Nikkei 225 ultrapassa marco de 50.000 antes da visita de Trump a Tóquio

Nikkei 225 ultrapassa marco de 50.000 antes da visita de Trump a Tóquio
Devesh Kumar
27 de out. de 2025, 01:56 AM
  • O Nikkei 225 quebra 50.000 em meio ao otimismo do estímulo e ao alívio das tensões globais.
  • Trump visitará Tóquio enquanto promessas de investimento e defesa de US$ 550 bilhões do Japão para os EUA enfrentam escrutínio.
  • A trégua EUA-China sinaliza a flexibilização dos riscos tarifários e eleva as ações asiáticas.

O mercado de ações do Japão atingiu um marco histórico na segunda-feira, quando o Nikkei 225 ultrapassou o nível psicologicamente significativo de 50.000 pela primeira vez na história.

O índice de referência fechou em 50.367,38, alta de 2,17%, com ganhos acumulados no ano atingindo impressionantes 25,80%.

Este rali histórico ocorre em um momento crucial para o Japão, já que o presidente dos EUA, Donald Trump, está pronto para chegar a Tóquio para conversas bilaterais cruciais com a recém-nomeada primeira-ministra Sanae Takaichi, preparando o terreno para discussões sobre comércio, defesa e investimentos japoneses maciços na América.

A convergência do otimismo fiscal doméstico e o alívio das tensões internacionais impulsionaram as ações japonesas a níveis sem precedentes, ressaltando a confiança renovada na segunda maior economia da Ásia.

Nikkei 225: O que está alimentando o impulso do mercado?

O Nikkei passando de 50.000 não é um acaso; É o produto do otimismo político local e de notícias geopolíticas melhores do que o esperado, levando os investidores ao modo de risco.

Um grande impulsionador é o novo manual econômico do primeiro-ministro Takaichi. Com apenas uma semana de trabalho, ela está lançando um pacote de estímulo que deve chegar a 13,9 trilhões de ienes, cerca de US$ 92 bilhões.

Seu plano ataca três frentes ao mesmo tempo: aliviar a pressão inflacionária sobre as famílias, despejar dinheiro em setores futuros, como IA e chips, e reforçar a segurança nacional à medida que as tensões esquentam na região.

Mas não é apenas a política doméstica que alimenta o rali. Os investidores também receberam um impulso surpresa de Washington e Pequim.

No fim de semana em Kuala Lumpur, negociadores americanos e chineses chegaram a um acordo preliminar sobre vários pontos críticos, desde exportações de terras raras e tarifas até a aplicação do fentanil.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que a ameaça de Trump de tarifas de 100% sobre as importações chinesas está agora "basicamente fora da mesa", enquanto a China concordou em comprar mais soja e adiar restrições mais rígidas à exportação de terras raras.

O alívio foi sentido em toda a Ásia: o índice TOPIX mais amplo do Japão também saltou 1,72%, para 3.325,82, atingindo seu próprio recorde.

Cúpula Trump-Takaichi: Equilibrando compromissos de investimento e gastos com defesa

A visita do presidente Trump ao Japão está se tornando um grande teste de estresse para a primeira-ministra Sanae Takaichi, já que ela tem que fazer malabarismos com as demandas de Washington enquanto mantém seus próprios eleitores a bordo em casa.

Os dois líderes se encontrarão na terça-feira no Palácio Akasaka, o mesmo local onde Trump se encontrou com Shinzo Abe há seis anos.

A agenda é dominada por dois tópicos interligados: o investimento planejado de US$ 550 bilhões do Japão nos EUA e a promessa de Tóquio de aumentar os gastos com defesa.

Takaichi não está começando do zero com Trump. Ela era próxima de Abe, que construiu um relacionamento pessoal com Trump por meio de intermináveis rodadas de diplomacia de golfe, e ela parece já ter conquistado uma posição favorável com ele.

Esse enorme compromisso de US $ 550 bilhões, intermediado pelo ex-ministro Ryoji Akazawa após oito viagens a Washington, não saiu barato.

O Japão concordou em investir mais de 10% de seu PIB para apoiar as prioridades dos EUA em troca de tarifas mais leves do que Trump havia ameaçado originalmente.

O problema? Três meses depois, nenhum dos lados concordou sobre como esse dinheiro será realmente usado, e as autoridades japonesas estão nervosas com a possibilidade de a equipe de Trump direcionar os fundos para projetos que não atendem aos interesses estratégicos do Japão.

Nas próximas negociações, espera-se que Trump assuma o controle sobre para onde vai o dinheiro, enquanto Takaichi tentará garantir que o Japão não perca influência no processo.