Maduro, da Venezuela, pondera usar as exportações de petróleo como moeda de troca em negociações renovadas com os EUA

Maduro, da Venezuela, pondera usar as exportações de petróleo como moeda de troca em negociações renovadas com os EUA
Noris Soto
25 de nov. de 2025, 12:33 PM
  • A Venezuela poderia usar cargas brutas como moeda de troca em possíveis negociações com os EUA.
  • A falta de contratos da PDVSA permite flexibilidade para redirecionar remessas caso um acordo surja.
  • Restaurar as licenças americanas para produtores continua sendo um fator na reabertura das rotas de exportação para a Europa.

Segundo a Reuters, o presidente venezuelano Nicolás Maduro tem tanto o incentivo quanto a flexibilidade para fornecer cargas de petróleo bruto, a maioria das quais agora vai para a China, como moeda de troca caso as negociações com os Estados Unidos avancem.

A administração do presidente Donald Trump, que fortaleceu sua presença militar no Caribe, indicou estar disposta a negociar com Maduro.

O governo venezuelano não conseguiu atrair investimentos estrangeiros para seus campos petrolíferos devido às sanções dos EUA, tornando a perspectiva de retomar as negociações mais atraente.

Washington rotulou formalmente o Cartel de los Soles da Venezuela como um grupo terrorista estrangeiro na segunda-feira, aumentando a pressão sobre Maduro enquanto autoridades americanas planejam operações adicionais nos próximos dias, segundo fontes.

Exportações concentradas na China proporcionam flexibilidade

A Venezuela, membro da OPEP, viu sua produção de petróleo se manter estável em torno de 1,1 milhão de barris por dia este ano — menos de um terço dos níveis recordes do país no final dos anos 1990.

Segundo registros de navegação, a China recebeu mais de 80% dos carregamentos de petróleo da Venezuela entre junho e outubro.

Analistas acreditam que essas remessas de cargas, juntamente com a possibilidade de recuperar licenças operacionais para corporações americanas, podem dar a Maduro o maior poder em futuras negociações com Washington.

"Enviar mais petróleo para os Estados Unidos e proteger o investimento americano na Venezuela é algo que Maduro pode oferecer facilmente", disse o analista de energia Thomas O'Donnell.

No entanto, ele observou que tal oferta "pode não ser suficiente agora que Washington tem a vantagem", citando a estabilidade do mercado de petróleo e os baixos preços.

Nesta semana, o ministro do Petróleo Delcy Rodriguez afirmou que os Estados Unidos têm como alvo a Venezuela por causa de suas vastas reservas de petróleo. "Eles querem reservas de petróleo e gás venezuelanos." Por nada, sem pagamento", explicou.

Rodriguez já observou o desejo persistente entre as refinarias do Golfo dos EUA pelos graus pesados de petróleo bruto da Venezuela, em contraste com o petróleo mais leve tipicamente produzido nos Estados Unidos.

Os envios venezuelanos para os Estados Unidos por meio de uma licença concedida à Chevron despencaram no terceiro trimestre, chegando a metade do valor exportado no primeiro trimestre.

A falta de contratos da PDVSA pode ajudar em mudanças diplomáticas

Segundo a Reuters, a maioria dos acordos de fornecimento pertencentes à PDVSA, a empresa estatal de petróleo da Venezuela, foram encerrados quando as sanções dos EUA foram impostas em 2019.

Desde então, a PDVSA tem sido obrigada a vender a maior parte de seu petróleo no mercado spot com descontos significativos.

Como a PDVSA não está mais limitada por contratos de fornecimento de longo prazo, a empresa pode redirecionar cargas agora direcionadas para refinarias independentes chinesas para os Estados Unidos e Europa caso um novo acordo político seja estabelecido.

O Ministério do Petróleo da Venezuela, a PDVSA, a Casa Branca e o Departamento de Estado dos EUA não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Embora Washington tenha proibido pagamentos em dinheiro à PDVSA há anos, a empresa há muito utiliza trocas de petróleo para trocar petróleo por suprimentos de combustível urgentemente necessários.

De acordo com estatísticas de movimentação de petroleiros da LSEG e documentos internos da PDVSA, a Venezuela aumentou seus envios para a China para mais de 80% do total das exportações no segundo semestre de 2025, acima dos 63% do ano anterior, principalmente devido às ações dos EUA que limitaram outros destinos.

Essa decisão oferece a Maduro a oportunidade de diversificar novamente os destinos caso as condições políticas mudem.

Licenças e investimentos continuam sendo incógnitas importantes

O governo Maduro também poderia buscar negociações para restaurar as licenças dos EUA para produtores estrangeiros de petróleo que fazem negócios na Venezuela.

Esse tipo de medida pode abrir caminhos para exportações para os EUA e Europa, para os quais atualmente estão bloqueados.

A Venezuela, que domina as maiores reservas de petróleo bruto do mundo, tem tido dificuldades para atrair grandes empresas de energia para seus campos petrolíferos sob uma estrutura contratual proposta por Maduro em anos anteriores.

Essa opção atraiu apenas pequenos proprietários com pouco poder para expandir a produção.

Um grande número de empresas ocidentais se afastou após Hugo Chávez expropriar centenas de empresas, e com a chegada das sanções.

Reviver a enfraquecida indústria petrolífera da Venezuela exigiria enormes investimentos, tarefa que analistas dizem que seria assustadora até mesmo para a oposição, que prometeu reformas no setor assim que estiver no poder.

A administração Trump tem sido inconsistente na emissão de autorizações, concedendo licenças temporárias a algumas empresas enquanto congela outras, aumentando ainda mais a incerteza em torno das negociações futuras.