Alemanha intensifica redefinição do comércio com a China à medida que restrições de terras raras apertam o controle

Alemanha intensifica redefinição do comércio com a China à medida que restrições de terras raras apertam o controle
Diya Poddar
17 de nov. de 2025, 06:03 AM
  • As posições políticas foram pré-alinhadas com a UE para fortalecer a posição da Alemanha.
  • Líderes políticos domésticos lançaram uma comissão para reavaliar o comércio com a China.
  • Klingbeil se reunirá com empresas alemãs em Xangai e depois continuará as discussões em Cingapura.

A Alemanha lançou um esforço renovado para estabilizar as relações comerciais com a China com a chegada do ministro das Finanças, Lars Klingbeil, a Pequim.

Sua visita ocorre em um momento crítico para a maior economia da Europa, que está lutando com a escalada das restrições à exportação da China, especialmente em elementos de terras raras essenciais para sua base de fabricação.

Com as cadeias de suprimentos industriais sob pressão e as lacunas comerciais aumentando, a urgência de Berlim de recalibrar sua política para a China está agora em movimento.

A missão de Klingbeil reflete o objetivo mais amplo da Alemanha de afirmar o controle sobre seu futuro comercial, evitando interrupções econômicas mais profundas.

Berlim busca nova base em meio a controles de terras raras

A visita de Klingbeil à China marca um movimento estratégico enquanto a Alemanha tenta conter a crescente pressão das políticas de exportação de Pequim.

Ele é o primeiro membro do novo governo liderado pelos conservadores a fazer a viagem, acompanhado pelo presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, e por representantes seniores dos setores bancário e de seguros.

A principal parada do ministro é o diálogo financeiro alemão-chinês em Pequim, um formato criado em 2015 para apoiar a coordenação econômica bilateral.

As últimas negociações ocorrem no momento em que a Alemanha busca desafiar o excesso de capacidade chinesa em setores críticos, incluindo aço e mobilidade elétrica, ao mesmo tempo em que garante acesso estável a matérias-primas, como elementos de terras raras.

Antes de sua partida, Klingbeil afirmou em Berlim que esse acesso é vital para proteger os empregos e a produção econômica alemã.

O controle cada vez maior da China sobre as exportações de terras raras provocou preocupação em toda a Europa. Esses elementos são cruciais para a fabricação de tudo, desde peças automotivas até dispositivos eletrônicos.

Os riscos tornaram-se mais claros após as recentes medidas de controle de exportação de Pequim, que impactaram as linhas de produção alemãs e expuseram a fragilidade das atuais dependências de fornecimento.

A coordenação das políticas toma forma a nível da UE

Para apoiar uma resposta coesa, Klingbeil coordenou posições políticas com autoridades comerciais da UE antes de viajar para a China.

Como a Alemanha opera dentro da estrutura comercial da União Europeia, o alinhamento é essencial para fortalecer a influência coletiva do bloco nas negociações com Pequim.

A Comissão Europeia também manifestou preocupação com a crescente influência que a China exerce através do seu domínio sobre terras raras e materiais críticos.

O mais recente compromisso diplomático da Alemanha sinaliza uma abordagem mais assertiva, à medida que pressiona por uma reforma sistêmica na forma como a UE interage com a China no comércio e na segurança industrial.

A urgência cresceu à medida que as disputas comerciais se espalharam. Um exemplo recente envolveu a Holanda e a fabricante de chips Nexperia, ligada à China, aumentando o desconforto com a expansão do controle da China sobre as cadeias de suprimentos vinculadas aos setores de tecnologia europeus.

Pressões domésticas pressionam por mudanças estruturais

A viagem também aborda demandas políticas internas. Os legisladores da Alemanha estão pedindo uma revisão completa da dependência comercial do país em relação à China.

Alguns críticos culparam governos anteriores liderados por social-democratas por promover a dependência excessiva das importações e mercados chineses, deixando a Alemanha vulnerável a choques externos.

Na quinta-feira, o parlamento alemão nomeou uma comissão de especialistas para reavaliar a política comercial em relação a Pequim.

Maximilian Butek, diretor executivo da Câmara de Comércio Alemã no Leste da China, disse que as medidas chinesas causaram quase paralisações em certos setores de produção.

Essas interrupções aumentaram a pressão sobre Berlim para garantir fontes diversificadas de matérias-primas e evitar gargalos futuros.

Jacob Gunter, chefe de economia e indústria da Merics, observou que apenas interrupções substanciais podem obrigar os líderes a tomar as decisões políticas necessárias.

Klingbeil olha para a Ásia além de Pequim

Após suas reuniões em Pequim, Klingbeil deve viajar para Xangai para se envolver com empresas alemãs de médio porte que operam na região.

Essas empresas foram significativamente afetadas pela escassez de materiais e pela imprevisibilidade comercial.

Sua parada final será Cingapura, onde novas negociações estão programadas como parte do esforço da Alemanha para ampliar suas parcerias econômicas em toda a Ásia.

Essa redefinição na abordagem ocorre no momento em que as exportações alemãs continuam enfrentando pressões externas, em parte ligadas às mudanças no comércio global desencadeadas durante as tarifas da era Trump e continuadas por realinhamentos geopolíticos.

O foco agora se volta para se Berlim pode converter esse alcance diplomático em uma balança comercial e segurança duradouras.