Por que as ações da Netflix caíram mais de 6% nas negociações de pré-mercado após os resultados do 3º trimestre

Por que as ações da Netflix caíram mais de 6% nas negociações de pré-mercado após os resultados do 3º trimestre
Noris Soto
22 de out. de 2025, 07:18 AM
  • A Netflix perdeu as estimativas de lucro do terceiro trimestre devido a uma despesa tributária de US$ 619 milhões no Brasil, fazendo com que as ações caíssem 5,6%.
  • A empresa prevê receita e lucro ligeiramente maiores no 4º trimestre, citando uma forte linha de conteúdo de final de ano.
  • A publicidade atinge trimestre recorde, mas as taxas de assinatura continuam sendo o principal impulsionador do crescimento.

A Netflix Inc. perdeu as projeções de lucro do terceiro trimestre de Wall Street devido a uma inesperada conta de impostos no Brasil, mas a empresa forneceu uma perspectiva um pouco melhor para o restante do ano.

As ações da gigante do streaming caíram 5,6%, para US$ 1.171,24, nas negociações após o expediente na terça-feira, com os investidores respondendo à divulgação dos resultados.

No momento em que este artigo foi escrito, as ações da Netflix caíram cerca de 6,5% nas negociações de pré-mercado.

Revés inesperado da disputa fiscal no Brasil

A Netflix registrou lucro líquido de US$ 2,5 bilhões no terceiro trimestre, abaixo das estimativas dos analistas de US$ 3,0 bilhões, com lucro diluído por ação de US$ 5,87 contra os US$ 6,97 esperados, de acordo com dados da LSEG.

A receita foi de US$ 11,5 bilhões, em linha com as previsões.

Os resultados foram prejudicados por uma cobrança fiscal de US$ 619 milhões relacionada a uma disputa surpresa no Brasil.

A Netflix disse que sua margem operacional, excluindo a cobrança, teria excedido sua previsão de 31,5%, embora a margem relatada para o trimestre tenha sido de 28%.

A empresa caracterizou a questão tributária como um evento único e não espera que isso afete materialmente os próximos resultados.

O analista Paolo Pescatore, da PP Foresight, chamou o trimestre de "robusto" no geral, mas observou que a despesa pode pressionar as ações.

Perspetivas para o futuro: perspetivas ligeiramente mais elevadas para o 4º trimestre

A Netflix estimou uma receita de US$ 11,96 bilhões no quarto trimestre, um pouco acima da projeção de Wall Street de US$ 11,90 bilhões.

A empresa previu lucro diluído por ação de US$ 5,45, um centavo acima das expectativas dos analistas.

A empresa afirmou que estava "terminando o ano com bom impulso", destacando uma "emocionante lista do 4º trimestre" que incluía a temporada final de Stranger Things em novembro e dezembro, bem como dois jogos ao vivo da National Football League no dia de Natal.

A Netflix também afirmou que o terceiro trimestre foi o melhor período de vendas de publicidade, mas se recusou a oferecer dados exatos.

Os analistas viram isso como uma indicação positiva para o nível suportado por anúncios da empresa, mas também enfatizaram que a receita de assinaturas continua a impulsionar a maior parte do crescimento da Netflix.

Mudando o foco para além das assinaturas

Depois de ultrapassar 300 milhões de clientes em todo o mundo, a empresa buscou ampliar sua base de negócios.

A Netflix recentemente deixou de relatar assinantes, levando os investidores a prestar atenção à receita e ao lucro.

Ultimamente, a empresa tem se ramificado em videogames e publicidade, mas nenhuma dessas divisões pode gerar receita significativa neste momento.

À medida que a Netflix vê mais concorrência de serviços como YouTube, Prime Video da Amazon, Disney + e outros, os executivos se referem a ambos os segmentos como oportunidades de crescimento ao longo do tempo.

O negócio de mídia mais amplo também está passando por uma transformação significativa, com a provável venda da Warner Bros Discovery (WBD. O) ganhando atenção.

De acordo com a CNBC, a Netflix foi uma das partes interessadas em avaliar os ativos da Warner Bros.

Abordagem cautelosa para a consolidação do setor

O co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, enfatizou que a empresa permanece seletiva em suas aquisições, priorizando a propriedade intelectual sobre as redes de mídia tradicionais.

"Podemos e seremos exigentes", disse Sarandos a analistas, acrescentando que "nada é obrigatório para atingirmos nossos objetivos de negócios".

O co-CEO Greg Peters ecoou essa postura, observando que a potencial consolidação entre os concorrentes não afetaria materialmente as perspectivas da Netflix.

"Observar alguns de nossos concorrentes potencialmente crescerem por meio de fusões e aquisições não muda por si só, pelo menos nossa visão, o cenário competitivo", disse Peters aos acionistas.