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Lula pede a Trump que suspenda tarifa de 40% sobre produtos brasileiros enquanto líderes planejam reunião

Lula pede a Trump que suspenda tarifa de 40% sobre produtos brasileiros enquanto líderes planejam reunião
Noris Soto
06 de out. de 2025, 15:27 PM
  • Lula pediu a Trump que retirasse a tarifa de 40% sobre produtos brasileiros em meio à tensão entre os dois países.
  • Ambos os líderes realizaram uma ligação amigável de 30 minutos.
  • Lula propôs reunião durante a Cúpula da ASEAN e está disposto a viajar para os EUA.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que elimine uma tarifa de 40% cobrada sobre produtos brasileiros e reverta as medidas restritivas que Washington impôs às autoridades brasileiras, disse o governo do Brasil na segunda-feira.

O pedido foi feito durante um telefonema de 30 minutos no início do dia, que ambos os lados descreveram como cordial.

Lula e Trump conversaram por telefone, logo concordaram em se encontrar pessoalmente e trocaram números de celular pessoais para ter um canal direto, anunciou Brasília.

Lula sugeriu uma reunião a ser realizada na próxima cúpula da Asean na Malásia e acrescentou que também estava disposto a viajar para os Estados Unidos, se necessário, disse o governo.

Chamada "Muito Boa" focada em comércio e economia

Falando nas redes sociais após a ligação, Trump disse que a conversa foi "muito boa" e que eles discutiram as relações econômicas e comerciais entre as duas nações.

Vamos ter mais conversas e nos ver em um futuro não muito distante, aqui no Brasil e nos EUA", disse.

O ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad, chamou a ligação de "construtiva" e proposital e mais tarde disse a repórteres em Brasília que a ligação foi "positiva", enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin disse que a ligação foi "melhor do que o esperado".

Alckmin disse estar confiante de que as discussões podem levar a um fortalecimento das relações entre as duas maiores economias das Américas.

Mercados atentos a sinais de desescalada

O potencial degelo ocorre em meio a um momento particularmente tenso para as perspectivas comerciais do Brasil. Washington impôs uma de suas tarifas mais altas ao Brasil.

No início, o Brasil teve que pagar um imposto de importação de mercadorias de 10%, mas a tarifa sobre algumas exportações importantes foi aumentada por Trump para 40%, dando uma taxa total de 50%.

A ação abalou os mercados brasileiros e disparou novos alarmes para os exportadores que já lutam com a fraca demanda global.

Na época, Trump disse que veio em reação ao que chamou de "caça às bruxas" contra Bolsonaro – seu aliado político – que mais tarde recebeu uma sentença de 27 anos de prisão por tentar orquestrar um golpe para se manter no poder nas eleições de 2022 que o viu perder para Lula.

Sanções aprofundam divisão diplomática

Sob a Lei Magnitsky, o governo Trump também sancionou o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que presidiu o julgamento de Bolsonaro.

Também cancelou os vistos de vários altos funcionários, incluindo o do procurador-geral Jorge Messias.

O governo brasileiro criticou as medidas como injustificadas e politicamente motivadas, aumentando as tensões entre Washington e Brasília.

Lula falou sobre o assunto durante seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas no mês passado, onde, sem nomeá-lo diretamente, disse que "não havia justificativa para medidas unilaterais e arbitrárias contra as instituições e a economia do Brasil".

Muitos viram seus comentários como uma indicação de um aceno negativo em relação às restrições dos EUA.

Diálogo renovado após o encontro com a ONU

O bate-papo de segunda-feira ocorreu após uma breve reunião entre os dois presidentes na Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York no mês passado.

Após esse encontro, Trump afirmou que pretendia se encontrar com Lula novamente e enfatizou sua "excelente química", gerando esperanças de uma possível redefinição nas relações bilaterais.

Lula acredita que a redução das tensões comerciais com Washington ajudará investidores e exportadores a recuperar a confiança.

Um pacto pode ser um começo prático para curar as relações desgastadas com uma das maiores democracias da América Latina, de acordo com Trump, que destacou a influência econômica dos Estados Unidos nas negociações externas.

Embora nenhuma data tenha sido agendada para a próxima reunião, ambos os lados mostraram prontidão para continuar as conversas.

Não está claro se esse diálogo resultará na remoção da tarifa de 40% e em uma normalização mais ampla das relações.