Ações do Banco do Brasil ampliam recuperação com efeito de medidas de alívio ao agronegócio

Ações do Banco do Brasil ampliam recuperação com efeito de medidas de alívio ao agronegócio
Noris Soto
11 de set. de 2025, 13:14 PM
  • As ações do Banco do Brasil subiram após caírem abaixo de R$ 20, ajudadas por medidas de alívio do agronegócio.
  • A Medida Provisória e a norma do CMN facilitam a renegociação de dívidas e a reclassificação de empréstimos.
  • Analistas veem alívio de curto prazo, mas alertam que os fundamentos permanecem frágeis.

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) voltaram a subir nesta quinta-feira, estendendo sua recuperação estável após cair abaixo de R$ 20 em agosto.

O credor estatal, que foi prejudicado este ano pela crescente inadimplência em sua carteira de empréstimos agrícolas, recebeu alívio de políticas governamentais e emendas regulatórias destinadas a reduzir a carga sobre os empréstimos rurais.

No dia 5 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aprovou uma Medida Provisória (MP) que liberou R$ 12 bilhões para renegociação de dívidas entre produtores rurais afetados por perdas relacionadas ao clima.

Há poucos dias, o Conselho Monetário Nacional (CMN) editou a Resolução nº 5.244/2025, que flexibilizou os requisitos para resolução de créditos em aberto.

De acordo com a mídia local InfoMoney, analistas acreditam que as ações combinadas podem reduzir a carga de provisionamento do Banco do Brasil, aumentar a lucratividade e restaurar a confiança dos investidores.

Safra proporciona alívio de curto prazo para rentabilidade e pressões de capital

De acordo com analistas do Safra liderados por Daniel Vaz, ambas as medidas têm impacto direto na contabilização dos empréstimos ao agronegócio e na provável rota de recuperação do banco.

A Medida Provisória estabelece um marco para a reestruturação voluntária de empréstimos a produtores rurais em condições mais favoráveis.

Enquanto isso, a resolução do CMN permite que os bancos designem operações de longo prazo como estágio 2 após 90 dias da capacidade de pagamento estabelecida.

Anteriormente, esses empréstimos podiam ser bloqueados no estágio 3, necessitando de um ciclo de pagamento completo antes da reclassificação.

Safra afirmou que a nova decisão aborda uma lacuna na resolução anterior número 4.966, que penalizava empréstimos com parcelas semestrais ou anuais.

A mudança deve liberar parte da carteira de crédito rural do Banco do Brasil, retirando os limites contábeis e retomando o reconhecimento da receita de juros.

A equipe do Safra acredita que as modificações proporcionarão alívio de curto prazo, reduzirão a pressão de capital e potencialmente adicionarão R$ 1,5 bilhão ao lucro líquido em 2026, com as provisões começando a diminuir já no quarto trimestre de 2025.

O CEO buscou uma transição suave em meio ao aumento da inadimplência

A mudança regulatória ocorre após meses de turbulência no Banco do Brasil.

Quando a CEO Tarciana Medeiros divulgou os resultados do primeiro trimestre no início deste ano, ela mencionou conversas em andamento com o Banco Central sobre maneiras de mitigar o impacto da Resolução 4.966.

A regra resultou em um aumento substancial nas inadimplências registradas, aumentando os temores dos investidores.

Em seus resultados do segundo trimestre, o Banco do Brasil divulgou que 34,6% de seus empréstimos estágio 3, no valor de R$ 32,2 bilhões, não estavam inadimplentes.

Um percentual considerável consistiu em empréstimos bullet com vencimentos mais longos, que agora podem ser reclassificados sob a atual resolução do CMN.

Reação do mercado e desempenho da participação

O sentimento dos investidores melhorou desde agosto, quando as ações do Banco do Brasil atingiram a mínima do ano de R$ 18,35. Na quinta-feira, às 10h35, as ações subiram 0,68%, para R$ 22,20, estendendo um ganho de 3,79% em setembro, após subir 8,58% em agosto.

A máxima do ano foi de R$ 29,22 em 14 de maio, pouco antes de o banco divulgar lucros mais fracos do que o esperado no primeiro trimestre e suspender parte de sua orientação.

Analistas do BTG Pactual, liderados por Eduardo Rosman, consideraram as recentes declarações "bastante favoráveis" para o banco, citando uma ordem do Banco Central datada de 17 de julho.

A diretriz permite empréstimos renegociados sob CMN ou métodos legais para evitar serem classificados como reestruturados.

De acordo com o BTG, essa distinção é crítica: alguns empréstimos que antes eram classificados como estágio 3 agora podem ser renegociados e reclassificados como estágio 1 ou 2.

Embora o ajuste não diminua as provisões, ele permite que o banco acumule receitas de juros mais cedo, em vez de apenas reconhecê-las em dinheiro.

Os riscos continuam apesar do apelo de avaliação

Apesar dos ventos favoráveis regulatórios, os analistas estão apreensivos com as perspectivas gerais. Safra ressaltou que os fundamentos permanecem instáveis, citando dívidas significativas no agronegócio e riscos crescentes de crédito para pessoas e pequenas e médias empresas.

"Não acreditamos que haja uma assimetria positiva nos fundamentos", disse a equipe do Safra, apesar de alguns investidores afirmarem que as ações estão baratas, dada a potencial flexibilização da política monetária do Brasil e as perspectivas políticas para 2026.

A Safra reafirmou sua recomendação neutra para as ações do Banco do Brasil.