Crescimento das vendas no varejo do Reino Unido caiu para 1,1% após erro do ONS

Crescimento das vendas no varejo do Reino Unido caiu para 1,1% após erro do ONS
Diya Poddar
05 de set. de 2025, 04:48 AM
  • As vendas de supermercados em abril foram revisadas de 5,5% para 0,7%.
  • As vendas no varejo de julho subiram 0,6%, acima do previsto para 0,2%.
  • Primeiro aumento mensal consecutivo nas vendas desde o início de 2025.

A precisão dos dados econômicos da Grã-Bretanha está sob novo escrutínio depois que o Escritório de Estatísticas Nacionais (ONS) admitiu um erro em seus números de vendas no varejo.

Na sexta-feira, o ONS disse que os volumes de vendas cresceram 1,1% no primeiro semestre de 2025, abaixo dos 1,7% relatados anteriormente. O erro resultou de como os estatísticos ajustaram sazonalmente os dados, levantando questões sobre a confiabilidade dos números oficiais que orientam os definidores de taxas do Banco da Inglaterra e a política do governo.

A revisão também alterou as percepções do comportamento do consumidor em um momento em que os gastos são críticos para a recuperação do país.

Correção do ONS reduz crescimento das vendas no varejo para 1,1%

O ONS disse que as revisões nos números das vendas no varejo revelam uma atividade do consumidor mais fraca do que se pensava. Os volumes de vendas aumentaram 1,1% nos primeiros seis meses de 2025, em vez da estimativa anterior de 1,7%.

As vendas de supermercados e vendas por correspondência tiveram as revisões mais pesadas. Por exemplo, esperava-se inicialmente que as vendas nos supermercados aumentassem 5,5% em abril, mas depois foram recalculadas em apenas 0,7%.

A revisão afeta o PIB apenas marginalmente. O ONS disse que o crescimento do PIB no primeiro trimestre permanece inalterado em 0,7%, e as estimativas do PIB de julho não são afetadas. As vendas no varejo contribuem com cerca de 4,8% para o PIB do Reino Unido.

As preocupações com a confiabilidade dos dados se aprofundam após repetidas revisões

Este último ajuste aumenta as preocupações sobre a precisão das estatísticas do Reino Unido. Os problemas já afetaram os principais conjuntos de dados, incluindo mercado de trabalho, inflação, PIB e vendas no varejo.

As repetidas revisões tornaram mais difícil para os formuladores de políticas avaliar a saúde da economia.

A divulgação das vendas no varejo de julho foi adiada por duas semanas, com o ONS citando a necessidade de "mais garantia de qualidade".

Analistas dizem que as estatísticas oficiais têm lutado para acompanhar as mudanças, como turnos de compras impulsionados pelo TikTok e variações sazonais.

O ONS admitiu que seu sistema não havia contabilizado adequadamente feriados como a Páscoa entre março e abril.

Os erros também resultaram de incompatibilidades entre os períodos de coleta de dados e os meses do calendário. A agência disse que ambos os problemas já foram corrigidos.

Os números revisados mostram o primeiro aumento mensal consecutivo desde o início de 2025

Apesar do crescimento semestral mais fraco, os dados de julho apontaram para uma melhora. Os volumes de varejo subiram 0,6% em relação ao mês anterior, após um ganho de 0,3% em junho, que foi revisado para baixo.

Isso marcou o primeiro aumento mensal consecutivo desde o início do ano e superou as previsões dos analistas de 0,2%.

Os novos números mudam a narrativa de que os consumidores estavam se recuperando de padrões de gastos cautelosos. Em vez disso, as revisões mostram que as famílias têm sido mais contidas do que se pensava anteriormente, limitando sua contribuição para o crescimento.

ONS promete melhorias após erros repetidos

As revisões levaram o ONS a delinear medidas para restaurar a confiança em suas estatísticas. James Benford, diretor-geral de estatísticas econômicas, pediu desculpas pelo atraso e disse que a agência alocará mais recursos para melhorar a qualidade da pesquisa.

O ONS disse que seus novos planos de melhoria se concentrarão na transparência, verificações de qualidade e relatórios mais claros para os usuários de dados.

Essas medidas visam tranquilizar os mercados, ministros e definidores de taxas de que os números em que confiam refletem com precisão o comportamento do consumidor.