. O consumo do governo também caiu 0,6%.

Desempenho do setor destaca quadro misto

Do lado da oferta, os serviços – que respondem por quase 70% do PIB do Brasil – cresceram 0,6% em relação ao primeiro trimestre, auxiliados por um mercado de trabalho ainda resiliente.

A produção industrial cresceu 0,5%, impulsionada por um aumento de 5,4% nas indústrias extrativas. A produção agrícola, por outro lado, caiu marginalmente, 0,1%, depois de dar uma contribuição significativa no início deste ano.

Perspectiva: crescimento mais lento, mas estável

Os números mostram uma economia se ajustando a circunstâncias monetárias mais apertadas, com o consumo diminuindo constantemente, os investimentos diminuindo e o desempenho do setor se tornando mais desigual.

Embora os serviços e as indústrias extrativas continuem a dar apoio, o quadro geral sinaliza moderação.

Os economistas preveem que a economia do Brasil permanecerá robusta, mas lenta, permitindo um relaxamento monetário até o final de 2025.

O ritmo de qualquer transição de política, no entanto, será determinado pela dinâmica da inflação e se a demanda doméstica continuará a enfraquecer sem comprometer a estabilidade macroeconômica.

Ao mesmo tempo, o tom cauteloso do Ministério da Fazenda enfatiza o ato de equilíbrio que as autoridades devem realizar: manter o ímpeto na maior economia da América Latina e, ao mesmo tempo, manter a inflação sob controle após um dos ciclos de aumento de juros mais rápidos em décadas.