Lucro da Shell no 3º tri atinge US$ 5,4 bilhões, alimentando nova recompra de US$ 3,5 bilhões

Lucro da Shell no 3º tri atinge US$ 5,4 bilhões, alimentando nova recompra de US$ 3,5 bilhões
Diya Poddar
30 de out. de 2025, 05:32 AM
  • A dívida líquida caiu para US$ 41,2 bilhões, de US$ 43,2 bilhões no último trimestre.
  • Os ativos comerciais e em águas profundas nos EUA e no Brasil impulsionaram o desempenho.
  • As ações da Shell subiram mais de 16% no acumulado do ano.

A gigante petrolífera britânica Shell registrou lucro mais forte do que o esperado no terceiro trimestre, apoiado por maiores contribuições comerciais e operações estáveis em todo o seu portfólio global.

A empresa registrou lucro ajustado de US$ 5,4 bilhões no trimestre encerrado em setembro, superando as expectativas dos analistas de US$ 5,05 bilhões compiladas pela LSEG.

O resultado sinaliza resiliência nos segmentos de upstream e trading da Shell, apesar do desempenho ano a ano mais fraco e de um ambiente de preços de energia mais suave.

Os ganhos da Shell também destacam um padrão mais amplo da indústria, à medida que as principais empresas de energia se ajustam ao arrefecimento dos preços das commodities, mantendo pagamentos consistentes aos acionistas.

Com recompras renovadas e dívidas mais baixas, o desempenho da Shell contrasta com a recente desaceleração relatada pela norueguesa Equinor.

As recompras continuam à medida que a Shell aumenta os retornos dos investidores

A Shell anunciou um novo programa de recompra de ações de US$ 3,5 bilhões nos próximos três meses, marcando seu 16º trimestre consecutivo de pelo menos US$ 3 bilhões em recompras.

A decisão mantém o ímpeto nos retornos de capital, apesar de uma ligeira queda em relação ao lucro ajustado do ano passado de US$ 6 bilhões.

A dívida líquida da empresa com sede em Londres caiu para US$ 41,2 bilhões no final de setembro, ante US$ 43,2 bilhões no trimestre anterior.

A contínua desalavancagem ressalta o foco da Shell em fortalecer seu balanço patrimonial enquanto distribui caixa estável aos acionistas.

As ações da Shell subiram mais de 16% no acumulado do ano, superando a maioria dos pares de petróleo europeus. A estratégia de recompra tornou-se uma ferramenta crítica para apoiar a avaliação da empresa em meio à volatilidade contínua nos preços globais da energia.

Ativos de negociação e águas profundas impulsionam o desempenho

A Shell atribuiu sua força trimestral à eficiência operacional e às melhores contribuições de sua divisão de negociação, particularmente nos mercados de gás e petróleo.

A empresa apontou o sólido desempenho em seus negócios de Marketing e ativos em águas profundas no Golfo da América e no Brasil como principais contribuintes.

Os resultados demonstram a abordagem diversificada do portfólio da Shell, equilibrando a produção tradicional de petróleo e gás com investimentos crescentes em soluções de baixo carbono.

A estrutura integrada de suas unidades de comercialização, refino e produção continua a proporcionar estabilidade, mesmo quando os preços de referência do petróleo flutuam.

O lucro ajustado da Shell de US$ 4,26 bilhões no trimestre anterior já refletia uma recuperação constante de correções de preços anteriores, e os números mais recentes validam ainda mais sua estratégia disciplinada de gastos e produção.

Pares do setor mostram tendências trimestrais mistas

O relatório do terceiro trimestre da Shell ocorre em meio a ganhos mistos para as principais empresas petrolíferas globais. A norueguesa Equinor registrou lucro operacional ajustado de US$ 6,21 bilhões para o período de julho a setembro, um declínio mais acentuado do que o esperado devido aos preços mais baixos do gás e cortes na produção.

Do outro lado do Atlântico, a Exxon Mobil e a Chevron estavam programadas para divulgar os resultados na sexta-feira, com a BP da Grã-Bretanha esperada para seguir na terça-feira.

Os próximos relatórios desses pares do setor fornecerão mais clareza sobre como as grandes petrolíferas estão navegando em margens reduzidas após lucros recordes em 2022.

O ritmo consistente de recompra da Shell e a redução da dívida a posicionam de forma vantajosa em comparação com os concorrentes que entram em uma fase de menor demanda e maior escrutínio sobre os investimentos em combustíveis fósseis.

Especialistas sugerem que a eficiência contínua nas operações e no desempenho dos ativos pode ajudar a sustentar a confiança dos investidores à medida que o mercado global de energia faz a transição.