Ouro a caminho de US$ 6.000? É ilusão ou destino?

Ouro a caminho de US$ 6.000? É ilusão ou destino?
Wajeeh Khan
11 de out. de 2025, 10:36 AM
  • A alta do preço do ouro o empurrou acima do nível de US$ 4.000 em 2025.
  • É o rali mais forte que o metal já viu desde a década de 1970.
  • O CIO de Livermore ainda vê o ouro subindo ainda mais para US$ 6.000.

O rali explosivo do ouro surpreendeu os mercados este ano. O ouro à vista e a Comex ultrapassaram US$ 4.000 a onça pela primeira vez, marcando um aumento de mais de 50% no acumulado do ano – o rali mais forte desde a década de 1970.

O apetite dos investidores está aumentando, com ETFs de ouro como o SPDR registrando entradas recordes: US$ 13 bilhões no mês passado e US$ 60 bilhões até agora este ano, de acordo com o World Gold Council.

Ainda assim, David Neuhauser, CIO da Livermore Partners, acredita que o rali está longe de terminar.

"Ver o ouro sendo negociado em torno de US$ 6.000 a onça não está tão longe", disse ele à CNBC, citando a instabilidade macro e a ansiedade dos investidores como os principais impulsionadores.

O caso de alta do ouro: degradação, dívida e demanda

Neuhauser atribui a força do ouro ao que ele chama de "comércio de degradação" – uma crescente desconfiança na política fiscal e monetária.

"À medida que as economias se tornam mais polarizadas, a dívida se torna uma questão importante", disse ele.

Com os bancos centrais lutando contra a inflação e os governos apoiando-se no estímulo fiscal, o ouro é cada vez mais visto como uma proteção contra o risco sistêmico.

A Livermore Partners previu uma violação de US$ 3.000 até 2025 – um marco que foi ultrapassado meses atrás. Agora, com o ouro em US$ 4.000, o fundo vê mais vantagens.

"A pungência vai continuar por muito tempo", acrescentou Neuhauser, sugerindo que o papel do metal como porto seguro está sendo reafirmado em meio à incerteza global.

Catalisadores curinga do ouro: euforia da IA e fragilidade do mercado

Além dos fundamentos macroeconômicos, Neuhauser aponta para o boom de ações impulsionado pela tecnologia como um potencial acelerador para o ouro.

O comércio de inteligência artificial (IA) tem estado em alta, elevando as ações de tecnologia e alimentando o otimismo dos investidores.

Mas se esse ímpeto vacilar, seja devido a decepções nos lucros, ventos contrários regulatórios ou redefinições de avaliação, o ouro pode se beneficiar de uma fuga para a segurança.

Nesse cenário, Neuhauser vê um movimento mais acentuado e volátil em direção a US$ 6.000 como plausível, não apenas possível.

O que esperar do ouro: uma moagem lenta ou um pico repentino

Ainda não se sabe se o caminho do ouro para US$ 6.000 é uma subida constante ou uma corrida alimentada pela crise.

"Ou será uma moagem lenta, pois a inflação permanece relativamente alta e o estímulo fiscal continua, ou será outra coisa que vai enervar a economia global", explicou Neuhauser.

Por enquanto, o ímpeto do metal é inegável, e os fluxos de investidores sugerem que a convicção está crescendo.

À medida que as tensões geopolíticas fervem e os encargos da dívida aumentam, o fascínio do ouro só pode ficar mais forte. Ilusão ou destino? A resposta pode não estar no ouro em si, mas na fragilidade do sistema que ele procura proteger.