Maersk cai 6% com lucros superando estimativas, mas orientação decepciona

Maersk cai 6% com lucros superando estimativas, mas orientação decepciona
Vatsala Gaur
06 de nov. de 2025, 06:48 AM
  • O EBITDA subjacente da Maersk no terceiro trimestre, de US$ 2,68 bilhões, supera as estimativas, mas as ações caem 6%.
  • A orientação para 2025 aumentou ligeiramente para US$ 9 a US$ 9,5 bilhões, abaixo das esperanças do mercado.
  • Analistas alertam que taxas de frete mais fracas podem afetar os lucros nos próximos trimestres.

As ações do grupo dinamarquês de transporte marítimo A.P. Moller-Maersk caíram 6% na quinta-feira, depois que a empresa apresentou uma modesta superação nos lucros do terceiro trimestre, mas não conseguiu elevar sua orientação para o ano inteiro o suficiente para atender às expectativas do mercado.

A ação estava a caminho de seu pior desempenho em um único dia desde março, refletindo a decepção dos investidores com as perspectivas cautelosas do grupo para 2025.

A empresa, vista como um termômetro do comércio global, divulgou lucro subjacente preliminar antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de US$ 2,68 bilhões para o período de julho a setembro, ligeiramente acima das estimativas dos analistas de US$ 2,58 bilhões.

A receita caiu para US$ 14,21 bilhões, de US$ 15,76 bilhões no ano anterior, uma vez que as taxas de frete mais baixas pesaram sobre a lucratividade.

A Maersk agora espera que o EBITDA subjacente para 2025 varie entre US$ 9 bilhões e US$ 9,5 bilhões, reduzindo sua previsão anterior de US$ 8 bilhões a US$ 9,5 bilhões.

Embora a atualização tenha elevado o limite inferior da orientação, ficou aquém das expectativas do lado da compra, que estavam mais próximas de US$ 10 bilhões.

"Achamos que o mercado esperava uma batida e um aumento mais fortes", disseram analistas do JP Morgan em nota, acrescentando que esperava que a nova orientação decepcionasse.

Volumes de remessa resilientes ajudam a compensar taxas de frete mais baixas

A Maersk disse que a forte demanda por contêineres e a melhoria da eficiência de custos ajudaram a amortecer o impacto da queda das taxas de frete no terceiro trimestre.

Os volumes de frete aumentaram 7% em relação ao ano anterior, impulsionados em grande parte pelas exportações do Leste Asiático, com os bens de tecnologia da China sustentando grande parte do crescimento.

"No terceiro trimestre de 2025, a demanda global de contêineres cresceu entre 3% e 5% ano a ano, desafiando as interrupções", disse a empresa.

As importações foram fortes na Europa, África, América Latina e Ásia Centro-Ocidental, enquanto os embarques para a América do Norte se contraíram, principalmente da China para os Estados Unidos.

As taxas médias de frete caíram 31% nas principais rotas marítimas e os custos aumentaram devido aos volumes mais altos, parcialmente compensados pelos preços mais baixos dos combustíveis.

Analistas alertaram que taxas mais fracas podem em breve empurrar a divisão de transporte marítimo da Maersk para o vermelho.

"O bom resultado no trimestre provavelmente será rapidamente esquecido, porque é mais o esclarecimento das expectativas que está ganhando as manchetes desta vez", disse Haider Anjum, do Jyske Bank, que também alertou que as taxas podem cair novamente assim que as rotas de trânsito do Mar Vermelho forem reabertas.

Impulso de eficiência e aliança com a Hapag-Lloyd

A empresa destacou os benefícios de sua Cooperação Gemini, uma aliança operacional com a Hapag-Lloyd lançada no início deste ano.

A parceria reúne embarcações para cortar custos e melhorar a confiabilidade do cronograma.

A Maersk disse que a rede começou a oferecer eficiência e será otimizada ainda mais para melhorar o atendimento ao cliente.

"Com base nesse forte desempenho, a Maersk e a Hapag-Lloyd planejam otimizar ainda mais a rede e maximizar o impacto positivo no cliente", disse a empresa.

A Maersk manteve sua suposição de que as interrupções no Mar Vermelho persistirão pelo resto do ano.

A empresa evitou a região desde o final de 2024 devido a riscos de segurança e disse que só retomaria o trânsito quando uma solução de longo prazo estivesse em vigor.

Apesar das perspectivas desafiadoras, a Maersk elevou sua previsão de crescimento da demanda global de contêineres este ano para cerca de 4%, de uma faixa anterior de 2% a 4%.

Ainda assim, com as taxas de frete sob pressão e as tensões comerciais pesando sobre a demanda, analistas disseram que a confiança dos investidores pode levar tempo para se recuperar.

Como um dos maiores transportadores de contêineres do mundo, os resultados da Maersk continuam a servir como um indicador crucial da saúde do comércio global.