Partido pró-europeu vence eleição na Moldávia com 50% dos votos

Partido pró-europeu vence eleição na Moldávia com 50% dos votos
Diya Poddar
29 de set. de 2025, 05:36 AM
  • O PAS da Moldávia obteve 50% dos votos, garantindo a maioria parlamentar.
  • O líder da oposição Igor Dodon reivindicou a vitória e convocou protestos.
  • 12.000 eleitores da Transnístria enfrentaram viagens e atrasos nas seções eleitorais.

O Partido de Ação e Solidariedade (PAS) pró-europeu da Moldávia, liderado pela presidente Maia Sandu, deve formar um governo majoritário depois de garantir 50% dos votos em uma eleição parlamentar intimamente ligada ao futuro relacionamento do país com a União Europeia.

Com a maior parte dos 1,6 milhão de votos contados, o PAS ficou muito à frente do Bloco Eleitoral Patriótico pró-Rússia, que obteve menos de 25%.

A votação foi marcada por riscos de segurança elevados, acusações de interferência russa e pedidos de protestos de grupos de oposição, ressaltando o frágil equilíbrio que a Moldávia enfrenta entre a integração europeia e a influência russa.

Resultados confirmam maioria para SAP

De acordo com os primeiros resultados, o PAS deve conquistar 55 dos 101 assentos parlamentares, o suficiente para governar sem formar alianças.

Quatro anos antes, o partido obteve 52,8% dos votos e, desta vez, fortaleceu ainda mais sua posição.

A participação chegou a 52%, maior do que nas últimas eleições. O bloco pró-Rússia liderado por Igor Dodon permaneceu muito atrás, mesmo quando Dodon reivindicou a vitória antes que qualquer resultado fosse anunciado oficialmente.

Dodon convocou protestos do lado de fora do Parlamento na capital, Chisinau, pedindo aos partidários da oposição que se manifestassem ao meio-dia de segunda-feira.

Ele alegou que o governo do PAS deveria deixar o poder imediatamente, embora nenhuma pesquisa de boca de urna tenha apoiado suas reivindicações.

Incidentes de segurança e sustos de bomba

A atmosfera tensa da eleição foi ressaltada por vários sustos de bombas nas seções eleitorais, não apenas na Moldávia, mas também na Itália, Romênia, Espanha e Estados Unidos, onde os moldavos no exterior estavam votando.

De acordo com uma reportagem da BBC, três pessoas foram presas na Moldávia por supostamente planejar distúrbios no dia seguinte ao fechamento das urnas.

A polícia também relatou prisões ligadas a supostas desinformações apoiadas pela Rússia e tentativas de desestabilizar o país.

Alguns indivíduos foram acusados de passar por treinamento com armas de fogo na Sérvia para coordenar distúrbios.

Uma investigação revelou evidências de pagamentos oferecidos para espalhar propaganda pró-Rússia e notícias falsas.

Dentro das seções eleitorais, câmeras foram instaladas com vista para as urnas para garantir a transparência.

Os monitores eleitorais confirmaram que as imagens seriam revisadas se alguma violação fosse relatada.

Participação e desafios na Transnístria

A região separatista da Transnístria, na Moldávia, onde as tropas russas permanecem estacionadas, também desempenhou um papel na eleição.

Os residentes do enclave possuem passaportes moldavos, mas o comparecimento foi significativamente menor do que nos últimos anos, com pouco mais de 12.000 pessoas votando.

Muitos tiveram que viajar mais de 20 km para chegar às seções eleitorais do outro lado da fronteira administrativa.

Filas de carros foram vistas se estendendo à distância, enquanto a polícia moldava verificava documentos e veículos antes da entrada.

Alguns eleitores da região reclamaram de atrasos causados por sustos de bombas, que os forçaram a mudar de local de votação.

Outros acusaram as autoridades de dificultar deliberadamente o voto.

Futuro da UE em jogo

Sandu, que foi reeleito em novembro passado, alertou sobre a "interferência russa maciça" antes da abertura das urnas, descrevendo a votação como crítica para a democracia da Moldávia e seu futuro na UE.

A Moldávia recebeu o status de candidato à UE em 2022, logo após a Rússia lançar sua invasão em grande escala da Ucrânia.

Enquanto os apoiadores do PAS veem o resultado como a confirmação de um caminho pró-europeu, as vozes da oposição na Transnístria e no Bloco Eleitoral Patriótico afirmam que o governo não cumpriu as promessas.