Asur do México surge como a principal licitante para o portfólio de aeroportos da Motiva, diz relatório

Asur do México surge como a principal licitante para o portfólio de aeroportos da Motiva, diz relatório
Noris Soto
05 de nov. de 2025, 12:02 PM
  • A Asur lidera a licitação para os 17 aeroportos da Motiva no Brasil e hubs no Equador, Costa Rica e Curaçao.
  • A oferta de US$ 925 milhões marca o maior movimento de expansão da Asur além das fronteiras do México.
  • A Motiva planeja concluir a venda até o final de 2025, à medida que se concentra novamente em suas concessões rodoviárias.

Grupo Aeroportuario del Sureste ASUR. A MX, operadora aeroportuária mexicana, saltou para a frente do campo de licitantes para o portfólio de aeroportos da Motiva Infraestrutura de Mobilidade, disse um relatório da Reuters citando duas fontes com conhecimento direto do assunto.

A compra, se concluída, complementaria as atividades existentes da Asur além do México e seria um passo significativo para se promover como um player aeroportuário mais relevante na América Latina.

A empresa brasileira de infraestrutura Motiva, antiga CCR, disse em maio que abriu o processo de venda de suas unidades aeroportuárias em meio a uma mudança de estratégia que a leva a mudar o foco de volta para seus negócios de concessões rodoviárias.

Isso faz parte de uma iniciativa de reestruturação mais ampla para simplificar seu portfólio e melhorar a lucratividade de seus principais segmentos de transporte.

O processo de licitação competitiva

Até agora, a Asur superou as rivais espanholas Aena e a argentina Corporación America Airports (CAAP) pela rede de 17 aeroportos brasileiros da Motiva, bem como hubs estrangeiros em Quito (Equador), San José (Costa Rica) e Curaçao.

De acordo com uma das pessoas físicas, a oferta da Asur avaliou os ativos em cerca de 5 bilhões de reais (US $ 925 milhões), menos dívidas.

Esse valor enfatiza a crescente atração da indústria de infraestrutura de aviação da América Latina, que foi impulsionada pela melhoria do tráfego de passageiros e pelo aumento do investimento privado em ativos de transporte.

O interesse de vários licitantes enfatiza a importância do portfólio de aeroportos da Motiva, que compreende posições significativas nos mercados regional e global.

A aquisição diversificaria significativamente a base de ativos da Sur e proporcionaria uma oportunidade de expandir sua presença global.

A presença em expansão da Asur

A Asur opera vários dos maiores aeroportos do México, incluindo os de Cancún, Mérida, Cozumel e outros destinos importantes.

O último relatório anual da empresa mostrou que seus aeroportos movimentaram cerca de 45 milhões de passageiros em 2024, período em que as viagens aéreas retornaram em grande parte das restrições da era pandêmica no México e em outras partes da região.

Os aeroportos da Motiva poderiam aumentar substancialmente a carga geral da Asur e também aninhá-la mais ao sul e no centro do continente.

Com essa extensão, a empresa também poderá aproveitar o crescimento contínuo do turismo e a demanda por conectividade regional.

Embora a Asur não tenha feito nenhum comentário oficial sobre a oferta, os analistas consideram o interesse uma progressão natural no plano de crescimento de longo prazo da empresa.

Por meio da aquisição de ativos maduros no Brasil e no exterior, a Asur alcançaria diversificação de receita e diminuiria sua exposição aos riscos associados aos seus mercados atuais.

A mudança estratégica da Motiva

A Motiva vê a venda como um marco crítico em sua estratégia de se concentrar em suas principais concessões rodoviárias e atividades de infraestrutura de mobilidade.

O escritório opera e mantém uma vasta rede de rodovias, aeroportos e sistemas de transporte de passageiros em todo o Brasil e outras regiões, incluindo metrôs, trens, VLT e barcas.

Durante sua teleconferência de resultados do terceiro trimestre, o CEO Miguel Setas afirmou que o grupo antecipava anunciar a venda dos ativos do aeroporto até o final de 2025.

A transação é vista como um passo crítico na simplificação das operações da Motiva e no aumento da eficiência de capital.

O negócio de aeroportos da Motiva teve bom desempenho em 2025, com EBITDA ajustado subindo 15%, para 912 milhões de reais nos primeiros nove meses do ano.

Esse aumento ilustra a durabilidade da demanda por viagens aéreas e as melhorias operacionais feitas em toda a sua rede.

Perspectivas e próximas etapas

O licitante vencedor deve ser revelado nos próximos meses, com a Motiva buscando fechar a venda antes do final do ano.

Se aprovada, a aquisição representaria uma das maiores compras de infraestrutura transfronteiriça da história recente da América Latina e fortaleceria a posição da Asur como gigante regional de gestão de aeroportos.

Com a recuperação das viagens aéreas mundiais e os investidores em busca de ativos estáveis de longo prazo, a possível aquisição dos aeroportos da Motiva pela Asur pode mudar a dinâmica competitiva da infraestrutura de aviação nas Américas.