Vale tem como alvo aumento da demanda por aço na Índia para compensar desaceleração da China

Vale tem como alvo aumento da demanda por aço na Índia para compensar desaceleração da China
Noris Soto
10 de nov. de 2025, 12:55 PM
  • A Vale está de olho no aumento da demanda indiana por aço, à medida que o crescimento da China se estabiliza.
  • Projeto "Novo Carajás" de US$ 12,9 bilhões para elevar a produção de minério de ferro em 20 milhões de toneladas até 2026.
  • A mineradora espera recuperar o título de principal produtora global, superando a Rio Tinto.

A Vale (VALE3.SA, gigante brasileira da mineração, está se preparando para capitalizar um boom na demanda da Índia, que pretende triplicar sua produção de aço até o final da década.

De acordo com a Reuters, o presidente-executivo Gustavo Pimenta afirmou que a empresa espera aumentar as vendas para a Índia e outros países asiáticos para compensar a demanda lenta na China, onde a produção de aço se estabilizou em cerca de 1 bilhão de toneladas métricas por ano e pode diminuir nos próximos anos.

"A Índia tem 1,6 bilhão de habitantes, ultrapassou a China e precisa de investimentos maciços em infraestrutura, o que significa muito aço", disse Pimenta em entrevista na sede da Vale no Rio de Janeiro.

Ele continuou dizendo que a capacidade siderúrgica da Índia pode aumentar para cerca de 300 milhões de toneladas nos próximos cinco a sete anos, destacando o escopo de possibilidades para o minério de ferro de alto teor da Vale.

O minério da Vale, que é conhecido por sua alta qualidade, combina bem com o suprimento indígena de baixo teor da Índia, acrescentou Pimenta.

"Adicionamos qualidade ao mix indiano. À medida que a produção de aço aumenta, prevemos oportunidades significativas de crescimento."

Este ano, a Índia deve importar mais de 10 milhões de toneladas de minério de ferro da Vale, contra quase nenhum apenas alguns anos antes.

Embora essa ainda seja uma fração modesta em comparação com a China, que responde por mais de 60% da receita total da Vale, significa uma mudança significativa no equilíbrio de mercado da empresa.

Mudando o foco para além da China

Embora a China deva continuar sendo a maior fabricante de aço do mundo, Pimenta disse que a Vale não espera mais expansão lá. "Não vislumbramos crescimento futuro."

A produção chinesa provavelmente permanecerá constante, se não encolher, disse ele, contrastando o mercado chinês estável com o crescimento anual de 12% da produção de aço da Índia.

Além da Índia, a Vale vê um aumento na demanda de outras economias asiáticas. As vendas para o Vietnã, por exemplo, devem chegar a 8 milhões de toneladas em 2025, o que é significativamente mais do que nos anos anteriores.

A abordagem da empresa reflete uma mudança mais ampla em direção a nações emergentes, onde a industrialização e os gastos com infraestrutura estão aumentando rapidamente.

Trimestre forte prepara terreno para o "Vale Day"

A Vale divulgou resultados provisórios no 3º trimestre com crescimento de vendas de 5% e a maior produção de minério de ferro desde 2018, fortalecendo a mão da mineradora antes de seu dia anual do investidor – "Vale Day" em 2 de dezembro em Nova York.

Pimenta não chegou a fornecer novas metas específicas de produção, mas disse que a empresa revelará planos para projetos de expansão de capacidade de minério de ferro e cobre no Sistema Norte de seus ativos brasileiros.

A chave para isso é a iniciativa Novo Carajás da Vale, que deve aumentar a produção de minério de ferro em 20 milhões de toneladas por ano e no valor de 70 bilhões de reais (US $ 12,95 bilhões) até 2030.

O projeto, agora 80% concluído, está previsto para iniciar as operações no final de 2026.

"À medida que exploramos mais Carajás, ficamos cada vez mais otimistas sobre seu potencial", disse Pimenta.

"No Vale Day, daremos aos investidores mais visibilidade e confiança."

A Vale também pretende triplicar a produção de cobre até 2035, indicando um esforço sustentado para diversificar seu fluxo de receita além do minério de ferro.