Congresso corre para aprovar medida fiscal importante antes do prazo final da meia-noite

Congresso corre para aprovar medida fiscal importante antes do prazo final da meia-noite
Noris Soto
08 de out. de 2025, 12:31 PM
  • O Congresso corre para aprovar a Medida Provisória 1.303/25 antes que ela expire à meia-noite.
  • O projeto visa garantir mais de R$ 17 bilhões em 2026, depois que o governo retirou o aumento do imposto IOF.
  • A não aprovação da medida seria um golpe político e fiscal para o governo Lula.

A Câmara dos Deputados e o Senado trabalham duro nesta quarta-feira para votar a Medida Provisória 1.303/25, também conhecida como MP alternativa do IOF, antes que ela expire à meia-noite.

Sem a aprovação parlamentar da medida dentro do prazo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreria uma derrota política e orçamentária.

O projeto, patrocinado pelo deputado Carlos Zarattini (PT-SP), é visto como essencial para equilibrar as contas públicas do país para 2026 e 2027, após o governo desistir do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Haddad espera aumentar a receita e mostrar seu compromisso com a disciplina fiscal com a medida, que representa uma pequena parte de seu ambicioso pacote de receita.

A comissão mista do Congresso aprovou o MP por 13 votos a favor e 12 contra na terça-feira, após semanas de negociações.

Hoje, nas votações plenárias em ambas as câmaras, seu futuro será determinado.

Um ato de equilíbrio entre receita e setores econômicos

Zarattini disse que a revisão do texto "garante a sustentabilidade das contas públicas sem prejudicar os setores produtivos".

Suas mudanças mostram as sensibilidades políticas em torno de novos impostos e o esforço do governo para manter isenções nos setores que acredita serem vitais para o crescimento.

A primeira versão previa novas receitas de R$ 20,9 bilhões e cortes de gastos de R$ 10,7 bilhões em 2026. Mas esses números foram reduzidos durante as negociações.

As modificações feitas pelo relator deixaram intocadas as isenções de imposto de renda para letras de crédito imobiliário (LCI), letras de crédito do agronegócio (LCA) e debêntures incentivadas.

Ele também rescindiu uma ideia anterior de aumentar os impostos sobre sites de jogos de azar na Internet.

Consequentemente, o ministro Fernando Haddad agora estima uma receita líquida de "pelo menos R$ 17 bilhões" em 2026 – menos do que o projetado inicialmente, mas ainda relevante quando se trata das metas fiscais do país.

Regularização de apostas para compensar perdas de receita

Como medida para compensar a perda de imposto de renda, Zarattini lançou uma proposta de regularização de apostas chamada RERCT Litígio Zero Bets.

A iniciativa se aplica a empresas que funcionaram sem licença de 2014 a 2024, permitindo-lhes regularizar sua atividade comercial.

Como parte da proposta, as empresas seriam tributadas em 15% mais uma multa sobre 100% do valor.

O programa pode gerar até R$ 5 bilhões (US$ 1,0 bilhão) em receita extra de curto prazo e dar um respiro às contas fiscais enquanto regula um setor atraente, mas na prática não regulamentado, disse Haddad.

Vale ressaltar que a medida também reflete a crescente dependência do governo do dinheiro dos impostos do jogo como fonte de receitas orçamentárias.

Esforços recentes para regular e tributar as apostas online encontraram obstáculos políticos, com os legisladores divididos, em parte, sobre se há algo pernicioso na economia do jogo online que justifique deixá-la na economia informal e, em caso afirmativo, por que isso acontece.

Prazo da meia-noite paira sobre o Congresso

A aprovação da medida é urgente: ela deve passar pela Câmara dos Deputados e pelo Senado e ser assinada pelo presidente até quarta-feira às 23h59.

Não fazer isso resultaria na expiração automática do MP, privando o governo de uma de suas principais ferramentas de arrecadação de receitas e equilíbrio fiscal para o próximo ano.

Se a medida falhar, o governo Lula enfrentará um déficit imediato em seu plano fiscal para 2026, o que pode minar a confiança dos investidores e complicar as negociações orçamentárias nos próximos anos.

"O plenário vai votar", anunciou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na noite de terça-feira, indicando que a proposta seria entregue ao plenário antes do prazo de meia-noite.

Com o relógio correndo, o resultado será um teste decisivo para a capacidade do governo de reunir o Congresso em torno de seu programa econômico, bem como um indicador de quanto capital político Lula está disposto a investir para manter a política fiscal do Brasil nos trilhos.