Brasil amplia programa "DNA de Ouro" para combater o garimpo ilegal na Amazônia

Brasil amplia programa "DNA de Ouro" para combater o garimpo ilegal na Amazônia
Sayantan Sarkar
24 de set. de 2025, 09:47 AM
  • A polícia brasileira expandiu seu programa de "DNA de ouro" para rastrear ouro ilegal de minas da Amazônia através das fronteiras.
  • Acordos com a França e discussões com a Colômbia visam criar um banco de dados de ouro pan-amazônico.
  • O aumento da fiscalização no Brasil levou grupos criminosos a exportar ouro para países vizinhos.

Investigadores da Polícia Federal brasileira estão expandindo um programa para outros países, permitindo que eles rastreiem ouro de garimpos ilegais na Amazônia.

Essa iniciativa visa prender criminosos que contrabandeiam ouro através das fronteiras para evitar a fiscalização mais rígida do Brasil, de acordo com um relatório da Reuters.

Este mês, os preços do ouro atingiram níveis sem precedentes, atingindo uma série de recordes.

A instabilidade política global levou os investidores a buscar refúgio em ativos seguros, tornando o metal precioso um alvo atraente para operações ilegais de mineração na floresta amazônica.

O programa de "DNA de ouro" do Brasil cataloga a assinatura morfológica única do ouro.

Isso permite que a polícia vincule o ouro apreendido a áreas específicas da floresta tropical, conectando-o a danos ambientais causados pela mineração ilegal.

O Brasil iniciou seu primeiro processo usando essa técnica em 2023.

No entanto, à medida que as organizações criminosas estendem suas operações, o ouro extraído ilicitamente é transportado de uma nação para fundições em outra.

As agências de aplicação da lei enfatizam a necessidade de expandir sua biblioteca de ouro para combater essa tendência crescente de forma eficaz.

"Quando tivermos amostras de todas as áreas produtoras de ouro em toda a região Pan-Amazônica, nosso banco de dados de ouro estará completo, permitindo-nos identificar cientificamente a origem das amostras apreendidas", disse Humberto Freire, chefe do Departamento de Amazônia e Meio Ambiente da Polícia Federal do Brasil, citado na reportagem da Reuters.

Banco de dados da Amazon

O trabalho de expansão já começou com uma série de acordos assinados pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e pelo presidente francês Emmanuel Macron.

Esses acordos concederam às polícias do Brasil e da Guiana Francesa acesso às amostras do banco de dados um do outro, aumentando assim a cooperação entre os investigadores.

Em agosto, Freire se reuniu com o ministro da Defesa colombiano, Pedro Sánchez, para discutir a implementação do programa na Colômbia.

Na Colômbia, as organizações criminosas frequentemente lavam dinheiro obtido do tráfico de drogas por meio de operações de mineração ilegal.

Autoridades de toda a região estão preocupadas que essa prática possa se espalhar para outros países, complicando as investigações.

Nos últimos anos, as autoridades colombianas descobriram cada vez mais brasileiros trabalhando em minas de ouro ilegais perto da fronteira, de acordo com relatórios da Polícia Nacional e do Ministério da Defesa da Colômbia.

Os esforços de rastreamento de ouro da Polícia Federal brasileira inspiraram a Interpol a criar o Projeto Gaia, uma iniciativa apoiada pelo governo alemão.

Este projeto tem como objetivo capacitar agências policiais em todo o mundo no método brasileiro de catalogação de ouro.

O secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, que também é oficial da Polícia Federal brasileira, defendeu o mapeamento das regiões produtoras de ouro como uma estratégia fundamental para investigações eficazes sobre a mineração ilegal.

Contrabandistas de ouro adaptam táticas em meio à repressão

Sob o governo Lula, o aumento das investigações e incursões contra garimpeiros ilegais obrigou grupos criminosos a buscar vias internacionais.

Esses grupos agora estão exportando ouro para países vizinhos para processamento e venda, uma fonte da Polícia Federal no Brasil foi citada no relatório.

Além disso, as ações de fiscalização lideradas pelo Estado, incluindo uma decisão da Suprema Corte que obriga as fundições a verificar as origens do ouro, dificultaram significativamente a entrada de ouro extraído ilegalmente no mercado.

Erich Moreira Lima, que lidera o programa de rastreamento de ouro do Brasil, foi citado no relatório:

Os dados já revelam essa mudança, segundo os investigadores. O comércio de ouro diminuiu significativamente no ano passado, com os confiscos da Polícia Federal caindo de um recorde de 308 kg em 2023 para 80 kg.

No entanto, entre janeiro e agosto deste ano, 253 kg de ouro foram confiscados pela polícia.

Os investigadores suspeitam que metade desse ouro foi destinada a fundições venezuelanas. A polícia federal está agora analisando o "DNA" do ouro apreendido para determinar sua origem.