UE atrasa lei anti-desmatamento; Malásia congratula-se com adiamento

UE atrasa lei anti-desmatamento; Malásia congratula-se com adiamento
Sayantan Sarkar
25 de set. de 2025, 02:25 AM
  • A lei anti-desmatamento da UE enfrenta um segundo atraso.
  • A agência de óleo de palma da Malásia aprova o atraso, citando preocupações práticas.
  • O EUDR visa commodities como óleo de palma, exigindo fornecimento sustentável.

A agência estatal de óleo de palma da Malásia expressou sua aprovação à mais recente proposta da União Europeia para adiar a implementação de sua inovadora lei anti-desmatamento.

Isso marca a segunda vez que a UE considera adiar o lançamento dessa legislação significativa, que visa impedir que produtos ligados ao desmatamento entrem no mercado europeu.

A recepção positiva da agência da Malásia ressalta o diálogo contínuo e os desafios potenciais enfrentados pelas principais nações produtoras de óleo de palma na adaptação às novas regulamentações ambientais internacionais.

O Conselho de Óleo de Palma da Malásia (MPOC) divulgou um comunicado indicando que a decisão de adiar ou reconsiderar a implementação do regulamento proporcionaria um momento crucial para a União Europeia.

Este período permitiria à UE abordar exaustivamente uma série de preocupações que foram levantadas tanto no que diz respeito à aplicação prática do regulamento como às suas falhas operacionais e estruturais inerentes.

Regulamentação do desmatamento

O Regulamento de Desmatamento da União Europeia (EUDR) representa um passo significativo na luta global contra o desmatamento e a degradação florestal.

Esta legislação histórica visa proibir a importação de certos produtos de base para o mercado da UE se estiverem ligados à destruição de florestas, garantindo assim que os produtos consumidos pelos cidadãos europeus não contribuam para danos ambientais noutras partes do mundo.

O escopo da EUDR é amplo, abrangendo uma série de commodities importantes que historicamente têm sido os principais impulsionadores do desmatamento.

Isso inclui, mas não se limita a, soja, carne bovina, cacau e óleo de palma. Cada uma dessas commodities tem um impacto substancial no uso da terra e, consequentemente, na saúde das florestas globais.

Por exemplo, a expansão do cultivo de soja, particularmente em regiões como os biomas Amazônia e Cerrado, levou ao desmatamento de vastas áreas de floresta para terras agrícolas.

Da mesma forma, a produção de carne bovina geralmente requer extensas áreas de pastagem, o que pode resultar na conversão de paisagens florestais em pastagens.

O cultivo de cacau, uma commodity global significativa, também tem sido associado ao desmatamento, principalmente na África Ocidental.

E o óleo de palma, um ingrediente onipresente em muitos produtos de consumo, tem sido um notório impulsionador do desmatamento no Sudeste Asiático, levando à perda de habitat e emissões significativas de carbono.

Ao impor essas restrições, o EUDR busca criar uma cadeia de suprimentos mais sustentável para essas commodities.

Exigirá que as empresas que importam esses produtos para a UE realizem a devida diligência, demonstrando que seus produtos não foram produzidos em terras que foram desmatadas após uma data limite específica.

Desafios e preocupações

O MPOC levantou dúvidas sobre a praticidade do regulamento, especialmente devido aos investimentos significativos que as empresas fizeram para cumprir e o esforço mais amplo da indústria para melhorar a sustentabilidade.

A associação disse:

A UE adiou anteriormente a lei por um ano devido a objeções da indústria e de parceiros comerciais como Brasil, Indonésia e Estados Unidos, que levantaram preocupações sobre os custos de conformidade.

A Malásia, um dos principais produtores globais de óleo de palma, expressou preocupação com a carga regulatória do cumprimento da lei e sua designação pela UE como uma nação de "risco padrão".

Os regulamentos da UE exigem inspeções para 3% de todas as remessas de países de "risco padrão". Por outro lado, os países de "baixo risco" estão sujeitos a requisitos menos rigorosos de due diligence.