Banco central do Brasil deve manter juros em 15% com persistência das pressões inflacionárias

Banco central do Brasil deve manter juros em 15% com persistência das pressões inflacionárias
Noris Soto
12 de set. de 2025, 11:59 AM
  • O Banco Central do Brasil deve manter a taxa Selic em 15% em 17 de setembro pela segunda reunião consecutiva.
  • As pressões inflacionárias persistem apesar da rara deflação mensal de agosto, com os preços anuais ainda acima da meta.
  • Os economistas veem cortes nas taxas a partir do final de 2025 ou início de 2026, com apenas uma flexibilização gradual à frente.

O Banco Central do Brasil provavelmente manterá a taxa básica de juros Selic em 15% em 17 de setembro, a segunda decisão após o hiato de julho no ciclo de aperto.

O Comitê de Política Monetária (Copom) apertou as taxas em 450 pb desde set/2024, antes de uma pausa há dois meses.

Na pesquisa mais recente da Reuters realizada de 8 a 12 de setembro, todos os 41 economistas previram movimento zero nos custos de empréstimos, já que os formuladores de políticas enfrentam pressão para manter os trabalhos de empréstimos constantes.

As recentes pressões sobre os preços ao consumidor apontaram para algum abrandamento, mas analistas dizem que a decisão reflete cautela com pressões inflacionárias teimosamente altas, um mercado de trabalho que ainda está bastante apertado e potencial risco externo.

Inflação mostra sinais mistos

O índice de preços ao consumidor do Brasil caiu 0,11% em agosto em comparação com o mês anterior, marcando a primeira queda mensal em um ano.

Em uma base anual, no entanto, os preços cresceram 5,13%, permanecendo consideravelmente acima da meta de 3% do banco central, que permite uma faixa de tolerância de 1,5 ponto percentual.

Em agosto, os custos de serviços subiram 0,39%, indicando pressões subjacentes contínuas causadas por taxas de desemprego historicamente baixas. Economistas afirmam que essa dinâmica valida a escolha do Copom de manter sua postura de holding.

"Embora o banco central tenha feito progressos em aproximar a inflação de sua meta, ele ainda enfrenta um mercado de trabalho apertado e um ambiente internacional incerto", disse José Alfaix, economista da Rio Bravo Investimentos.

Ele afirmou que, embora a valorização da moeda brasileira tenha sido benéfica, sua viabilidade a longo prazo permanece duvidosa.

Expectativas ainda acima da meta

As projeções de inflação feitas na pesquisa semanal do banco central ainda estão acima do ponto médio de 3%, embora as condições relacionadas a um real mais forte este ano tenham melhorado consideravelmente.

No mês passado, o presidente do banco central, Gabriel Galípolo, reiterou a necessidade de manter os custos de empréstimos "restritivos", citando o ritmo de convergência das expectativas de inflação em relação à meta oficial como indevidamente lento.

"As expectativas de inflação permanecem desancoradas, enquanto a tendência do núcleo de serviços subjacentes permanece alta, com um arrefecimento muito gradual", disse o economista Julio Cesar de Mello Barros, do Banco Daycoval.

"Diante desse cenário, o banco central deve reforçar sua mensagem de cautela e a necessidade de uma política monetária restritiva por um período prolongado", acrescentou o economista.

Soma-se ao tom cauteloso o aumento da incerteza sobre as novas tarifas dos EUA sobre as importações brasileiras, que influenciaram a postura recente do banco central.

Prevê-se que os formuladores de políticas usem riscos externos como motivo para manter as taxas de juros mais altas por mais tempo.

Perspectivas do mercado sobre o momento dos cortes

Embora o Copom deva permanecer estável em setembro, os investidores estão divididos sobre quando as quedas das taxas começarão.

Dos 36 economistas que responderam à pergunta da pesquisa sobre o tempo, 10 projetaram a primeira mudança em dezembro, 13 em janeiro, nove em março e o restante em outros meses. O Copom não se reúne em fevereiro.

Em relação ao valor provável do próximo ajuste, 23 entrevistados esperavam uma modesta redução de 25 pontos-base, enquanto 12 previam um corte de 50 pontos. Um meteorologista previu um movimento maior de 100 pontos.

Trajetória Selic até 2026

A projeção trimestral mediana sugere que a taxa Selic continuará em 15% até o final de 2025.

Os economistas preveem uma redução gradual a partir do início de 2026, com o benchmark previsto para cair 75 pontos-base para 14,25% até o final do primeiro trimestre.

A perspectiva reflete a ênfase do banco central na cautela. Apesar do sucesso em conter a inflação, as pressões estruturais em serviços e trabalho, combinadas com a incerteza internacional, incentivaram o Copom a manter sua política restritiva.

Por enquanto, a Selic parece estar em seu nível mais alto em décadas, enquanto as autoridades aguardam indícios mais concretos de desinflação.