Ações da Oracle saltam 31% com carteira de pedidos de nuvem de US$ 455 bilhões; analistas cautelosamente otimistas

Ações da Oracle saltam 31% com carteira de pedidos de nuvem de US$ 455 bilhões; analistas cautelosamente otimistas
Vatsala Gaur
10 de set. de 2025, 09:07 AM
  • As ações da Oracle saltaram mais de 31% no pré-mercado, com sua carteira de pedidos na nuvem subindo para US$ 455 bilhões, impulsionada pela demanda de IA.
  • A empresa assinou quatro contratos de nuvem multibilionários, com mais esperados nos próximos meses.
  • Analistas otimistas com a oportunidade de IA de longo prazo, mas alguns sinalizam preocupações com a avaliação, crescimento inorgânico.

As ações da Oracle subiram mais de 31% nas negociações de pré-mercado na quarta-feira, depois que a empresa de software corporativo revelou que sua carteira de pedidos de nuvem havia aumentado para US $ 455 bilhões e previu que a receita reservada de negócios em nuvem ultrapassaria meio trilhão de dólares nos próximos meses.

O desenvolvimento ofuscou um conjunto misto de resultados trimestrais e silenciou a orientação de curto prazo, mudando o foco do investidor para a trajetória de crescimento de longo prazo da empresa.

Para o primeiro trimestre fiscal, a Oracle divulgou lucro ajustado por ação de US$ 1,47, perdendo por pouco o consenso de Wall Street de US$ 1,48, mas subindo de US$ 1,39 um ano antes.

A receita aumentou 12% em relação ao ano anterior, para US$ 14,9 bilhões, um pouco abaixo das estimativas dos analistas.

O crescimento dos serviços em nuvem, uma métrica importante, também ficou aquém das expectativas, enquanto a orientação para o segundo trimestre deixou os investidores desapontados.

As ações da empresa, no entanto, dispararam à medida que a atenção se voltou para sua carteira de trabalhos em nuvem contratados, conhecidos como obrigações de desempenho restantes (RPO).

A Oracle disse que o RPO saltou 359% em relação ao trimestre anterior, para US$ 455 bilhões, impulsionado por quatro contratos multibilionários com três grandes clientes.

O presidente-executivo, Safra Catz, disse que acordos adicionais devem elevar o atraso para mais de meio trilhão de dólares nos próximos meses.

A demanda por IA impulsiona a expansão da nuvem

O impulso agressivo da Oracle para a computação em nuvem foi impulsionado pelo boom da inteligência artificial.

A empresa, há muito conhecida por seu software de banco de dados, agora está emergindo como um importante fornecedor de infraestrutura de nuvem de IA, competindo diretamente com a Amazon Web Services e o Microsoft Azure.

A empresa previu um crescimento de receita da Oracle Cloud Infrastructure (OCI) de 77% neste ano fiscal, para US$ 18 bilhões, e projetou US$ 144 bilhões nos próximos quatro anos.

A receita do primeiro trimestre de seus serviços de nuvem pública aumentou 55% em relação ao ano anterior.

Parcerias e estratégia híbrida da Oracle

A Oracle também fechou acordos históricos com a Amazon, Alphabet e Microsoft para executar sua OCI em suas nuvens.

A receita desses clientes aumentou 1.529% no trimestre, mostrando como a estratégia híbrida da empresa está valendo a pena.

O aumento da demanda forçou a Oracle a transformar seu modelo de negócios.

Antes conhecida por sua abordagem de licenciamento de software e com poucos ativos, a empresa agora está investindo bilhões na construção de data centers.

Espera-se que as despesas de capital cheguem a US$ 35 bilhões no ano fiscal de 2026, acima dos US$ 1,6 bilhão em 2020.

Desaceleração do legado e compensações financeiras

O pivô da Oracle para a nuvem representa oportunidade e desafio.

Entre 2012 e 2022, o crescimento médio das vendas da Oracle foi de apenas 1,6%, mas fluxos de caixa estáveis permitiram recompras de ações consistentes, reduzindo a contagem de ações em 5,3% ao ano e aumentando as métricas por ação.

Essa dinâmica agora está mudando. Com o aumento do investimento em nuvem, as recompras diminuíram e o fluxo de caixa livre ficou negativo por dois trimestres consecutivos.

A contagem de ações da empresa está subindo novamente, refletindo o custo de financiamento de sua estratégia de crescimento.

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A Oracle agora espera um crescimento de vendas no ano fiscal de 2025 de 8 a 14%, abaixo da previsão anterior de 16 a 24%, e um crescimento do lucro operacional de 10 a 16%.

Apesar das pressões de margem de curto prazo, os analistas acreditam que a carteira recorde sinaliza uma nova era de crescimento.

Os analistas da Morningstar disseram que as parcerias da Oracle com as principais empresas de IA, incluindo OpenAI e xAI de Elon Musk, a colocam em um papel central nas cargas de trabalho de treinamento e inferência.

"A aceleração sem precedentes do crescimento do RPO destaca que ainda estamos no início de um ciclo de investimento em IA de vários anos", disse Sebastien Naji, analista da William Blair, que manteve uma classificação Outperform.

"Embora as ações não sejam baratas, o impressionante RPO aponta para uma aceleração significativa na receita e no crescimento dos lucros da Oracle nos próximos anos", escreveu Naji.

As ações estão sendo negociadas a mais de 33,34 vezes suas estimativas de lucros futuros de 12 meses, em comparação com os 32,34 da Amazon e os 30,83 da Microsoft.

Falando ao Fast Money da CNBC após a divulgação dos resultados, o analista da DA Davidson, Gil Luria, descreveu as perspectivas de receita de nuvem da Oracle como "absolutamente impressionantes", observando que isso implica um aumento de dez vezes nos próximos cinco anos.

Luria, no entanto, fez uma nota de cautela.

Ele ressaltou que hiperescaladores como Microsoft e Google têm cada vez mais "descarregado sua capacidade para outros provedores de data center", o que canalizou negócios para a Oracle.

"Estes não são clientes orgânicos para a Oracle", disse Luria, mantendo uma classificação de Hold para as ações.

"Estes são clientes da Microsoft, Google e Amazon fazendo uso da capacidade da Oracle."

A Jefferies elevou a PT na Oracle de US$ 270 para US$ 360, mantendo a 'compra' das ações.